Publicidade

Acesso Restrito

Estados Unidos e o Destino Manifesto

Por: Marise Magalhães Olímpio

Autores:

Marise Magalhães Olímpio / Jorge Henrique Maia

 

RESUMO

Este artigo tem como objetivo apresentar como se deu, e se dá, a fundamentação na doutrina do “Destino Manifesto” para a ação intervencionista dos Estados Unidos. Seja ela realizada no início do século XIX, com a compra ou tomada de terras para sua expansão territorial, seja ela realizada ainda hoje, no século XXI, visando principalmente vantagens de cunho econômico.

Palavras-chave: Estados Unidos, Destino Manifesto, Expansão - Territorial, Intervenção Política - Militar.

INTRODUÇÃO

O ano era o de 1863. John Dunbar, um tenente da União, é condecorado por bravura durante a Guerra de Secessão. Seu desejo era conhecer a fronteira, antes que essa fosse engolida pela expansão. Foi mandado para um forte isolado na fronteira “selvagem” do Sioux. Dunbar enfrenta uma série de perigos e trava contatos com uma tribo indígena que inicialmente parece hostilizá-lo. À medida que os contatos entre ele e os índios aumentavam, ambos iam construindo um laço de amizade e respeito, e Dunbar visto inicialmente como um inimigo, passa a fazer parte da tribo. Agora não tinha apenas a companhia de seu cavalo Cisco, e de um lobo que rondava o forte, sempre à tarde.

Depois de uma caçada de búfalos da qual Dunbar participou com a tribo, sua percepção de luta e harmonia, seriam modificadas pelo resto de sua vida. Passou a viver na tribo, onde se casou e recebeu o nome de “Dança com Lobos”.

Esse épico vencedor de sete estatuetas da Academia de Artes de Hollywood, lançado em 1990, mostra o que realmente marcou os Estados Unidos no século XIX: a conquista do oeste. A fronteira americana se deslocou para essa direção através das centenas de milhares de pessoas que, deixando suas casas no leste ou vindo do exterior, foram ocupar as terras dessa região. A ocupação desta, porém não se limitou as fronteiras até então estabelecidas. Para isso, os EUA tiveram como base a doutrina do “Destino Manifesto”, de natureza expansionista, que tem sua essência no principio calvinista da predestinação absoluta pela qual “Deus escolhe seus eleitos”. Assim, adquiriram novas terras comprando-as, anexando-as ou tomando-as. Dentre estes territórios podemos citar os estados da Louisiana, Califórnia, Novo México, Arizona, Nevada, Utah e partes do Colorado, Cansas e Oklahoma.

Após a conclusão da expansão territorial estadunidense, para continuar mantendo sua hegemonia no mundo, eles passaram a intervir militarmente e politicamente em outros países cujo governo não lhes agradava. Durante a segunda metade do século XX estas aconteceram principalmente devido a disputa pela liderança mundial com a URSS. Com o fim desta, essas intervenções acabam tendo outro tipo de cunhagem ligada primordialmente a interesses econômicos. Como podemos perceber hoje em dia, nas intervenções realizadas na região do Oriente Médio.

Este artigo, assim, busca afirmar a fundamentação na doutrina do “Destino Manifesto” para todas a ações intervencionistas americanas, sejam elas realizadas no século XIX, ou no século XXI.

DESTINO MANIFESTO E O EXPANSIONISMO TERRITORIAL NORTE - AMERICANO

A expressão Destino Manifesto foi primeiramente utilizada por John L. O’Sullivan, num artigo escrito em 1839, mas só publicado em 1845. Neste era defendido que os EUA estavam destinados a realização dos melhores feitos e a manifestar para a humanidade a excelência dos princípios divinos, eles seriam a nação do progresso, da liberdade individual e do emancipação universal, e não haveriam dúvidas que no futuro seria a maior de todas. A partir deste, percebe-se a intenção de ampliação dos princípios americanos pelo mundo. Para Fernando Catroga[1], a expansão territorial dos Estados Unidos está muito fundamentada em seus preceitos religiosos, que teriam dado fundamentação para a teoria do Destino Manifesto. Desde o principio os EUA tiveram a crença em um Deus como um elemento unificador da nação, essa acabou se manifestando nos seus ritos e símbolos, como por exemplo, em discursos, inscrições em monumentos, em produções filatélicas e numismáticas, no culto sacrificial da pátria, dentre outras. Segundo o autor seriam quatro os fatores essenciais que fizeram com que essa crença surgisse e perdurasse ainda hoje: primeiro, nos EUA não existiram conflitos religiosos envolvendo a questão da laicidade, o que acabou prolongando a tradição religiosa puritana; segundo,
a importância do fomento da coesão, através de símbolos e ritos compartilhados, é muito forte numa sociedade sem raízes multi-seculares (ao contrário das européias), investimento que se traduziu na sacralização das instituições e dos fundadores, assim como em representações que suspendem o tempo, de modo a que a América apareça como uma Nação não sujeita a decadência, como se vivesse num perpetuo presente. [2]

É interessante observar aqui as diversas tradições que puderam incitar o exacerbado nacionalismo estadunidense, dentre elas estão o Dia de Ação de Graças ou Thanksgiving, oficializado em 03 de outubro de 1863 para a última quinta- feira do mês de novembro; o Columbus Day, um dos mitos que evoca o nascimento de um novo tempo que se anuncia para o povo estadunidense; feriados dedicados a relembrar personagens da história, como o Dia de Martin Luther King (terceira segunda-feira de janeiro), Dia do Presidente (terceira segunda-feira de fevereiro), Dia da Memória (última segunda-feira de maio), Dia da Independência (4 de julho) Dia dos Veteranos (11 de novembro), dentre outros; a utilização e disseminação da expressão “in God we trust”, que denota o caráter abrangente da crença num Deus provedor; o culto a Bandeira, um dos principais símbolos unificadores de uma Nação; dentre outras. Muitas destas tradições foram inventadas[3] justamente com esse objetivo, o de consolidar a nação, a partir da rememoração de datas e personagens importantes na sua constituição.

Catroga aponta como terceiro fator a hegemonia até agora inabalável ocupada pelos EUA no mundo e como quarto fator, a renovação demográfica, realizada pela chegada de imigrantes que têm os EUA como terra de prosperidade e liberdade.

Baseado na crença de ser uma nação escolhida por Deus e destinada a ser a maior de todas elas, foi que os EUA deram inicio a sua expansão territorial. Segundo Demetrio Magnoli[4], essa expansão amparou-se em quatro teorias: Noções de Segurança, Predestinação Geográfica, Difusão da Liberdade e Lei de Gravitação Político – Geográfica. Vamos agora discorrer um pouco sobre como estas ajudaram na aquisição de novos territórios.

Noções de Segurança

O Destino Manifesto teria tido como seu primeiro fator preponderante para a expansão do território americano as noções de segurança. Segundo estas a invasão de outros territórios próximos teriam como fundamentação a defesa do território em vista de uma suposta ameaça de invasão do seu. Assim, segundo Magnoli, a anexação da Louisiana, assim como o ataque ao Canadá, que não obteve sucesso foram justificadas por essas noções.

O primeiro episódio ocorre em 1803, quando Napoleão Bonaparte exige o território da Louisiana ao governo espanhol, localizado na América do Norte. Louisiana ocupava a região do lado oeste do Rio Mississipi, o porto de New Orleans que ficava próximo a sua foz era indispensável para a economia norte-americana. Desta forma os EUA, viu que a posse daquela região por Napoleão, tendo em vista o seu desejo expansionista, seria “uma ameaça aos direitos de comércio e á segurança de todo o interior do país” [5] . Assim, os EUA fizeram questão da aquisição daquela terra e acabaram comprando-a a França pela quantia de 15 milhões de dólares, foram incorporados então ao território americano mais 2.600.000 quilômetros quadrados de terra.

O segundo episódio citado pelo autor faz parte de uma guerra iniciada pelos EUA contra a Inglaterra em 1812, devido a desentendimentos gerados a partir do conflito entre Inglaterra e França, no qual os EUA declararam neutralidade. Alegou-se para a deflagração da guerra, a invasão de navios americanos por ingleses, estes estavam em busca de desertores, nestas buscas, porém acabavam levando não somente os desertores como também marinheiros americanos para trabalhos forçados, sendo que em 1812 já haviam 6.057 casos registrados nesse sentido [6]. Assim, os EUA invadem o sul do Canadá, porém a campanha foi um fracasso, e os ingleses acabaram tendo a oportunidade de ocupar parte de Detroit.

Predestinação Geográfica

A predestinação geográfica afirma que a fronteira de um país deve ser instaurada por um limite geográfico, como por exemplo, montanhas, um rio, etc. Este limite natural estaria predestinando o tamanho do território que determinada nação deveria ocupar. Porém esta fronteira, devido ao desejo expansionista, acaba sendo estabelecida pelo limite geográfico mais distante, no caso dos EUA, esse limite que era inicialmente os Montes Apalaches será posteriormente o Oceano Pacífico. Este termo, “predestinação geográfica”, surge inicialmente na França iluminista, “no século XVIII, funcionando como justificativa, a posteriori, dos limites do Estado nacional e principio organizador das relações com países vizinhos” [7]. Segundo Magnoli a anexação da Flórida e do Texas são exemplos de utilização deste fator do Destino Manifesto que foi somado ao fator de “Noções de Segurança”.

A anexação desses espaços deu-se principalmente pelo incentivo dado pelo Governo americano para a chamada “Marcha para o Oeste” responsável pelo povoamento do interior dos EUA. Os principais fatores motivadores para a ida destes para o oeste eram o baixo-custo das terras do governo e a fertilidade do solo. Porém cada vez mais estes adentravam o oeste. Em 1819 foi realizada a anexação de Oregon e da Flórida (pertencentes à Espanha) pelos EUA pelo valor de 5 milhões de dólares, valor o qual a Espanha devia à cidadãos norte-americanos [8].

Em 1945, o Texas, devido a um conflito com o governo mexicano, pediu o reconhecimento da sua Independência e sua anexação aos EUA. Este conflito deu-se devido a administração independente de S. F. Austin e do General Santa Anna, onde foram tomadas medidas que não tiveram o conhecimento, portanto nem o consentimento do governo do Texas. Dentre elas estavam a abolição da escravatura em território nacional e instituição de uma constituição centralista que suprimia com os particularismos e com as assembléias locais[9]. Assim, os EUA conseguiram ampliar ainda mais seu território e dar continuidade ao seu objetivo de levar sua fronteira até o Oceano Pacífico.

Difusão da Liberdade

Segundo Magnoli, a difusão da liberdade seria a extensão das instituições americanas para povos que não a haviam escolhido. “O Destino Manifesto (...) irá então adquirir as feições de um altruísmo civilizatório, sustentando a idéia de ação regeneradora destinada a conduzir os outros povos para a Nova Jerusalém”. Essa idéia de difusão de liberdade foi utilizada pela primeira vez pelo presidente Andrew Jackson para justificar a inclusão do Texas junto a União e posteriormente para a tomada dos estados da Califórnia, Novo México, Arizona, Nevada, Utah e partes do Colorado, Cansas e Oklahoma na Guerra contra o México que durou de 1846 à 1848.

Após a anexação do Texas, o próximo objetivo dos EUA seria a compra dos territórios de Novo México e Califórnia, esta ultima devida principalmente aos portos existentes no Pacífico. México se recusa a iniciar as negociações com os EUA e já sabendo do ataque ordenado pelo então presidente dos EUA, James K. Polk, se adianta e ataca uma patrulha americana que se encontrava a leste do Rio Grande, território ainda mexicano, porém os EUA se aproveitam dessa ocorrência alegando o “derramamento de sangue norte- americano em solo norte-americano”[10] e declara guerra ao México em 13 de maio de 1846. “A Guerra Mexicana, quaisquer que tenham sido seus princípios morais, foi a mais bem-sucedida de todas em que participaram os norte-americanos”[11]. Muito rapidamente os EUA foram invadindo o território mexicano e conquistando os espaços. Com a queda da cidade do México, o governo mexicano se viu obrigado a assinar um acordo com os EUA, no qual foi reconhecido o Rio Grande como a nova fronteira do México e foi cedido os territórios de Novo México e Califórnia, em troca, os EUA assumiram a dívida do México para com cidadãos americanos e pagou 15 milhões de dólares ao governo do México.

Lei de Gravitação Político – Geográfica

Última fase do expansionismo americano, esta se caracteriza pelo direito que os EUA julgam ter sobre as ilhas ou terras próximas ao seu Estado. O Destino Manifesto com a incorporação deste novo fator justificou as anexações do Alasca, do Havaí e das Filipinas, de Porto Rico. A compra do Alasca deu-se em 1967, por 7,2 milhões de dólares pela insistência de William Seward, então secretário americano. Inicialmente este foi muito criticado pela sua aquisição, porém ao se descobrirem as riquezas minerais existentes no território, este passou a atrair a ida de americanos para a região. Não se pode esquecer também o fator da segurança, afinal, um território tão próximo pertencente a sua principal rival no momento devido a Guerra Fria, deveria inspirar bastante receio.

As ilhas havaianas também suscitaram o desejo de anexação dos EUA. “Desde começos da década de 1800, as ilhas [havaianas] haviam sido visitadas por comerciantes, baleeiros e missionários norte-americanos” [12]. Os descendentes destes tornaram-se grandes produtores de cana - de - açúcar e desde o principio os EUA buscaram impor sua prioridade no comércio com as ilhas havaianas, até que em 1887, conseguem direitos exclusivos ao Porto de Pearl Harbor, mas, somente em 1898, a anexação é formalizada.

A anexação das Filipinas está ligada a Guerra que os EUA empreenderam contra a Espanha em prol da Independência de Cuba que ocorreu de abril a agosto de 1898. Durante esse período as Ilhas Filipinas também lutavam por sua independência, assim, não só foram ajudadas pelos americanos como também, ao final do processo, foram transformadas em suas colônias.

Podemos citar outros exemplos de territórios anexados como Porto Rico e Guam em 1898 e as Ilhas Virgens em 1916.

OS EUA E AS INTERVENÇÕES NAS AMÉRICAS

A ação imperialista dos EUA não é novidade perante o mundo, desde o século XIX, ainda no período das treze colônias, esse papel foi exercido em nome da “colonização heróica”. Através da doutrina do Destino Manifesto.

“Deus escolheu a América para que aqui se construísse a sede do paraíso terrestre, por isso, a causa da América será sempre justa e nada de mal jamais lhe será imputado. Os colonos são os verdadeiros herdeiros do povo eleito, pois prestavam a Santa Fé. Nossa missão é liderar os exércitos de luz em direção aos futuros milênios”[13] [grifo nosso]

Com a sua expansão territorial concluída, a nação americana começaria uma série de intervenções em vários países que se oponham ao seu projeto imperialista. Um sem-número de intervenções foram feitas na América Central e Latina. Quase todos os países dessa região sofreram intervenção americana ao longo de sua história. Alguns trazem as seqüelas até hoje. Em alguns casos essa intervenção aconteceu de forma direta, como na Nicarágua, onde os “marines” - grupo militar americano - ocupou o país entre 1909 e 1933.

No ano de 1933, os infantes da marinha norte-americana, finalmente, abandonaram o território nicaragüense. Segundo Amaru Portocarrero [14], este fato se explica pelos seguintes fatores: a impossibilidade de dominar o movimento guerrilheiro de Sandino; a conjuntura internacional (a pressão mundial e latino-americana contra a ocupação da Nicarágua, e a aproximação de uma guerra mundial que obrigava os Estados Unidos a resguardarem sua “zona de influência” latino-americana frente às pretensões expansionistas de outras potências imperiais, Alemanha e Japão especialmente); e, sobretudo, a existência, já, de um instrumento eficaz que facilitava o exército da dominação imperialista sem necessidade de uma ocupação direta - a Guarda Nacional, integrada por nicaragüenses, mas cuidadosamente estruturada por forças de ocupação.

Panamá, Honduras, Haiti, Guatemala, República Dominicana, Cuba, também sofreram intervenções dos EUA.

Durante o período da Guerra Fria, para impedir a expansão do socialismo aqui na América do Sul, financiaram uma série de ditaduras, no Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, dentre outros. No Brasil, após um curto governo nacionalista, que tentou fazer uma tímida reforma agrária e algumas nacionalizações, foi organizado um golpe militar em 1964, também com participação e supervisão da CIA, do departamento de informação do Pentágono, da embaixada americana dos EUA, na figura do embaixador Lincon Gordon.[15]

Os americanos estavam preparados para agir, caso algo desse errado com os militares brasileiros. O embaixador e o presidente americano trocavam informações sobre o golpe brasileiro. O embaixador dissera a Kennedy que a hipótese de um golpe militar estava no baralho. Opunha-se à idéia de se pensar na deposição de Jango como estratégia, mas desejava ter a carta à mão. Tiveram o seguinte diálogo:

“[Gordon] - Creio que uma de nossas tarefas mais importantes consiste em fortalecer a espinha militar. É preciso deixar claro, porém com discrição, que não somos necessariamente hostis a qualquer tipo de ação militar, contanto que fique claro o motivo.

- Contra a esquerda - cortou Kennedy

- Ele está entregando o país aos ...

- Comunistas - completou o presidente.”[16]

A atuação da CIA ajudou também a tirar do governo chileno o presidente Salvador Allende, em 1973, instalando no seu lugar o general Augusto Pinochet, que comandou o país de forma ditatorial até 1990, instalando uma das piores ditaduras na América.

Esse exemplo demonstra bem, como os EUA fazem os seus jogos políticos para manter sua hegemonia na região. A expansão territorial americana pode ter acabado, mas a intervenção em outros territórios continua. Essas intervenções encontram suas raízes nas ideologias que justificavam sua expansão no século XIX. E o resultado influência ainda hoje a geopolítica mundial.

A NOVA FACE DO DESTINO MANIFESTO

Quando George W. Bush assumiu a presidência dos EUA, tinha uma clara missão, resolver o problema energético da maior potência do mundo. Com reservas naturais – principalmente petrolíferas – limitadas, a solução seria buscar em outros países o recurso para suprir suas necessidades. O caminho escolhido para isso seria a realização de uma guerra. Mas faltava o motivo certo, ou melhor, o pretexto certo.

E esse pretexto veio com os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, onde morreram oficialmente quase 3000 pessoas[17]. Começaria devido a este episódio a ofensiva contra o terror, pela qual os EUA se tornavam o maior responsável. Pode-se perceber como os EUA tomaram a frente desta luta, afinal a disseminação da democracia e da liberdade continua sendo uma de suas tarefas predestinadas por Deus. Seu primeiro passo foi a invasão ao Afeganistão, em busca do líder do “Al qaeda”, Bin Laden, então responsável pelos atentados. A busca não teve sucesso. Mas por quê? Talvez porque para Bush, Bin Laden não lhe seja tão útil preso, afinal livre pode continuar realizando novas ameaças, fomentando medo e assim continuar movimentando cada vez mais a economia armamentista americana.

Seguindo com sua política de intervenções, o alvo seguinte tornou-se o Iraque. O pretexto utilizado seria o de que Saddam Husseim era um Ditador perverso e que estaria produzindo armas de “destruição em massa”. Porém por trás deste, esconde-se o fato de que “os Estados Unidos vivem uma séria crise econômica. O Iraque possui uma gigantesca reserva de petróleo. A apropriação criminosa destas reservas é necessária para dar um novo fôlego ao capitalismo estadunidense”[18]. O motivo real da invasão seria econômico, porém para a população americana e principalmente para os soldados estadunidenses o objetivo da invasão seria “Lutar pela liberdade da população Iraquiana” e para isso estavam muito bem armados, afinal movimentar a indústria armamentista está intrínseca nos objetivos de toda e qualquer guerra. Assim, os Eua, tiraram do poder o presidente iraquiano do poder e em seu lugar, impuseram uma Junta Governamental, formados por políticos iraquianos simpatizantes de suas ideologias. Porém, a reação da população civil está trazendo a tona o “fantasma” do Vietnã, devido ao grande número de soldados americanos mortos, sejam eles em atentados ou conflito direto.

Outras regiões, como o Irã e Arábia Saudita, no Oriente Médio; Coréia do Norte, na Ásia; e, Venezuela, na América do Sul, estariam na mira do império americano. Esta nova face do “Destino Manifesto”, não considera, porém o domínio territorial como meta, e sim o domínio econômico da região, e suas teorias, principalmente no que concerne a “difusão da liberdade”, continuam a serem utilizadas como pretexto da ação estadunidense.

CONCLUSÃO

Pudemos perceber a partir do exposto primeiramente como se deu a expansão territorial estadunidense apresentando como fundamentação o que Demetrio Magnoli diz ser os quatro fatores da doutrina do “Destino Manifesto”: Noções de Segurança, Predestinação Geográfica, Difusão da Liberdade e Lei de Gravitação Político – Geográfica.

Num segundo momento procuramos mostrar como esses fatores também foram utilizados como justificativa para intervenção em outros paises durante a chamada “Guerra Fria” (1945 – 1991), e ainda pudemos perceber que este discurso é utilizado ainda hoje pelos EUA quanto invadem algum país do Oriente Médio.

Porém por trás desse desejo de propagar a liberdade e a democracia estão diferentes interesses. Primeiramente foi o aumento do tamanho territorial estadunidense, posteriormente a detenção do avanço do comunismo e por último o domínio sobre áreas ricas em petróleo.

Bom, depois do exposto seria possível prever quais serão as próximas ações estadunidenses? Temos visto uma grande preocupação da imprensa em difamar os governos de Hugo Chaves na Venezuela e Kim Jong-il na Coréia do Norte chamando-os de “ditaduras”. Percebe-se assim que o motivo para invasão já está sendo fabricado, seria o mesmo de todas as outras, propagar a liberdade e a democracia, mas que interesses estariam implícitos? No caso da Venezuela o interesse no seu território rico em petróleo, no caso da Coréia do Norte impedir que outro país tenha armas nucleares ameaçando assim, sua hegemonia militar mundial. Cabe a nós ficarmos atentos ao que nos é dito e tentar combater esse domínio que cada vez mais os estadunidenses acreditam ter do mundo.

BIBLIOGRAFIA

CALIL, Gilberto. A ocupação do Iraque: A pirataria como resposta à crise dos Estados Unidos. In: http://www.unioeste.br/projetos/observatorio/texto_iraque.asp. 17/12/2006. 17/12/2006.

CATROGA, Fernando. Nação Mito e Rito: Religião Civil e Comemoracionismo (EUA, França e Portugal). Fortaleza: Edições: NUDOC/Museu do Ceará, 2005.

GASPARI, Elio. A Ditadura envergonhada. São Paulo: Cia das Letras, 2002

HOBSBAWN, Eric; RANGER, Terence. A Invenção das Tradições. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984.

MAGNOLI, Demétrio. O Corpo da Pátria: Imaginação geográfica e política externa do Brasil (1808-1912). São Paulo: Moderna, 1997.

MAY, Henry; MCMILLEN, Neil R.; SELLERS, Charles. Uma reavaliação da História dos Estados Unidos: de Colônia a Potencial Imperial. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1990.

OLIVEIRA, Lucas Kerr de. Democracia Terrorista. In: http://www.geopolitica.pop.com.br/dem.htm. 17/12/2006.

PORTOCARRERO, Amaru Barahoma. Brev

Participação: 1 Comentários

Avaliação:

  • Atualmente /5

Se você quer comentar também Clique aqui

Compartilhe ou guarde este conteúdo

Mais Matérias de História Geral

Resolução mínima de 800x600. Copyright © 2014 Rede Omnia - Todos os direitos reservados.
Proibida a reprodução total ou parcial sem prévia autorização (Inciso I do Artigo 29 Lei 9.610/98).

R7 Educação