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Barco à deriva

Por: Leandro Lima da Silva

Fecho os olhos e vem à minha mente algo extremamente instigante: nada! E passo a refletir sobre o que eu era a tempos atrás e em que tenho me transformado. Sei que já fui mais espontâneo. Arrisquei de certa maneira a realizar os meus desejos. Hoje me sinto um tanto quanto frustrado. Tenho a consciência de que poderia estar fazendo mais por mim mesmo, mas algo determinante me paralisa, e acabo por aceitar a rotina que se mostra agora como uma realidade imutável. Tinha em mente que tudo dependia da maneira como enxergava os fatos que se passam ao meu redor. Acreditava que poderia intervir em meu destino, podendo tornar todas as minhas experiências em felicidade. Mas algo me castra. Já me sinto menos capaz, como se estivesse preso a uma engrenagem imponente. Sou agora mais parecido com uma peça que se move pelos estímulos de sabe-se lá o quê. Esta situação me deixa atordoado. Eu queria manter toda aquele energia incrível que se desprende depois de uma grande conquista para a vida inteira. Queria acordar todos os dias com o ânimo de quem pode construir um mundo novo. Mas me sinto detido. Já não sou mais o mesmo nem em meus sonhos, minhas metas. E por falar nisso, que objetivos tenho eu agora? Talvez tenha esquecido de sonhar, de pensar em mim como um projeto de sucesso. O que mais me incomoda nessa situação é estar atento ao que se passa. Eu vejo que estou seguindo um caminho errado e que um dia posso me culpar por ter deixado passar tantas oportunidades. Queria me desapegar do medo de tentar. Eu poderia ter muitas desilusões, mas me colocaria à prova, lutaria pelos meus sonhos e tentaria de fato conquistar o que mereço e o que não mereço. E isso é muito importante: é preciso querer muito mais do que se pode. A ambição move o ser humano, e é ela que agora sinto fugir de mim. Estou fortemente acomodado nesse sofazão duro e ainda estou achando tudo isso ótimo. Eu queria seguir os meus conselhos. Meus pensamentos até que se esforçam em apontar a direção, que afinal parece muito simples. Levanta! Atitude, palavra que me assombra. Atitude, queria estampá-la na minha testa para ver se assim conseguiria passar perto dela. Eu me envergonho por decepcionar as expectativas que eu mesmo havia criado para mim. Por não ter conseguido sair daquela situação de coadjuvante, aquele que só é lembrado em algumas poucas situações certamente nem um pouco prestigiantes. Quando eu for ler novamente tudo isso que escrevi, de certo estarei em um estado de espírito muito melhor, até porque hoje eu abusei. Acho que de algum jeito até busquei chegar a tal ponto. E para não torná-lo totalmente inútil e desapontante, talvez eu o apagarei. Há aqui uma grande vantagem, quem sabe a única. Da mesma maneira com que recalquei os meus sonhos até então, agora colocarei também em um lugar obscuro da minha mente tudo aquilo que me faz sofrer. Às vezes passa pela minha cabeça que as emoções, no meu caso, atrapalham o decorrer da minha existência. É simples. Fazendo o balanço dos momentos felizes, tristes e de vácuo total, como o que passo agora, cheguei a conclusão de que sou um vazio sem fim. Mas eu ainda acredito que não sou um caso perdido e espero com todas as forças que eu possa me tornar aquilo que de fato me propus a ser, antes que a conclusão definitiva de que não há mais jeito venha bater a minha porta. E afinal de contas, o que quero ser? Pergunta difícil para mim, que sou um mero desconhecedor do meu próprio ser. Acho que simplesmente ser reconhecido. Queria que as pessoas sentissem prazer ao conversar comigo. Que quando elas me buscassem estivessem sempre com o foco em meus olhos, atentas ao que eu tenho a dizer ou transmitir. Atenção é uma outra palavra chave em meu conflito. Ando me sentindo bastante desinteressante. E se é minha culpa, então creio que está em meu poder desatolar o barco desse universo de nada!

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