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As Confissões de Santo Agostinho - Resumo do Livro X

Por: Luiz Augusto Guimarães Gomes

Agostinho quer conhecer a Deus, porque sabe que por Deus é conhecido. Diante desta realidade quer fazer a experiencia de Deus, pois sente que é amado. Isso o leva a confessar a Deus suas misérias e a deparar-se com o que lhe desagrada. Por isso quer renunciar a si mesmo para somente estar com Deus. Sabe também que o que confessa a Deus por ele é conhecido. Porém, que finalidade tem para os homens conhecerem as suas confissões e que benefícios isso pode acarretar? Agostinho questiona, mas a resposta está que a caridade crê em tudo, mesmo não podendo provar que fala a verdade. Aqueles, porém, que o ouvem, creêm, porque os ouvidos foram abertos pela caridade. Os frutos de suas confissões são colhidos, não do que foi, mas do que é. Nesta ótica Agostinho fala da ignorância do homem que desconhece até o que nele habita; percebe no outro mas não percebe em si mesmo. De uma coisa Agostinho tem certeza: ele ama a Deus e por causa desse amor quer encontrar resposta para a pergunta: “Quem é Deus?” Por isso, contempla a criação em busca de respostas. Continua a sua busca e agora se pergunta: “Quem és tu?” Um homem, é o que responde; sabe que até mesmo o homem é criado por Deus.

Agostinho começa a perceber que somente no interior (alma) encontrará a Deus e que estará diante dele. Esse encontro, porém, se dá vencendo as forças exteriores, que é a força da sua natureza.

Santo Agostinho se depara com uma nova indagação: Que amo, então, quando amo a meu Deus? Sente-se interiormente pequeno diante de Deus, pois, como ele mesmo diz, está acima de sua alma. Sabe, porém, que somente a alma pode levá-lo à intimidade com o Altíssimo. Seus sentidos devem convergir para o Senhor, experimentando assim uma comunhão cada vez maior.

Somente vencendo sua natureza, ou seja, mortificando-se, poderá estar subindo os degraus até o seu Criador. Cada envolvimento que Santo Agostinho tem com o Senhor ele vai se conhecendo e descobrindo novas maneiras de estar cada vez mais próximo de Deus.

Agora chega aos vastos campos da memória, a qual considera um pálacio onde encontram-se os tesouros de inúmeras imagens e lembranças trazidas por percepções e também pelos sentidos. Esse relacionamento que Santo Agostinho trava com a memória, coloca diante daquilo que ele realmente é, ou seja, começa a se conhecer. Suas limitações, suas qualidades e defeitos estão todas diante dele, e reconhece, no entanto, que não é capaz de compreender inteiramente a si mesmo.

Agostinho se enche de admieração e espanto quando fica diante de uma realidade: Os homens buscam conhecer grandes lugares, mas esquecem de si mesmo.

A viagem pelos campos vastos do palácio da memória o faz encontrar com os seus afetos e sentimentos. Recordou-se de ter experimentado momentos alegres e tristes, de ter sentido medo, de desejos antigos e sofrimentos físicos e eis que suas emoções também veêm a tona. Coisas que considerava terem caído no esquecimento se encontram agora diante dele; isso o faz pensar no que significa esquecer e ao mesmo tempo lembrar-se novamente. Agostinho começa a refletir e a perceber que o fato de esquecer-se não significa que determinada realidade não esteja presente na sua vida. Diante disso ele afirma que o esquecimento não é senão falta de memória. Agostinho quer compreender a natureza da memória e como isso se realiza; constata nesse momento sua limitação e uma aproximação maior de si ao dizer:”Todavia que há mais perto de mim do que eu mesmo?” Cada vez que Agostinho reflete, percebe ainda mais a complexidade desse mecanismo chamado memória e argumenta o que de fato ele Agostinho é, e qual a sua natureza. Para Agostinho a memória é algo que lhe provoca admiração, devido a sua imensa amplidão e que o faz vê-la como a campos, antros e inúmeras cavernas e cheias também de incontáveis coisas, tais como os afetos da alma. Discorrendo sobre esse mundo interior que é a memória não consegue, portanto, encontrar-lhe os limites. Embora a memória não possua limites para chegar a Deus, Agostinho percebe que deve transcender a razão humana para relacionar-se afetivamente com Deus. No entanto, uma dúvida paira sobre ele, pois onde irá encontrar a Deus? Sem uso da memória como o poderá encontrar? Para que se encontre algo é preciso antes de tudo ter conhecimento do que se procura e ao encontrar, reconhecê-lo. Há muitas coisas que desaparecem de nossas vistas mas não de nossa memória. Mas quando uma lembrança é esquecida, é a própria memória que possibilita sua recordação. Não é possível resgatar de nenhum modo uma lembrança perdida se seu esquecimento fosse completo.

Santo Agostinho agora associa a busca de Deus à felicidade. Procurar a Deus é conduzir sua vida interior à vivência dessa felicidade, algo que é desejado por todos sem exceção. A felicidade é conhecida de todos e isso não aconteceria se a memória não tivesse em si essa realidade, expressa por essa palavra. A felicidade não é algo que possa ser experimentada pelos sentidos; ela precisa ser amada e desejada para que, quem procura, seja de fato feliz. A verdadeira felicidade só pode ser experimentada, no entendimento de Agostinho, por alguém que serve a Deus por puro amor.

Agostinho diz que nem todos desejam ser felizes, pois não buscam a alegria que vem de Deus que é, portanto, a única felicidade. Aquele, porém que busca a verdadeira alegria, busca viver na verdade, pois a felicidade provém da verdade. Encontrar a verdade é encontrar a Deus; que é a própria verdade e quando se aprende a conhecê-la, nunca mais a esquece. Porém, onde é a habitação de Deus? Agostinho não está somente em busca de encontrar a Deus; quer agora saber onde ele habita, onde em sua memória Deus criou um esconderijo, onde Deus edificou o seu santuário, dando-lhe a honra de aí residir. Agostinho, no entanto, compreende que tal busca não é importante, porque sabe, que Deus habita em sua consciência e que cada vez que pensar no Senhor se aproximará dele. O encontro com o Senhor possibilita Santo Agostinho a querer conhecê-lo, mas esse encontro foi iniciado pelo próprio Deus que levou Agostinho a ir a sua procura. Toda a busca de Agostinho por Deus, foi através da razão querendo encontrar respostas; não obstante, quando voltou sua atenção para o seu interior, sua surdez foi vencida, sua cegueira afugentada e respirou o perfume divino. Saboreou a presença de Deus e agora o deseja ainda mais; sentiu o toque de Deus e o desejo de paz o inflamou. Diante de suas misérias e limitações experimenta a misericórdia divina e deposita toda a sua esperança naquele que é a fonte de todos os dons. Agostinho vê surgir todas as suas paixões, os prazeres pelos sentidos, a curiosidade muitas vezes disfarçada com o nome de conhecimento, o orgulho que denomina como miséria desprezível, e que tantas vezes era acometido por tentações em tréguas. Os louvores dos homens, eram para Agostinho, como uma fornalha onde todos os dias era posto à prova. A vanglória era para ele uma tentação perigosa, filha do amor aos louvores e do execesso de vaidade. Da mesma forma o amor-próprio, que busca reconhecimento naquilo que não conquistou. O esforço que Santo Agostinho empregou para esse encontro com Deus, possibilitou-o a uma contemplação de sua vida e de todo o auxílio que de Deus recebeu, mesmo reconhecendo suas fraquezas de pecador. Deus é a luz de sua existência que conduziu a reconhecer as mentiras em que estava envolvido. Aqueles que buscavam o caminho para deus através da ciência tiveram seus corações inchados pela soberba como afirma Santo Agostinho. No entanto, o único mediador entre Deus e os homens é Jesus, que abraçou todo o projeto de rendeção e no qual Agostinho afirma colocar todas as suas esperanças para se ver curado de todas as sua feridas.

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