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Tecnologia, educação e autonomia

Por: Adriana S pindola de Ataides

RESUMO

Este artigo é uma proposta de reflexão sobre a prática e a valorização da atual sociedade, onde o professor precisa se adaptar as mudanças sociais. Nesse sentido, serão apresentados sugestões aos educadores e a todos que se interessarem a respeito da educação atual que se transforma a cada dia, devido às novas tecnologias que trouxeram benefícios à sociedade. O enfoque principal se dá em torno da escola e do professor e nesse cenário inovador causado pelos grandes fluxos de informações que a sociedade compartilha dia-a-dia. Para tanto, o objetivo é sugerir aos professores que se incluam neste contexto social.

Palavras-chave: formação tecnológica. profissional. tecnologia educacional.

 

INTRODUÇÃO

As idéias expostas neste artigo são baseadas na dificuldade que a atual sociedade necessita para acompanhar os avanços tecnológicos que surgem continuamente. Os inúmeros meios de comunicação que as novas tecnologias oferecem têm produzido alterações sociais que preocupam os profissionais da educação, senão que um dos fatores relevantes é a questão de que a escola e o professor não conseguem acompanhar o ritmo acelerado da tecnologia.

Assim, a proposta é levar o profissional ao domínio e interpretação das mudanças que acontecem na sociedade do conhecimento, de sorte que, no decorrer deste estudo serão expostos sugestões que contribuirão para que os professores, ampliem e melhorem suas práticas educativas, maximizando sua qualidade, e, além disso, demonstrar-se-á os benefícios que a tecnologia educacional, aliada aos educadores, traz para que o processo de ensino-aprendizagem aconteça de modo eficaz.

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1 Graduanda do 5º período do Curso de Pedagogia, do Instituto de Ensino Superior IESGO.

 

1 ALFABETIZAÇÃO TECNOLÓGICA DO PROFESSOR

Desde o começo da humanidade o homem procura facilitar sua vida. E tal processo é chamado de tecnologia, isto é, a busca de melhoria que o homem produz e reproduz para sua sobrevivência. O desenvolvimento tecnológico vem crescendo aceleradamente desde a Segunda Guerra Mundial, onde os objetivos eram expandir a tecnologia na tentativa de aumentar e diversificar a produção de armas, cada vez mais poderosas para serem utilizada na destruição das cidades e na busca de informações, a partir daí, a tecnologia começou a servir de interesses políticos e econômicos, refletindo grandes transformações na sociedade.

A infinita capacidade de criação tecnológica impõe novos desafios a toda humanidade. Pode-se caracterizar os século XXI, como o século da sociedade do conhecimento e da informação. A partir daí, inicia-se uma discussão sobre os rumos que se pode tomar para inserir-se nesta sociedade de informações.

Conforme Marques ( 2006, p. 104), “a tecnologia não é simplesmente ciência aplicada, mas ciência reedificada e impulsionada por instrumentos técnicos conceituais propositadamente instituídos.” A tecnologia é, sobretudo, desafio, inovações onde não podemos ignorá-la ou corrermos o risco de sermos devorados por ela. A partir do pressuposto de nos integrarmos à essa sociedade tecnológica, podemos destacar um dos maiores aparelhos capazes de expandir e atualizar os indivíduos nas mudanças culturais que a tecnologia vem dispondo, denominado “aparelho escolar”, cujo princípio é a integração da sociedade ao seu meio social.

Para tanto, as escolas, no âmbito geral, apresentam grandes necessidades de inovação no seu modo de gerenciar o conhecimento que circula e no que é reconstruído e construído neste ambiente de aprendizagem. Daí a necessidade que advém, sobretudo, das rápidas e sucessivas transformações que o mundo globalizado apresenta à educadores e educandos na época atual. Assim, sob a égide da revolução tecnológica a cada dia e momento que passa, a escola precisa integrar novas ferramentas: computadores, Internet, vídeo, projetor, transparências, data-show, câmera digital, laboratório de informática etc., as quais fornecem diversas possibilidades de enriquecimento das práticas pedagógicas. Naturalmente, com essas ferramentas, o professor não é só convidado, mas obrigado a inovar sua prática pedagógica ao mesmo tempo que é conduzido a criar novas formas de ensinar, pois ele próprio corre o risco de ficar dentro da exclusão digital.

Nesta acepção, Saviane (2003, p. 75) afirma que “a escola tem o papel de possibilitar o acesso das novas gerações ao mundo do saber sistematizado, do saber metódico, científico. Ela necessita organizar processos, descobrir formas adequadas a essa finalidade.” Essas mudanças sociais exigem grandes transformações na educação que consequentemente, está ligada diretamente aos educadores, aliás uma das prioridades nesse processo é a capacitação profissional dos docentes.

A saber, nunca se falou tanto em novas tecnologias, informatização, sociedade midiática, mas diste dos recursos tecnológicos encontrados nos contextos escolares das escolas de Ensino Infantil, Fundamental e Médio, como recursos didáticos e de aprendizagem, sem contar que hoje a sociedade, onde todas as pessoas, não importam a idade, onde estão vivendo, todos estão mergulhados no mundo da informática, tem acesso ao computador e a Internet, utilizam esses novos recursos tecnológicos para se informar, trocar idéias, discutir temas específicos, pesquisar, comunicar. Esses momentos, porém de comunicação, de lazer e de auto-instrução, com bases em interesses pessoais raramente são orientados e aproveitados nas atividades de ensino.

Na concepção de Marques (2006, p. 197), “a formação das novas gerações só se faz efetiva e relevante, se significar a autoformação das universidades como comunidade de educadores sempre educandos.” Assim, o fluxo de informações da atual sociedade impõe novas perspectivas na formação do professor, exigindo domínio na sua prática pedagógica que as novas tecnologias vem propiciando, devido ao grande número de informações trazidas pelas mídias. E nesse contexto o professor precisa atuar como mediador, transformando as informações em conhecimentos, de modo a contribuir para que o aluno seja capaz de selecionar informações e escolher entre o que é inútil e o que é realmente significativo.

Pode-se perceber, que com a modernização da economia, da política, das relações sociais e do conhecimento cientifico, exige mudanças profundas na educação. A educação é vista como o caminho das transformações sociais, e para que isso aconteça, precisa-se de uma educação de qualidade, comprometida, atualizada e contextualizada, portanto, se faz necessário ensinar e aprender com as novas tecnologias.

Segundo Sampaio, (1999, p. 25) o trabalho com tecnologias “só será concretizado, porém, na medida em que o professor dominar o saber relativo as tecnologias, tanto em termos de valorização e conscientização de sua real utilização.” Sobretudo, a formação tecnológica do professor é um dos fatores que mais relevam no processo de desenvolvimento tecnológico social. a partir dessa concepção, o professor terá que atuar numa ação reflexiva sobre sua prática pedagógica e assim construir novos paradigmas.

Nesta perspectiva, cabe ao homem estar sempre buscando o que é melhor para si, de forma que compartilhe com outros os saberes adquiridos, uma vez que ele “necessita produzir continuamente sua própria existência. Para tanto, em lugar de adaptar à natureza, ele tem que adaptar a natureza a si, isto é, transformá-la.” (Saviane (2003, p. 11).

No parecer de Mercado:

As novas tecnologias da informação trazem novas possibilidades à educação, e exige uma nova postura dos educador, que prevê condições para o professor construir conhecimento sobre as novas tecnologias, entender por que e como integrar estas na sua prática pedagógica, possibilitando a transição de um sistema fragmentado de ensino para uma abordagem integradora de conteúdo, voltada para a solução de problemas específicos do interesse de cada aluno (1999, p. 42).

Através dessa visão, o professor cria condições para recontextualizar o aprendizado tornando-se mediador no processo de uma informatização democrática. A formação requerida do professor vai além de treinamento profissionalizante, o propósito esperado requer uma postura crítica que possibilite aos educadores refletirem no próprio ato de ensinar.

Freire (1996, p. 77) afirma uma importante constatação: “Não sou apenas objeto da história, da cultura, da política, constato não para me adaptar, mas para mudar.” Para alcançar estas metas impostas pela sociedade tecnológica é necessário aprimorar os conhecimentos sobre as atuais tecnologias.

Neste sentido, de acordo com Sampaio (1999, p. 19), “é necessário que professores e alunos conheçam, interpretem, utilizem, reflitam e dominem criticamente a tecnologia para não serem por ela dominados.” Entretanto, é preciso que tenha-se consciência de que sé é inacabado, é que a existência do homem requer sempre mudanças.

A saber, a tecnologia penetrou em nosso país na década de 70, onde o Brasil buscava autonomia para informatização da sociedade, cujo objetivo centrava-se em interesses políticos e econômicos. Deste então, acreditava-se que a educação seria o setor mais importante com capacidade para articular o avanço científico e tecnológico. Nesta época iniciou-se estudos teóricos com finalidade a interpretar as influências que a tecnologia pudesse transformar. Mas outros estudiosos já iniciavam estudos sobre a tecnologia e a educação que iriam ocorrer, assim, os autores encontravam algumas dificuldades, principalmente por que não tinham subsídios suficientes que respaldasse suas teorias. Mas acerca das necessidades, fizeram com que os estudiosos buscassem embasamentos teóricos em outros países. A preocupação dos estudiosos dessa área era por saberem que as tecnologias contribuíam em grande velocidade na expansão do capitalismo, nesta perspectiva, surge a necessidade da intervenção da escola e do professor no sentido em formar cidadãos capazes de analisar os fatos sem se ater às teorias pré concebidas, ou seja, com habilidade necessária para construir uma formação tecnológica democrática.

Para Mercado (1999, p. 36), “é importante que os futuros profissionais entendam que a inovação vem condicionada ao enfoque metodológico que faz uso destes recursos aproveitando suas novas possibilidades de trabalho.” A aprendizagem se constitui numa tarefa constante `a vida pessoal de todos, porém a visão de tecnologia educacional vai além de produtos tecnológicos, na verdade a tecnologia se constitui na interação entre o educadores e os educandos cuja finalidade requer cumplicidade entre ambos.

Para Celso Antunes (apud Souza),

o papel do novo professor é o de usar a perspectiva de como se dá a aprendizagem para que, usando a ferramenta dos conteúdos postos pelo ambiente e pelo meio social, estimule as diferentes inteligências de seus alunos e os leve a se tornarem aptos a resolver problemas ou, quem sabe, criar produtos válidos para seu tempo e sua cultura (1999, p. 136)

Entretanto, é preciso que tenhamos consciência que somos inacabados, que nossa existência nos posiciona sempre à mudanças. Por fim, cabe aos professores serem criativos e utilizarem tecnologias que melhor atendam as necessidades de seus alunos, não se restringindo em apenas um tipo, mas utilizar diversificadas tecnologias, a fim de que o processo de ensino-aprendizagem aconteça de forma significativa.

Em resumo, os recursos tecnológicos são muito relevantes ao processo de instrução porque melhoram o ensino-aprendizagem, facilitam o trabalho do professor, motivam os alunos e são ferramentas didáticas eficazes, justamente por facilitarem a avaliação do aprendizado. A mediação pedagógica deve ocorrer no próprio processo de comunicação nas escolas, no trabalho com os conteúdos, com os recursos e tecnologias. Desse jeito, é necessário repensar a mediação pedagógica na educação a partir do uso da informática, do computador, da Internet na sala de aula, como forma de garantir uma aprendizagem significativa de desenvolvimento da competência e da capacidade de resolução de problema (avaliação).

 

CONCLUSÃO

A capacidade de criação do homem leva o mundo a passar por mudanças constantemente. Para nos integrarmos nessa atual realidade é necessário inserirmos nas transformações ocorridas na sociedade a que pertencemos. Dessa forma, seremos construtores e não telespectadores. As novas tecnologias que presenciamos é uma seqüência de criações que o homem vem desenvolvendo no decorrer da criação. Pode-se observar um grande aumento progressivo tecnológico, e as dificuldades que a sociedade encontra em acompanhar tais avanços, o que acaba gerando transtornos em todo meio social.

Uma das vertentes mais preocupantes se refere aos profissionais da educação, que como transformadores e estimuladores da aprendizagem, precisam estar inseridos no mundo globalizado. Com isso, surge a necessidade de formar professores capazes de atuarem neste contexto informatizado que o mundo exige. Assim, a perspectiva é levar o professor a compreender as novas tecnologias como ferramenta que auxilia no processo de ensino-aprendizagem. Ao dominar a tecnologia o professor transforma e inova seus conhecimentos.

Na medida que o professor faz uso da tecnologia inicia-se um processo crescente à criação das novas gerações que dão continuidade ao processo de desenvolvimento existentes na humanidade. Mas não como objeto histórico de alienação, e sim como sujeito ativo da sua própria história. Finalmente, a alfabetização tecnológica do professor é um processo indispensável e contínuo, que requer uma postura reflexiva sobre sua prática pedagógica. Nessa concepção, o professor estará contribuindo na formação de indivíduos capazes de descobrir, compreender e transformar o mundo que os cerca.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à pratica educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

MARQUES, Maria Osorio. A escola no computador: linguagem rearticulada, educação outra. Ijuí: Unijuí, 2006.

MERCADO, Luiz Leopoldo. Formação continuada de professores e novas tecnologias. Maceió: EDUFAL, 1999.

SAMPAIO, Marisa Narcizo; LEITE, Lígia Silva. Alfabetização tecnológica do professor. Petrópolis, RJ: Vozes, 1999.

SAVIANE, Dermeval. Pedagogia histórica-crítica: primeiras aproximações. Campinas, SP: Autores Associados, 2003.

SOUZA, Rosa Fátima de. O ofício do professor. São Paulo: Unisp, 1999.

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