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O pôr do sol

Por: Luiz Romeu Oliboni

O PÔR DO SOL...

De Luiz Romeu Oliboni
l.oliboni@terra.com.br

Freme intacta a natureza, fortemente...
...Que tal aconteça, não digo,
mas está tristemente morrendo...
Lá do poente o manto azul ensangüentado,
cada vez mais rubro, veloz, incandescente...
Esse índio ‘Guarani’
à toa atira, desgrenhado, sem dó,
sua flecha certeira,
não sei de que maneira,
atinge o coração no reverso,
e o sol sem outro verso,
cambaleia na rima,
caindo,
deixando
em cima o adeus !...
Freme a natureza fortemente,
lânguida em soluções no fim do dia...
O hemisfério desta latitude reboa perdido
na iminência do luto...
Qual outro fruto da vida senão a morte ?
Sepulta-se o sol todo ensangüentado !...
A noite, a noite vem...
A compreensiva “Madona”,
trazendo em seus olhos o aljôfar da bondade
e atira o negro burel sobre a alma da natureza....
Ó noite, mãe do sol nascente,
bem sei, que sofres mais do que toda a gente...
Teu filho morto, já na tumba,
como Deus atirado (...)
A mãe sofre sem jeito,
são cravadas espadas de dor...
O círio no luto se acende,
as estrelas o acompanham,
a noite chora...Chora...Longamente chora...
O choro desabafa o pranto,
melhor remédio para o coração...
A lágrima lava o passado,
refresca a natureza no sono.

Isto, isto tudo foi um sonho da imaginação,

quando acordei, ainda havia lágrimas

sobre as flores do jardim...



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