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As origens do pensamento grego

Por: Anderson Rodrigo de Oliveira

Para entendermos o surgimento da filosofia, se faz necessário a história de formação da Grécia, onde nasceu a ‘amizade pelo saber’ (pela sabedoria).

Já o começo do livro trata dos povos presentes às margens do Mar Mediterrâneo. A Grécia, dividida em três partes, era povoada por diversos tipos de povos descendentes dos aqueus.

Com o domínio do cavalo por esses povos, ofensivamente as cidades vão se desenvolvendo cada qual com sua peculiaridade: as cidades-estados. Tróia, uma das cidades-estados, conhecida por ser ‘rica em cavalos’ e pelos seus tecidos, é das mais prósperas cidades da vizinhança grega. Tal fama com seus cavalos e tecidos chama a atenção dos aqueus viventes na Grécia. Essa rivalidade entre Tróia e os povos aqueus gerou a chamada epopéia escrita por Homero. Com isso tem-se início a criação da “Mitologia Grega”.

Pela Mitologia, o povo grego buscava dar respostas às coisas existentes de forma mítica. Assim, as atitudes dos deuses gregos refletiam em muito nas atitudes dos homens. Os deuses influenciavam em tudo na vida dos povos.

As cidades crescem. As populações aumentam. A vida social nas cidades gregas centraliza-se em torno do trono do palácio, onde se vê desempenhar, ao mesmo tempo, os poderes religiosos, político, administrativo, militar e econômico. E’ o rei quem concentra e unifica em sua pessoa todos os elementos do poder. Por isso, o capítulo dois trata da civilização de Creta-Micenas, que alcança um desenvolvimento grande em muitos dos âmbitos da vida das cidades.

A administração real passa a regulamentar a distribuição, intercâmbio e a distribuição dos bens. Tudo passa pelo palácio. Instala-se a Economia Palaciana. Contrapondo à vida nas cidades (pólis), a vida rural grega fica dispersa nas aldeias. Os trabalhos são coordenados por grupos de vizinhos.

Uma outra classe também se destaca: a dos guerreiros. A população passa a ser dividida em classes. Vê-se na vida palaciana uma grande divisão de tarefas e de classes, mas o problema não está, porém, na oposição da realeza burocrática ao de uma monarquia feudalista, mas em destacar os traços que definem e implicam num tipo de soberania que não sobreviverá na Grécia com a queda dos aqueus.

A proximidade dos aqueus com o povo hitita – caracterizado por ser um povo guerreiro – mostra-se ser muito proveitosa, dando um destaque maior quanto à divisão do mundo miscênico para com o mundo cretense. O papel militar torna-se de caráter defensivo. Dessa forma, quer-se defender o tesouro real acumulado e controlar as reservas.

A monarquia grega respaldava-se no sistema palaciano porque este lhes concedia notável poder. O desenvolvimento manufatureiro e o da vida agrícola grega ganham mais força. O acúmulo das riquezas na Grécia passa a chamar a atenção dos povos circunvizinhos. Com a invasão dos dórios, todo o conjunto de desenvolvimento alcançado pela Grécia é destruído.

Isso é apenas o início da decadência da nobreza grega. Em Creta nasce uma nova política cívica mantida pelos ‘metalúrgicos do bronze’. Nesse momento, os termos antes muito conhecidos, caem em desuso e são substituídos por outros. Por exemplo: o termo ánax (a pessoa do rei) é substituído por basileus. Agora, tanto as comunidades de aldeia quanto a aristocracia guerreira, detêm certos privilégios de genos e certos monopólios religiosos.

A cidade então se centraliza na Ágora: espaço publica onde se debatem os problemas de interesse de toda a população da pólis. Tal quadro urbano acaba por refletir também no espaço mental, fazendo-se descobrir um novo horizonte espiritual.

As relações entre os homens e suas vidas sociais sofrem uma verdadeira intervenção. A palavra não é mais a forma mais correta. O debate de contradições, a discussão e a argumentação ganham um espaço cada vez maior para o desenvolvimento do raciocínio do cidadão da pólis. Vãos surgindo os chamados “filósofos” que querem uma resposta para várias indagações. Porém, não se satisfazem com as respostas dadas pelos mitos de Homero.

Todas as questões de interesse geral tinham como função a regularização e definição da arché. Entretanto, a arte da política torna-se o exercício essencial e eficaz através das funções de cada individuo na pólis. Outra característica está no anúncio das manifestações mais importantes da vida da sociedade.

A palavra, que formava na vida da pólis o instrumento da vida política, passa a ser escrita, fornecendo, intelectualmente, a maneira de cultura comum e permitindo uma completa divulgação dos conhecimentos antes reservados ou proibidos. Ao lado dos textos de Hesíodo e Homero, a formação da palavra política dá base para a chamada paidéia (educação) grega.

Com tanto desenvolvimento, vemos, como primeiros testemunhos, as relações do espírito grego com algumas matérias do Direito. A legislação é marcada pela questão do homicídio deixar de ser uma questão particular e privada, mas algo se prestar contas para a sociedade. O homicídio não é mais considerado impuro apenas no âmbito de parentesco, mas no âmbito de toda a comunidade.

Outra mudança muito grande está na esfera da economia. Aparecem fenômenos de importância experimental pelo contato com os povos do oriente e pelo fracasso e queda do império de Creta-Micenas.

A preocupação dos pensadores passa a voltar-se ao cosmos humano. Assim, podemos notar que o fervor religioso não contribuiu tão somente para o nascimento do Direito. Tal ebulição também ajudou na reflexão e orientação das especulações políticas e na queda dos mitos. Os pensadores já não mais aceitavam respostas míticas para a explicação dos cosmos. A areté (virtude) é fruto de uma longa e penosa ascese, de uma disciplina dura e severa, empregando um controle vigilante do indivíduo a si próprio.

O homem passa a querer decifrar o mundo. Surgem as grandes questões em torno da origem do mundo: ‘O que é o mundo? De que é feito? Quem criou o mundo? Quem é o responsável pela ordem no mundo?’. Dessa forma, a primeira filosofia tende mais a aproximar-se de uma construção mítica da origem do mundo que de uma resposta científica.

A física jônica ignora tudo o que se diz sobre experimentação. Ela transpõe abstratamente a concepção de mundo elaborada pela mitologia (religião). Os mitos cosmogônicos ganham mais credibilidade com a cosmologia. Os mitos são interrogados: como o cosmos (a ordem) pode surgir do caos?

Essa teogonia passa a ser cada vez mais refutada e, passo a passo, a filosofia primeira – chamada de phýsis (natureza) – tenta encontrar respostas que no mundo não existia. Cansados das respostas míticas, os homens da Grécia vão buscar respostas neles mesmos. Daí começa-se a nascer uma valorização pelo racional.

Destacam-se os três primeiros filósofos dessa fase da phýsis: Tales (de Mileto), que diz a responsável pela vida é a água e que todos os corpos são formados por água – uma teoria não tão estranha para nós nos dias de hoje –, Anaximandro (discípulo de Tales), que dizia que a água não formava sozinha o mundo, mas se associava à terra, ao fogo e ao ar, e Anaxímenes que dizia ser o ar (o ilimitado, o ápeiron) o elemento vivificante das coisas.

Contudo, cada vez mais a razão humana vai ganhando destaque. Já não mais se aceitam respostas sem um conteúdo racional, não pensado antes, não refletido e experimentado. Com tudo isso, a filosofia vai abrindo caminhos para muitas outras ciências irem sendo desenvolvidas e, conseqüentemente, vai se desenvolvendo o pensamento humano. Mais tarde, a partir de Sócrates, a questão sai do âmbito cosmológico e passa para o âmbito antropológico. O homem torna-se centro dos estudos filosóficos, mas ainda com resquícios dos pensadores da phýsis.

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