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O método socrático

Por: Saulo Maurício Silva Lobo

CENTRO DE ESTUDOS DO COMPORTAMENTO HUMANO – CENESCH
SAULO MAURÍCIO
O MÉTODO SOCRÁTICO


Trabalho apresentado à profª Vílian Costa na disciplina Metodologia da Pesquisa em Filosofia como avaliação parcial do 1º período do curso de Filosofia.


INTRODUÇÃO

Quando se estuda filosofia nas faculdades, e muitas vezes em outros cursos ou até mesmo fora dos ambientes universitários, muito se ouve falar sobre Sócrates. Seus diálogos são constantemente citados, não raro como lições de moral.

Entretanto, corre-se um sério risco de fazer de sua filosofia cópias ou imitações. Por isso, ao longo deste trabalho percorremos um caminho de análise do método de Sócrates. Procuraremos, então, perceber suas intenções ao seguir determinado caminho em detrimento de outros.

Assim, observando-o com um olhar mais acurado, poderemos haurir de sua obra, algo mais que meros diálogos com fundo moral, aproximando-nos um pouco mais do Sócrates histórico e do que ele quis fazer em seu tempo.

O MÉTODO SOCRÁTICO

Sócrates nada de escrito deixou para que a posteridade pudesse conhecer seu pensamento. O que se sabe a respeito dele vem de discípulos e admiradores, que o exaltam (principalmente Platão e Xenofonte) ou de adversários, que o satirizam (principalmente Aristófanes). Quem mais nos fala sobre ele é mesmo Platão, seu discípulo, que narra os diálogos de seu mestre pelas ruas e praças de Atenas. É até difícil distinguir o que é pensamento de Sócrates do que é teoria de Platão na boca de Sócrates. Para ter mais segurança, é sempre bom comparar as diversas fontes para se chegar pelo menos mais próximo do Sócrates histórico.

Sócrates era um homem público e simples. É assim que acontecem as narrativas de Platão, nos diálogos cotidianos de seu mestre com interlocutores diversos. Como Sócrates não cobrava por seu ofício, conversava com pessoas de qualquer classe sócio-econômica. No entanto, não conversava sobre qualquer coisa, mas só sobre um assunto sobre o qual quisesse demonstrar a ignorância do interlocutor a respeito. Sua “filosofia de vida” é o que estava escrito no Oráculo de Delfos: “Conhece-te a ti mesmo”. A partir daí, ele sempre confessava a própria ignorância: “Só sei que nada sei”. Assim, confessando-se ignorante a respeito dos assuntos que os outros se julgavam sábios, era ele mesmo, Sócrates o mais sábio, pois os outros, julgando saber, na verdade não sabiam; ele, ao contrário, reconhecia isso.

Em seus diálogos, o reconhecimento da própria ignorância era parte essencial para se chegar à apreensão da Idéia e à construção dos conceitos. Era necessário mostrar a seus interlocutores o quanto estavam errados em seus “pré-conceitos” e “pré-juízos”. Num primeiro momento, Sócrates fazia a sondagem daquilo que se pretendia saber em relação ao assunto em questão. Através de perguntas Sócrates conduzia o diálogo até o ponto em que o outro ficava embaraçado por ver seus conceitos serem derrubados um a um. Essa é a ironia socrática, que Kierkergaard reconhece ser mesmo Sócrates o iniciador na história do pensamento. Ao contrário do conceito atual de ironia, na etimologia ela significa pergunta. Era justamente isso que Sócrates fazia com o homem de Atenas.

A segunda etapa do método de Sócrates consiste na construção de conceitos novos a partir das cinzas dos antigos que foram destruídos. É a maiêutica. Esse nome é derivado e em homenagem à profissão de sua mãe, que era parteira. Sócrates queria exatamente isto: que a alma de seus discípulos parisse as idéias, posto que elas já estavam todas lá. Esse inatismo socrático se justifica na teoria da reminiscência. Para Sócrates, a alma antes de encarnar estava em contemplação do belo, do bem e da verdade suprema. Lá, no hiperurâneo, o mundo das idéias (ou mundo inteligível) a alma já tinha o conhecimento perfeito. Para atingir esse conhecimento aqui na terra era preciso superar os sentidos que nos sugerem apenas o mundo sensível e fazer a alma recordar as idéias das quais já tinha conhecimento no mundo das Idéias e nas encarnações anteriores. Assim, através de seus diálogos mostrava a ignorância de seus interlocutores para em seguida mostrar-lhes a verdade que pretendiam possuir. Isso era a filosofia para Sócrates.

A filosofia é, pois, mais que uma doutrina. É um guia e caminha certo para se sair da ignorância e do erro. É a luz para mostrar as coisas como o são, para abrir os olhos do “sábio” ao Bem, ao Belo, à Verdade. Considerando, assim, a ignorância como vício e o conhecimento como virtude, pode-se acusar de intelectualista a ética socrática. Entretanto, deve-se ter em mente que Sócrates amava sua cidade e queria era preparar seus discípulos para a vida da Pólis na política. Não queria formar homens sábios segundo o conceito sofista, mas filósofos que realmente fosse capazes de bem conduzir a própria vida e a vida da pólis.

CONCLUSÃO

Ao se analisar mais de perto e com um olhar mais acurado a obra de Sócrates – se e que se pode chamá-la obra – pode-se perceber que o que Sócrates queria para si e para seus discípulos e interlocutores diversos era a descoberta da Verdade. Não possuí-la e agir como se a possuísse, pretendendo saber o que não se sabe era ignorância. A filosofia vinha, então, para reparar o vício da ignorância e, assim, restabelecer à alma da pessoa a virtude que contemplava antes, recordando-lhe a ciência, que é justamente o conhecimento da Verdade, saindo das trevas da caverna do erro e da presunção.

Isso não deixou se incomodar muita gente. Pois, ensinando isso aos jovens, Sócrates foi acusado de corromper a juventude, pois contrariava a orDem vigente. Ele era, aliás, uma contradição para a sociedade de sua época, a começar por sua aparência física que ia bem de encontro ao ideal de beleza apolínica. Entretanto, mesmo condenado injustamente, ele manteve-se coerente e fiel: a si, as suas idéias, a seus discípulos e mesmo à sua cidade, que tanto amava.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

COTRIM, Gilberto. Fundamento da Filosofia: ser, saber e fazer. 14a. ed. São Paulo: Saraiva, 1999.
GHEDIN, Evandro. A filosofia e o Filosofar. São Paulo: Unilitras, 2003.

OBRAS CONSULTADAS

ABAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. 4 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
FOLSCHEID, Dominique; WUNEMBURGER, Jean-Jacques. Metodologia filosófica.
LEÃO, Emmanuel Carneiro. Aprender a pensar – vol II. 2 ed. Petrópolis: Vozes, 2000.

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