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Reflexões sobre o Urbano e o Rural

Por: Jones Godinho

Os estudos na área da geografia e da sociologia nos tempos atuais permitem uma pergunta: onde está o limite entre o urbano e o rural? Talvez espera-se uma única e simplista resposta, mas percebe-se que a interrogação é muito mais complexa.

Desde a Antiguidade, quando as condições políticas e sociais influenciaram a divisão sócio-espacial do trabalho, originando o fenômeno rural e o urbano por meio do exercício das diferentes formas de produção, as quais favoreceram o desenvolvimento do capitalismo, definir os limites, a partir de então, tornou-se um problema.

Existem algumas concepções em relação à cidade e o campo: a cidade é compreendida como a sede do trabalho intelectual, de organização das atividades políticas e administrativas, da elaboração do conhecimento científico, da idéia de civilização, urbanização, de aglomeração demográfica, onde uma parcela significativa da população está envolvida em atividades secundárias e terciárias e, da diversidade de ocupação industrial; a cidade representa uma condição social em que, teoricamente, é possível superar a precariedade, pois considera a conquista de melhores condições materiais decorrentes de um alto nível de produção e produtividade, técnica e cultural.

Quanto ao campo, o mesmo é visto como sinônimo de atrasado, ultrapassado, imóvel no tempo, rude, como uma vida de privação, onde a sobrevivência só é possível com muito trabalho, o qual oferece o mínimo necessário para viver, sendo definido como uma área de dispersão demográfica, dando lugar às atividades primárias, principalmente agropecuárias.

O conceito de cidade e campo confunde-se com o urbano e o rural. A cidade, vista como área da centralidade administrativa e territorial, onde se fabrica, origina o conceito de urbano, estende-se para além dela, não restringindo-se a um território fixo, mas passa s ser visto como um modo de vida, um estilo de vida, onde se propagam, costumes e hábitos urbanos, os quais influenciam, por meio dos instrumentos de comunicação e transporte, o meio rural. Dessa forma, o modo de vida urbano alcança os limites geográficos dos interesses e ações existentes na cidade, dos investimentos efetuados no campo.

O rural, atualmente desenvolvendo atividades múltiplas além das primárias, passou a ser visto como uma questão territorial, onde o uso do solo e as atividades da população residente no campo se vinculam à várias atividades terciárias, sendo compreendido como não-urbano, ou seja, o que não pertence à cidade.

A discussão em torno desta problemática, evidencia o processo de mecanização e qualificação do campo, o qual serve e abastece a cidade de seus produtos. Os costumes rurais não são os mesmos do passado. As mudanças na forma de produção, de vestir, do falar, no administrar o campo, seguem os ditames da cidade, pois acredita-se que de lá é que vem o conhecimento, como mencionado anteriormente. O campo está sofrendo um processo de urbanização. Sendo assim, rural e urbano se confundem, se completam e interdependem-se, pois um não existiria sem o outro.

Ainda na cidade, famílias ou pessoas procuram cultivar hábitos rurais, tidos como mais saudáveis, de produzir alguns produtos para consumo próprio em jardins, terraços e sacadas. Isso reflete o desejo de estar próximo da natureza, buscando uma melhora nas condições de vida e de saúde, ingerindo alimentos sem agrotóxicos.

Mas, com o avanço da urbanização, percebe-se que ela é uma moeda de dois lados: de um lado vê-se o aprimoramento das técnicas, das condições de vida, dos atrativos culturais; de outro, vê-se a precariedade das favelas, a chaga do desemprego, da marginalidade. Mas, sabe-se que tudo tem um preço a ser pago, pois vive-se sobre a certeza de que as pessoas não voltariam para o campo sem eletricidade e outros confortos.

Bibliografia

ENDLICH, Ângela Maria. Perspectivas sobre o urbano e o rural. In: ENDLICH, Ângela Maria, SPOSITO, Maria E. B. e WHITACKER, Arthur M. Cidade e Campo: relações entre urbano e rural. São Paulo: Expressão Popular, 2006. pp 11-31.

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