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Pré-História

Por: Augusto Luiz

Convencionalmente, a Pré-História é o período que antecede o advento da escrita. Portanto, é todo o espaço de tempo da história do homem, anterior ao surgimento da escrita cuneiforme na mesopotâmia.

Assim sendo, podemos localizar a Pré-História compreendida entre 5,5 milhões de anos antes de Cristo – surgimento dos primeiro hominídeos – até cerca de 4 mil anos antes de Cristo – surgimento da escrita. Durante esse tempo, tivemos a evolução da espécie humana, até chegar-se ao ponto mais evoluído, o Homo sapiens, a cerca de 70.000 a.C.

O homem, orginalmente quadrúpede e nômade, adquiriu, ao longo do tempo, características atuais, como tonar-se bípede (liberando as mãos para outras atividades importantes), o dedo polegar (que dava às mãos inúmeras outras possibilidades de atividades evolutivas) e, também, inúmeros desenvolvimentos de tecnologias que culminariam na urbanização, como as armas, a agricultura, e a pecuária.

Um período tão importante para a história, então, para melhor compreensão, e organização de materiais, foi divido em três períodos: (o período paleolítico, mesolítico e o neolítico);

Período Paleolítico – (5.500.000 – 10.000 a.C.)

O período paleolítico é o período de consolidação da espécie humana na Terra. O planeta verde azulado passou por mudanças grandiosas e radicais, com a formação de vales, rios, florestas e outros tipos de vegetação.

A espécie humana também passou por inúmeras transformações, até que adquirisse as características dos atuais Homo sapiens. Por aqui passaram inúmeras outras espécies de hominídeos, como o Homo habilis, o Homo erectus, o Homo neanderthal, até que o Homo sapiens – mais desenvolvido, preparado e inteligente – substituísse todas as outras espécies e reinasse absoluto no globo.

Durante esse tempo de evolução, tivemos os primeiros homens a andarem de forma bípede (eretos, sobre os pés), os primeiros capazes de desenvolver ferramentas de pedra, os primeiros a utilizarem o fogo, entre outras coisas. Tivemos, também, a migração dos hominídeos da África (berço dos homens) para outros continentes, como Ásia e Europa.

A fase final do período paleolítico é caracterizada por homens nômades (sem domicílios fixos), que constituíam uma sociedade de coletores e caçadores, habitante das entradas das cavernas. Para tal, o homem ‘domestica’ o fogo - o uso deste possibilitou que o ser humano pudesse espantar animais, cozinhar e iluminar as cavernas, além de conseguir calor -, e o incluí em sua rotina, além de fabricar instrumentos de ossos, e de pedra lascada (resultado de choques, com extremidades pontiagudas) para a extração de raízes, e abate de animais.

Na organização de sua sociedade, relativamente pequena, os homens instituíram a divisão etária e sexual do trabalho. Ou seja, a função de cada um dentro do grupo dependia da sua idade e do seu sexo. Isto, numa sociedade coletora e caçadora, possibilitou uma enorme evolução na esfera da organização, e, juntamente com outros adventos, como as armas, ocasionou o domínio humano sobre o meio, o território.

Continuando o ciclo evolutivo desta sociedade primitiva, o homem desenvolve a linguagem oral, e passa a ilustrar os animais, e cenas de caça, nas paredes de suas moradias, as cavernas. A essa forma de arte, de caráter mágico, essencial para conhecermos a sociedade paleolítica, damos o nome de arte rupestre.

Além de tudo, o período Paleolítico é marcado pelo início dos rituais funerários, e pelo culto aos mortos, cujos túmulos eram cercados por pedras – em ideia de proteção aos corpos. Cada vez mais evolucionados, os homens aperfeiçoaram ainda mais a fabricação de armas, que incluía anzol, arpão, arco, flecha e lança, e, assim, caminharam para o próximo período da Pré-História, chamado Mesolítico.

Período Mesolítico – (10.000 – 8.000 a.C.)

O período Mesolítico é caracterizado por ser um período de transição de uma sociedade nômade para uma sociedade sedentária. Isto porque durante os dois mil anos que engloba, o homem passou a realizar o cultivo de algumas espécies de plantas, e, também, o início da domesticação de alguns animais. Também neste período temos o fim das glaciações (períodos em que grandes porções do planeta Terra foram cobertas por gelo) e a Terra começou a adquirir as características que aparenta atualmente, como desertos e florestas densas, nas regiões temperadas.

É nesta época que o homem começa a abandonar as cavernas, já que o clima do planeta se torna melhor, e começa a habitar as planícies. Isto foi possível, também, pelo uso do fogo para espantar animais, e, por possuíram armas mais sofisticadas, para abatê-los em caso de ataque. Tudo isso, associado ao início da agricultura, e da pecuária, fizeram com que a sociedade humana fosse gradativamente tornando-se sedentária (fixo, presa a determinada região), porém, este processo só é consolidado e concluído no período Neolítico.

A sociedade mesolítica aprimorou as tecnologias e as artes, com a introdução da figura humana em figuras, ainda nas cavernas, com o desenvolvimento de desenhos estilizados, com o aprimoramento de armas, e produção de instrumentos mais elaborados, facilitados, por exemplo, pelo advento da cerâmica, criada pelos homens mesolíticos.

Ou seja, o homem, pela primeira vez introduz sua própria figura nos desenhos e pinturas, que se tornaram cada vez mais estilizados, mais desenvolvidos, o que pode significar que, pela primeira vez, se via como parte da natureza que os cercava. E, assim, caminhou para o último período da Pré-História, que chamamos de Período Neolítico.

Período Neolítico – (8.000 – 4.000 a.C.)

Este é, certamente, o período mais complexo da Pré-História, porque é, também, o momento em que as coisas acontecem com maior rapidez, agilidade. É neste período que ocorre a sedentarização da população humana (não toda ela, já que alguns grupos continuaram nômades por milênios, mas, boa parte dela, a parte mais evoluída intelectualmente).

Tal sedentarização foi consequência das práticas agropastoris, ou seja, com o surgimento e desenvolvimento da agricultura e da pecuária, os povos perceberam que não era mais necessário caminhar por diversas regiões para buscar alimento. Podiam cultivá-lo ou cria-lo em apenas uma região, e, assim, fixaram-se em algumas regiões do mapa global. Geralmente essas regiões eram margens de grandes rios, que, com suas enchentes e secas periódicas, inundavam e esvaziavam as margens, deixando uma enorme camada de lodo, que deixava o solo rico, fértil, e propício à agricultura e à pecuária. A esse surto agropastoril, a essa sedentarização da espécie humana, dá-se o nome de Revolução Neolítica.

Esta revolução, por sua vez, fez com que diversas populações humanas se unissem em grupos cada vez maiores, já que, era necessária mais gente para cultivar e domesticar animais, do que simplesmente colher e caçar. Havia a necessidade de mais pessoas nos grupos e, então, cada vez mais surgiam, juntamente com as tecnologias necessárias ao desenvolvimento da agricultura, grupos maiores e mais complexos. Formaram-se, então, sociedades comunitárias, baseadas na cooperação entre todos os membros do grupo, e nas divisões de trabalho, ainda divididos de forma etária e sexual. Mais tarde, o ser humano começa a possui um senso de território.

Ou seja, começou a perceber que possuía um território, e que necessitava deste para produzir, juntamente com seu grupo, sua sociedade. Este pensamento ocasionou o surgimento das primeiras tribos, a fim de proteger os territórios e, também, a eleição para os primeiros chefes destas tribos. Em geral, eram escolhidos os homens mais velhos do grupo – percebemos, então, os primeiros sinais de submissão das mulheres ao sexo masculino, visto que, anteriormente as mulheres, geradoras da vida, eram respeitadas e admiradas por todos os homens, e, agora, não tinham o direito político de exercer a chefia de um grupo (houve exceções).

Novamente, há o aprimoramento de diversas tecnologias, como a invenção da roda, e a confecção de tecidos, além da construção de meios de transporte; também há o desenvolvimento das primeiras tecnologias para fins agropastoris, como os primitivos arados, que facilitaram a agricultura e a pecuária de tal modo, que há o aparecimento de excedentes.

Estes excedentes de produção (aquilo que não era consumido pela tribo), por sua vez, gerou a troca com outras tribos, o que, podemos dizer, gerou as primeiras atividades comerciais, o que chamamos de comércio. As populações produziam demais, não consumiam, e trocavam o que sobrava com outros povos, praticando a relação comercial. Também nesta época, os seres humanos aperfeiçoam sua arte, com pinturas figurativas e geométricas, e, além disso, esculturas de baixo-relevo. Temos o início do culto à natureza, aos antepassados, e à deusa da fertilidade. Assim sendo, é notável que tivemos uma evolução gradual e significante do pensamento religioso.

Em, cerca de, cinco mil anos antes de Cristo, o homem assimilou, agregou e desenvolveu o uso do cobre em suas atividades, e em seus instrumentos, como armas. Depois, aprendeu a fundir o cobre com o estanho, gerando, assim, o bronze. O bronze, mais resistente, substituiu o cobre, e, seu uso prosseguiu até o longínquo ano de 1.200 a.C. quando foi substituído pelo ferro. A este período, de desenvolvimento e manuseamento de metais, compreendido entre 4mil e 5mil anos a.C., damos o nome de Idade dos Metais. Todos os fatores ditos anteriormente, juntos, incitaram a fusão de inúmeras tribos, que, por sua vez, geraram as cidades-estados, e, após, os primeiros reinos.

Há a formação dos primeiros núcleos urbanos, em um processo conhecido como urbanização, e há também, uma reformulação político-administrativa destas cidades, que culminariam nas primeiras civilizações. Anteriormente sociedades comunitárias de produção agropastoril, as sociedades ingressaram em um regime em que as terras pertenciam ao Estado, e eram geridas por uma pessoa (os governantes, e, futuramente, os reis), e por uma aristocracia (classe dos nobres, dos privilegiados), o que provocou a ascensão de algumas pessoas em detrimento de outras, dando origem as classes e desigualdades sociais. Esse novo modo de produção, foi ocasionado pela necessidade de coordenação das atividades agrícolas e pastoris, já que havia excedente e necessidade de comercialização.

Também, pela necessidade de proteção, o que levou a eleição de chefes, e de pessoas para auxiliarem em seus trabalhos. Com as fusões das sociedades, os chefes tornaram-se gradativamente mais poderosos, e as aristocracias foram, também, ficando mais ricas. O sistema funcionava da seguinte forma: As terras pertenciam ao estado, e eram geridas pelos seus governantes, que controlavam a produção e o excedente.

O povo produzia, na terra, presos à ela (não podiam abandoná-la), reprimidos a um regime de servidão coletiva, e ficava com determinada parte do bolo. Enquanto a aristocracia, favorecida, ficava com a maior parte da produção. Tudo isso no que chamamos de modo de produção asiático. Chegamos, então, aos primeiros estados organizados, culminantes de diversos fatores, que vimos anteriormente, e ao fim da Pré-História. Os primeiros Estados foram o Egito e a Mesopotâmia, cuja primeira civilização (os sumérios) criou a escrita e iniciaram a Idade Antiga.

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