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Breve História da Literatura Amazonense

Por: GEONE ANGIOLI FERREIRA

O início da atividade literária no Estado do Amazonas começa com os relatos de Frei Gaspar de Carvajal escrivão da expedição do capitão Francisco Orellana, sua principal intenção era descobrir um novo mercado de especiarias e expandir através das missões religiosas o Cristianismo. O certo é que com a chegada do colonizador os nativos “sofreram muitos danos” e as línguas indígenas foram proibidas para qualquer tipo de comunicação. Sendo assim, como a carta de Caminha, o relato de Carvajal é de caráter informativo, ou seja, uma literatura voltada para documentar e registrar os fatos acontecidos em tais viagens. A partir dos sonetos de Francisco Vitro José da Silveira que prestou grande homenagem aulística a Requeña e esposa (1783) e da Muhuraida de Henrique João Wilkens (1785) que parecia falar dos índios, mas enaltecia o conquistador pelo instrumento eficaz da fé e da própria religião, pois o índio era na visão dele (conquistador) um ser sem alma, vazio e oco, não era gente. É por meio dessas duas obras que a literatura no Amazonas passa a se consolidar como produção verdadeiramente literária, mesmo o seu teor sendo de baixa qualidade é o que ficou como marco na história da produção artístico-literária no Amazonas.

O primeiro poeta amazonense foi Bento de Figuereido Tenreiro Aranha (1769), um poeta marcado pelas agruras da vida, mas que conseguiu romper as barreiras adversas impostas pelo destino e produziu sua obra debruçando-se nos clássicos e fazendo alusão aos festejos, muito embora não fugisse do aulicismo. Seu filho João Batista Tenreiro Aranha em 1850 foi nomeado Presidente da Província do Amazonas e nesse mesmo ano publicou os restos ainda existentes da obra de seu pai, muito de sua produção foi perdida na época da Cabanagem. No período áureo da borracha merece destaque a figura de Tenreiro Aranha, apesar do vazio cultural que existia na época, devido à estagnação econômica e também pelo fato de não haver jornal impresso, sua obra póstuma é de grande relevância por si tratar, vamos dizer assim, do marco inicial desse período. Após a obra de Tenreiro Aranha surgiram poetas como Torquato Tapajós, Paulino de Brito, Maranhão Sobrinho, e outros mais.

O Período áureo da borracha no Amazonas chega ao fim, o ciclo de grandes negócios acaba e por conta disso o estado entra num período de depressão econômica que irá servir de inspiração para os escritores de tendências parnaso-simbolistas, modernistas, naturalistas. Então, os escritores passam a produzir uma série de contos, romances, ensaios, crônicas a respeito do que “restou” do Amazonas, baseados nos filões estilísticos da época, era a fase de ouro dos novos pobres e a atmosfera local era a própria visão do inferno.

O Clube da Madrugada tem seu início nos anos 50 inspirado na geração modernista de 45, muito ligado à maneira de pensar regionalista, logo esse clube finca os pés em Manaus com sua sede debaixo de uma árvore na Praça da Polícia e decide não mais fazer o êxodo, ou seja, ninguém mais abandonaria o clube pra viver no sul do país, várias produções foram feitas a partir dessa formação clubista. O clube chegou até a segunda geração e hoje em dia tenta resgatar a maioria das obras produzidas no passado.

Por fim, a Literatura no Amazonas apresenta inúmeras fases, as quais sempre estão décadas atrasadas aos movimentos e estilos em voga de cada época, pode-se dizer que a literatura local está sempre alguns passos atrás do que se produz no momento. As personagens individuais se destacam, mas não há uma corrente definida na região, não há um denominador comum entre os que produzem e fazem literatura. É preciso mudar essa realidade, por isso é sempre bom estarmos em contato com um Tenório Telles ali, Márcio Souza e Hatoum aqui, Tiago de Melo mais ali e assim vai.

*Geone Angioli é Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas – Campus Parintins.

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