Acesso Restrito

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Revogaram o Idioma?

Por: Levy Pinto de Castro Filho

REVOGARAM O IDIOMA?* 
                                                               LEVY PINTO DE CASTRO FILHO é advogado e professor.

Convocados para as nove, nós nos apresentamos às oito da manhã num confortável “resort” situado numa bela cidade serrana do Rio de Janeiro. Recebidos com um farto “brunch”, estávamos todos ansiosos, pois a programação do evento anunciava que o primeiro “speech” ficaria a cargo do diretor-presidente de uma consagrada instituição brasileira incumbida regimentalmente do desenvolvimento educacional.

Logo no início da fala, o palestrante demonstrou ter “expertise” sobre o assunto e, após sua primeira intervenção, fomos convidados para um saboroso “coffee-break”.
Na parte da tarde, foi feito um “feedback” sobre os principais temas matinais e passamos a um estudo de “cases” envolvendo “surveys”, “benchmarks” e muita “accountability”.

No dia seguinte, divididos em grupos de estudos, participamos de um “brainstorm” envolvendo hipotéticas situações recheadas de “take holders”, “networks” etc. etc. etc.
Como o encontro era, exclusivamente, com servidores da administração pública e, definitivamente, não havia nenhum interesse ou participação, ainda que indireta, de alguma multinacional, em determinado momento, já exausto, lembrei-me de que eu era advogado (ou seria “attorney”?) e me ocorreu que o artigo treze da Constituição Federal estabelecia que “a língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil”.
Teria eu negligenciado por não perceber que o mencionado dispositivo legal já houvera sido revogado?

Ao fim do evento, um pouco mais “little fat”, tive a infeliz certeza de que os anos no funcionalismo público haviam me distanciado das aulas de inglês. Eu me vi obrigado, então, a recorrer aos ensinamentos de um bom e técnico dicionário de línguas, para derrubar a “chinese wall” em que me encontrava e, assim, preparar este “paper” que será levado às mãos da minha chefia imediata, a fim de que a mesma possa ter a exata noção do desenrolar daquele “business meeting”. Caso contrário, meu nome corre sério risco de aparecer nas páginas do próximo “Official Daily”.

“The end.”

*Texto originalmente publicado no Jornal O GLOBO, de 02/01/2006.



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