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A memória das galinhas

Por: Luiz Romeu Oliboni

A MEMÓRIA DAS GALINHAS E DO GALO

De Luiz Romeu Oliboni / 2007
l.oliboni@terra.com.br

Assim ...

...Observando, analisando a memória das galinhas e do galo no sítio do meu avô.
...Ainda criança, sabia que estudos vinham sendo feitos por parte de cientistas do mundo inteiro a respeito da memória / inteligência dos animais...

...Num belo dia, fim de tarde, debaixo de três grandes pés de laranjeiras, com mais de 60 anos, uns 14 metros de altura, troncos perfurados pelos cupins, eu apreciava entusiasmado, depois de ter colocado grãos de milho presos às pedras e que as galinhas bicavam, bicavam, repetida e insistentemente, sem ter nenhuma vantagem em troca...

...A conclusão era óbvia e sabida: galinha tem memória curta!

...O galo de semente: reprodutor (meu avô dizia: 'al gal de semença').

...Ergui uma escada de madeira, há dias, em direção e quase verticalmente ao tronco de uma das três laranjeiras, para facilitar a subida à árvore, onde, há anos, galinhas caipiras se debatiam todas as noites, com muito esforço, sacrifício, voando para dormir nos galhos, entre as frondosas folhas, quase desaparecendo dos predadores naturais...

...Fim de dia, os últimos raios do sol tinham se ido...De repente um galo vermelho, tão vermelho que parecia uma chama de fogo, imponente, altivo, saudável, de penas brilhantes e impermeáveis, nem as gotas de água ficavam sobre elas; sobe um, dois, três degraus da escada...Surpresa, exclamei baixinho! Esse galo sabe o que quer e faz, sobe os degraus e vai dormir, lá no seu lugar, fora do perigo. "Ele é inteligente, tem memória, é imponente, bonito e de raça".

...Fiquei muito surpreso! O galo, lá do terceiro degrau, abre as asas, fecha os olhos (sabe a música de cor, dizem) e canta fortemente, afinado, por três vezes, em direção a várias galinhas, ainda ali, no chão, prestes a voar para o alto...Cada uma para sua árvore-poleiro!...

...Surpreendentemente, o galo desce: terceiro, segundo, primeiro degrau e terra...E daí, ele se põe em disparada louca, batendo as asas, elevando-se do solo em direção à mesma árvore, onde estava a escada, alcançando as primeiras folhas e galhos, num sacrifício incomum, debatendo-se freneticamente, deixando cair penas, folhas e pedaços de galhos secos e muita poeira, num alvoroço infernal...

...Nem mesmo "o galo vermelho de semente" se escapou do ditado das galinhas.

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