Por: PEDRO ALVARES DOS REIS
O entendimento do mundo dava-se através de uma narrativa mítica transmitida de geração em geração, sem se permitir questionar, ou buscar uma justificativa, pois a aceitação do indivíduo ocorria através daquilo que se entendia por sobrenatural, por misterioso, por mágico e sagrado.
A partir do século VI a.C os gregos passam a pensar de forma particular, buscando entender o mundo que os cercam. Enquanto os demais povos buscavam o entendimento do mundo conforme a descrição acima, os gregos buscavam nas próprias coisas naturais a explicação do mundo natural.
Surge então a filosofia e o pensamento filosófico, que não aceita como verdade as coisas da vida cotidiana, passa a indagar as crenças e busca resposta naquilo que é proposto como verdade inquestionável. O pensamento filosófico parte daquilo que existe, crítica e coloca em dúvida, abrindo novas possibilidades. O pensamento filosófico tende a racionalidade, a oferecer respostas conclusivas para os problemas e a recusar explicações preestabelecidas.
Ao longo do tempo, certas áreas do pensamento filosófico como a matemática, a biologia e a física, ganham tal especificidade que se separaram da filosofia.
A ciência e o pensamento científico, que procuram as estruturas universais das coisas investigadas, originam-se com a filosofia na Grécia antiga. O pensamento científico baseia-se na qualidade teórica, o que desqualifica qualquer outra forma de conhecimento.
O pensamento científico busca compreender a realidade através da racionalidade e do conhecimento sistemático, levando em conta as relações universais entre os diversos fenômenos, o que leva a possibilidade de prever novos acontecimentos.
Em oposição ao pensamento científico existe o senso comum. O senso comum parte de uma confiança da maioria, que acredita que a experiência de vida leva a construção do conhecimento, baseado nos êxitos que julgam acumular na medida em que enfrentam os problemas do cotidiano.
Fruto dos sentidos, dos hábitos, dos desejos e da imaginação, e condicionado a aceitação passiva de valores, o senso comum é capaz de transformar crenças em doutrinas inquestionáveis,
A ciência, contudo, entende que para que possa haver um conhecimento racional e válido, é preciso romper com este tipo de conhecimento vulgar, com esta chamada sociologia espontânea.
REFERÊNCIAS BIBIOGRÁFICAS:
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 9.ed. São Paulo: Editora Ática, 1997.
MARCONDES, Danilo. Iniciação à História da Filosofia: dos pré-socrásticos a Wittgenstein. 5.ed. Rio de Janeiro: Editora Jorge Zahar Editor, 2000.
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de Filosofia. 2.ed. São Paulo: Editora Moderna, 2001.
TRINDADE, Antonio Alberto. Ciência e Senso Comum: uma reflexão ilustrada por comentários sobre o filme “O Carteiro e o Poeta”. Pró Ciência. São Paulo, 29 de julho de 2001. Disponível em:< http://www.espacoacademico.com.br/025/25ctrindade.htm>. Acesso em 28 fev. 2008.
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