Acesso Restrito

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Exóticos, pequenos e viciantes

Por: Moisés Viana

Ao caminharmos pela cidade, nas alamedas e nas praças é freqüente vermos pessoas falando ao celular, gente dirigindo com uma das mãos, pessoas apertando botões e até tirando fotos com seus aparelhos digitais. Até ouvimos os toques polifônicos diversificados e altos que se confundem com as buzinas e os sons urbanos mais comuns.

O que me chama a atenção são os tamanhos, os formatos e as múltiplas funções dessas coisas que também são úteis, quando não passam de meros badulaques teen.

Os celulares estão cada vez mais viciosos, uma coqueluche. Já fazendo analogia com a peste, os celulares estão se tornando uma febre, uma droga, bem como outros aparelhos pequenos, úteis e viciantes. Eles podem viciar não como maconha e cocaína, mas simbolicamente e também quimicamente, ajudando a liberar doses endofina, a substância responsável pelo prazer. Tem gente que não vive sem o celular! Não fica sem aquela olhadinha, telefonema ou mensagem instantânea, uma mania mesmo.

Interessante, uma vez, um amigo meu jornalista disse que os celulares podem ser próteses. Bem como outro objeto, status ou droga podem ser próteses. Pode haver gente que não têm amigos, mas tem o melhor celular, o mais moderno, uma prótese para a vida. Pode ser que há gente não seja feliz, mas tem uma casa boa, o carro do ano, o poder, a fama e muito dinheiro, tem próteses.

Tudo que tenta substituir o natural, o simples da vida, será prótese de uma pessoa. Aqui, entendo natural como a busca da realização, da felicidade, do bem-estar que se constrói pela simplicidade, pelo prazer de viver. Viver incluído no mundo digital e moderno é legal, mas é preciso manter o senso crítico de que as coisas podem ser pequenos, úteis e viciantes.

Moisés Viana, jornalista, escritor e pós-graduando em Meio Ambiente e Desenvolvimento na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB).

http://tutmosh.blogspot.com/



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