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Uma professora muito maluquinha: A arte de ensinar

Por: Aline Ribeiro Rodrigues

Resumo

Uma professora muito maluquinha (PM) de Ziraldo Alves Pinto é uma obra de Literatura Infanto Juvenil, sendo assim, o autor utiliza uma linguagem simples.

O foco principal desse artigo é traçar comentários acerca dos métodos da jovem professora para despertar o gosto pela leitura em seus alunos e sua prática pedagógica, baseados em Howard Gardner, Jussara Hoffmann, Pedro Demo e Rubem Alves.

Abstract

The title A Very little Crazy Teacher (Uma professora muito maluquinha – PM -in Portuguese) from Ziraldo Alves Pinto is a book of Children and Youth Literature, and so the author uses simple language. The main focus of this paper is to draw comments on the methods of the young teacher to awaken a taste for reading in their students and her teaching, based on Howard Gardner, Jussara Hoffmann, Pedro Demo and Rubem Alves.

Palavras-Chave: Professora Maluquinha; Ziraldo; Prática Pedagógica; Leitura.

Key words: Crazy Teacher; Ziraldo; Pedagogic Practice; Reading.

Considerações iniciais

Ao ler a obra Uma professora muito maluquinha (PM), percebe-se que por trás da história o autor aborda o tema do prazer e o incentivo à leitura. Na 4ª capa do livro (2ª edição, março de 2010), Ziraldo afirma que estudar é muito importante, mas que já viveu o bastante para afirmar que ler é muito mais importante que estudar, deixando claro que esse é um dos temas abordados na obra.

Com um olhar mais profundo, de educador, nota-se a intenção do autor em trabalhar a prática pedagógica. A Professora Maluquinha incentiva seus alunos à leitura. Para despertar o gosto pela mesma, utiliza vários métodos. No decorrer da leitura observa-se que os dois temas estão interligados.

A leitura desta obra é muito prazerosa, tanto do ponto de vista infanto-juvenil, quanto do educador e até mesmo para os adultos.

1. Biografia do autor

Ziraldo Alves Pinto é um cartunista, chargista, pintor, dramaturgo, escritor, cronista, desenhista e jornalista brasileiro. É criador de personagens famosos, como O Menino Maluquinho, e, atualmente, um dos mais conhecidos e aclamados escritores infantis do Brasil.

Nasceu no ano de 1932, em Caratinga, Minas Gerais.

Em 1960 publicou seu primeiro livro infantil: Flicts, que relata a história de uma cor que não encontrava seu lugar no mundo. Nesse livro, usou o máximo de cores e o mínimo de palavras.

A partir de 1979, passou a dedicar mais tempo à sua antiga paixão: escrever histórias para crianças. Nesse ano, publicou O Planeta Lilás, um poema de amor ao livro, em que mostra que ele é maior que o Universo, pois cabe inteirinho dentro de suas páginas.

Em 1980, na Bienal do Livro de São Paulo, recebeu sua maior consagração como autor infantil, com o lançamento de O Menino Maluquinho. Esse livro se transformou no maior sucesso editorial da feira e ganhou o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro, em São Paulo. O Menino Maluquinho virou um verdadeiro símbolo do menino nacional.

Sua arte faz parte do nosso cotidiano e pode ser identificada em logotipos famosos, ilustrações de livros e revistas, caixinhas de fósforos, que viraram itens de colecionadores, cartazes da Feira da Providência (no Rio) e do Ministério da Educação, centenas de camisetas e símbolos de campanhas públicas ou privadas. Ele está sempre envolvido em novos projetos.

Ziraldo está inserido no Movimento Pós-Modernista que vai de 1945 até hoje.

Em 1945, terminou a Segunda Guerra Mundial e foi o início da Era Atômica. Mais tarde, foi publicada a Declaração dos Direitos do Homem. Logo depois, teve inicio a Guerra Fria.

No Brasil, ocorre o fim da ditadura de Getúlio Vargas e inicia-se a redemocratização brasileira. Convocam-se eleições gerais, os candidatos apresentam-se, os partidos são legalizados, sem exceção. Logo depois, começa um tempo de perseguições políticas, ilegalidades e exílios.

Na literatura brasileira surgem características que se diferem do Modernismo após a década de 50.

Os escritores que apareceram após a fase dinâmica do Modernismo são chamados, de alguns anos para cá, de “Geração de 45”.

As principais características desse estilo são: intensificação do ludismo na criação literária, utilização deliberada da intertextualidade, ecletismo estilístico, exercício da metalinguagem, fragmentarismo textual, na narrativa há uma autoconsciência e auto-reflexão, radicalização de posições antirracionalistas e antiburguesas.

Algumas características do movimento presentes na obra são: o ludismo, linguagem simples e com desvios da norma culta: “Ele já era mesmo muito velhinho, tadinho...” (PM, 2010: 90). Ao invés de escrever coitadinho, escreveu tadinho, como falamos no dia a dia. Também há intertextualidade, na p. 113 (PM, 2010), onde o autor inseriu uma citação de Tom Jobim: “É impossível ser feliz sozinho”. Outra característica é a história ser narrada por cinco personagens.

2. A obra

2.1 Visão Geral

A obra Uma professora muito maluquinha (PM) foi publicada em 1995 pela Editora Melhoramentos, quando Ziraldo comemorava o 15º ano de convivência com a mesma.

A ideia de escrever o livro surgiu quando professoras pediram para que o autor transformasse em livros suas ideias sobre a arte de ler e escrever e sobre as lembranças de uma professora que abriu seus olhos para o mundo.

Segundo Ziraldo (PM, 2010: 119) o livro já estava pronto em sua cabeça e gavetas fazia bastante tempo, só faltava a forma, o jeito de escrever a história. Em abril de 1995 ele estava em Maputo, capital de Moçambique quando no meio da noite veio a resposta. Escreveu o livro todo naquela noite, mas só chegou ao texto definitivo em maio, já no Brasil. Faltando um pouco mais de um mês da data prevista para o lançamento do livro o autor entrou em pânico porque ele não sabe desenhar moça bonita, somente homens narigudos e mulheres boazudas[1], já que é um caricaturista. Pensou: não vai ter livro. Já estava em desespero quando a campainha tocou e entrou a Tereza de Paula Penna, irmã do Alceu Penna [2]. Vinha com o sobrinho e trazia mais de cem ilustrações de seu irmão, além de vários álbuns encadernados com suas páginas de O Cruzeiro. Quando Ziraldo abriu a primeira página de um dos álbuns, a professora estava lá. O autor aprecia tanto as obras do Alceu Penna, que segundo ele sua Professora Maluquinha, é uma Garota do Alceu, pois ninguém pintou mulheres mais bonitas e parecidas com a mulher que nós sonhamos que as brasileiras são.

A obra apresenta uma história narrada por cinco personagens: Athos, Porthos, Aramis, Dartagnan e Ana Maria Barcellos Pereira, alunos da Professora Maluquinha. Eles narram episódios que vivenciaram com a jovem.

Ziraldo busca aproximar sua obra a um conto de fadas, convidando o leitor a entrar no seu mundo imaginário, como no inicio da história: “Era uma vez uma professora maluquinha” (PM, 2010:5). No desenrolar do texto, ele vai alimentando esta fantasia e para reforçar as virtudes da protagonista utiliza um recurso muito convincente: as imagens. O recurso das imagens é explorado a cada página, misturando-se imagens e letras para que um complemente o outro, como por exemplo, no trecho: “Ela era uma professora inimaginável” (PM, 2010:11). Depois do texto há um desenho da Professora Maluquinha e a palavra “imagina.” Outro exemplo: os narradores contam como foi a primeira chamada e o autor ilustra esse momento (PM: 2010:23). A distribuição da escrita e das imagens apresenta a intencionalidade do autor, pois o texto localiza-se posicionado no rodapé ou na parte superior da página, enquanto as imagens estão no centro, dando a possibilidade de uma leitura mais emocionante com o olhar passando pela página, permitindo que o leitor leia e visualize as imagens, e assim tenha uma ideia mais real da história.

Todas as personagens do livro são ilustradas: o Padre Velho, o Padreco, os cinco narradores, os trinta e três alunos, enfim, a obra é toda ilustrada, desde as personagens até os locais da cidade. Há a descrição em texto e em imagem:

“A cidade onde a professorinha vivia era assim: tinha a pracinha, a matriz e o cemitério no alto do morro; tinha o Padre Velho (que era tio dela) e o Padreco (que foi um menino que o Padre Velho criou); tinha as beatas e as solteironas (que davam notícias da cidade inteira). (...) tinha o cinema e o velho dono do cinema sentado na porta lendo seu jornal; tinha o colégio das irmãs (onde ela havia estudado para professora) e o ginásio municipal.

(PM, 2010: 14)

Após a descrição em texto, há a ilustração de todo o cenário, inclusive, o velho dono do cinema sentado na porta lendo seu jornal (PM, 2010: 15).

No decorrer da obra, ao descrever a Professora Maluquinha, o autor diz: “em nossa imaginação...” Na verdade é na imaginação dos narradores, pois com as imagens contidas no livro o leitor fica impedido de imaginar outra figura, já que lhe é apresentada uma forma para a personagem. Quando ele diz que a professora tinha estrelas no lugar do olhar (PM, 2010: 7) e apresenta-nos uma jovem com estrelas nos olhos, afirma que é assim que ela era, não permitindo outra interpretação ou imagem dela. Conforme o autor (PM, 2010), ela é assim na imaginação dos seus alunos (narradores da história) e já está construída na obra, desde os penteados, os gestos, o sorriso, os olhares, com pedaços de desenhos do Alceu Penna. Nas pgs. 8 e 9 (PM, 2010) têm uma descrição da Professora Maluquinha, mas claro que é na imaginação de quem narra: “Tinha voz e jeito de sereia e vento o tempo todo nos cabelos (na nossa imaginação)”. Se não houvesse imagens o leitor poderia imaginar uma professora loira ou negra, baixa ou alta, magra ou gorda. Cada leitor imaginaria o seu modelo ideal de professora.

As ilustrações que retratam a Professora Maluquinha são desenhos do Alceu Penna. As carinhas dos alunos, das pgs. 16 e 17 (PM, 2010) foram tiradas de ilustrações e anúncios de revistas da década de 1940, como O Tico-Tico, O Gibi, Era uma vez, Eu Sei Tudo, etc. A capa da Careta (PM, 2010: 28) é uma ilustração do José Carlos de Brito [3] e o desenho da p. 57 (PM, 2010) é do Millôr Fernandes [4]. Ziraldo utilizou desenhos de pessoas que admirava para ilustrar o livro.

Existe uma relação entre a obra e a vida do autor. A história se passa em meados da década de 1940 em uma cidade do interior, cujo nome não é citado, mas pelas características apresentadas, supõe-se que seja a cidade de Caratinga em Minas Gerais, onde concluiu o Científico (atual Ensino Médio). As palavras utilizadas no Jogo da Forca (PM, 2010: 27), são as mesmas que ele brincava na época do grupo escolar e garante que enforcou muito coleguinha e hoje não pegaria mais ninguém com pterodáctilo, porque os dinossauros estão na moda. Mas, diz que pegaria muita gente com istmo. Outra passagem do livro relacionada com sua vida é o código alfabético utilizado pela Professora Maluquinha (PM, 2010: 111). O alfabeto existiu, foi inventado pela sua mãe. Observa-se mais uma vez a subjetividade do autor na obra.

2.2. A prática pedagógica da Professora Maluquinha

Segundo Rubem Alves (1995) um professor é como um pinheiro: ele nasce em qualquer lugar e em grandes quantidades, porém ao ser cortado não deixa marca nenhuma... No entanto, um educador é como um carvalho, leva muito tempo para ficar pronto e mesmo que seja cortado, suas raízes são tão profundas que jamais será substituído. A Professora Maluquinha é uma educadora que deixou raízes tão profundas, que seus alunos resolveram contar sua história e no final do livro agradecem à vida pela professora inesquecível que tiveram, o que para eles foi um privilégio.

Ziraldo transportou o tempo e o espaço didático pedagógico, pois levou o Construtivismo para a sala de aula na década de 40, período pós Segunda Guerra Mundial. Demonstrou conhecimento pedagógico, mesmo não sendo da área da educação, e fica explícito que ele vê o educador como um mediador do conhecimento. No livro, a professorinha é mediadora do conhecimento: “não é que ela soubesse tudo, não sabia (PM, 2010: 60). Ela não sabia tudo, mas com suas aulas dinâmicas lançava o desafio e auxiliava os alunos na busca dos resultados.

A jovem professora conseguiu responsabilizar os alunos pela disciplina na sala de aula através de um tribunal. Juntos, eles criaram as regras de convivência coletiva e quando alguém as desrespeitava, convocava-se um aluno para acusação, outro para defesa, um para juiz e os demais para júri, e assim decidiam se o acusado era culpado ou inocente. Com este procedimento, ela ensinava os alunos a exercitarem a cidadania na elaboração de regras de convivência coletiva, trabalhava a comunicação oral, produção de texto na defesa escrita, relacionamento interpessoal e responsabilidade.

Como diz o ditado: qualquer semelhança é mera coincidência. Em Portugal, existe a Escola da Ponte que utilizava o tribunal como forma de manter a disciplina dos alunos em sala de aula, muito parecido com o tribunal citado na obra. Rubem Alves apaixonou-se por essa escola, devido às metodologias utilizadas na mesma:

“Eu me encontrava num estado de perplexidade. Como explicar aquilo que eu via acontecendo? Ninguém falando alto, nenhuma professora pedindo silêncio, todos trabalhando, a música clássica. (...) Perguntei à menina: “Mas vocês não tem alunos agressivos, indisciplinados, que gritam e perturbam a ordem?”“ Temos. Mas para isso temos o tribunal de alunos. Quando um menino ou menina se comporta de maneira a perturbar a ordem nos termos que nós mesmos estabelecemos, o tribunal entra em ação e providências disciplinares são tomadas.” (...) Uma escola onde os professores não são responsáveis pela disciplina. E nem o diretor é a instância punitiva última, para onde são enviados os desordeiros. É a comunidade das crianças que cuida disso.”

(ALVES, 2005: 52)

Em 2001, Rubem Alves voltou à Escola da Ponte e o tribunal não existia mais. Fora abolido pela assembléia. Percebeu-se que ele era uma instância de punição e não de recuperação. Hoje, há uma comissão de ajuda. Quando algum aluno começa a apresentar problemas de comportamento, essa comissão se adianta e nomeia colegas para ajudá-lo com a missão de estar sempre por perto do aluno. E, quando se percebe que ele vai fazer algo inadequado, os colegas entram em ação para tentar dissuadi-lo.

Com esse fato, conclui-se que um educador deve ser criativo e avaliar a sua própria prática pedagógica, porque muitas vezes, determinados procedimentos dão com uma turma e com outra não, portanto eles devem ser aperfeiçoados ou até mesmo abolidos.

A tecnologia já estava presente nas aulas da Professora Maluquinha, quando ela faz uso da máquina com as poesias, demonstrando o conhecimento que possui e da necessidade de aproximar sua prática pedagógica a realidade dos alunos, e ensiná-los a fazer bom uso dessa tecnologia. Pedro Demo diz:

“Temos com a tecnologia uma relação sui generis. Mesmo sendo meio e criatura nossa, ela acaba se impondo como fator decisivo de mudança, por ser ao mesmo tempo, resultado e promotor de mudança. (...) Não se trata de simplesmente aplaudir tais transformações. Ao contrário, do ponto de vista educacional, há sempre que sopesar do que se trata ao final. Crescentemente, processos de aprendizagem se envolvem com novas tecnologias, obrigando as instituições educacionais e a pedagogia a se reverem radicalmente.” (DEMO, 2009: 5 e 6)

Ou seja, a tecnologia está presente na realidade dos alunos, mas não basta apenas usá-la, tem que conhecê-la para fazer um bom uso.

“A escola e seus professores não podem comparecer neste cenário (novas tecnologias) como mera resistência, tanto porque é inútil (computador e internet vieram para ficar), quanto porque se perde oportunidade decisiva. Não cabe o determinismo tecnológico, porque sociedade e tecnologia se condicionam reciprocamente. Mas é preciso perceber o andar dos tempos. Como educação insiste em afirmar que está à frente dos tempos, seria de se esperar que não se esconda em velharias, como é o atual instrucionismo vigente. Papel decisivo detém o professor: a qualidade de sua aprendizagem é condição decisiva da qualidade da aprendizagem do aluno. Ele precisa, mas que de críticas, de oportunidade tecnológica.”

(DEMO, 2010: Disponível em: ).

Na obra, não é retratado o uso de computadores, IPods, MP3, entre outras tecnologias, porque na década de 40 essas tecnologias ainda não estavam tão presentes no Brasil, mas a Professora Maluquinha lançava mão do que dispunha na época e usava da melhor forma possível. Uma passagem do livro conta que apesar dos filmes demorarem anos para chegarem até a cidadezinha, um dia chegou Cleópatra, a Rainha do Nilo. A jovem levou os alunos ao cinema para o assistirem e durante semanas só falaram nele, e os próprios alunos afirmaram que estavam conhecendo mais História Universal do que todas as coisas escritas no livro adotado pela escola. Utilizando das tecnologias ela conseguiu que os alunos lessem e gostassem de poesia e que aprendessem um pouco sobre História Universal.

Há uma preocupação didática, onde o autor apresenta a aula adequada e a postura ideal de uma professora que consegue agradar e ensinar, porque ela tem uma habilidade necessária para o ofício do professor: a arte de despertar o interesse e prender a atenção dos alunos, que com muita facilidade absorvem o conteúdo e adquirem o conhecimento.

Desenvolver o prazer pela leitura era possível graças à diversidade de gêneros textuais que os alunos da professorinha tinham contato: “É que a gente ficava vendo nossas revistinhas, nossos Ticos-Ticos e gibis. Já tinha menino lendo até Tarzan ou Espírito, além de outras revistas que ela mesma trazia de casa para nos emprestar” (PM, 2010: 44). Eles liam diversos textos sem nenhuma cobrança ou teste após a leitura.

Conteúdos desconectados da realidade do aluno e sem significados são desinteressantes e difíceis de assimilar. A professora da obra ensinava História e Geografia contextualizando com a vida, assim ficava mais fácil de aprender: “(...) ninguém pode ir aos lugares dos seus sonhos sem saber onde eles ficam e a história que tem” (PM, 2010: 60).

Ao organizar a excursão ao ginásio para o Padre Velho falar sobre História para os alunos (PM, 2010: 61), mais uma vez ela valorizou a diversidade, demonstrando respeito pelo idoso, imputando-lhe sabedoria adquirida nos seus muitos anos de vida.

A Professora Maluquinha não aplicava prova para os alunos, pois acreditava que todos tinham condições de passar de ano: “Antes que o ano terminasse, ela procurou a diretora e falou com segurança: “Com as minhas crianças não vai ser preciso fazer provas. Todas têm condições de passar de ano”.” (PM, 2010: 92). Ela não fazia uma prova conteudista, avaliava continuamente. Essa avaliação está de acordo com Jussara Hoffmann (2006). Em seu livro Avaliação Mediadora , no qual ela cita uma experiência feita por professores de uma Escola Municipal de Porto Alegre, onde eles aboliram a prática de realização de provas pelas crianças com dias marcados, realizando, ao invés disso, várias tarefas menores e sucessivas para serem analisadas pelo professores, sem a preocupação de atribuir notas ou conceitos a essas tarefas, analisando o desenvolvimento dos alunos ao longo do processo. Esse procedimento está no dia a dia da Professora Maluquinha. Ela incentiva seus alunos a lerem, utilizando vários métodos e no dia em que a Ana Maria diz: “Professora onde a gente pode ler mais sobre isso?” (PM, 2010: 66), ela fica tão feliz e diz que isso era tudo que ela queria ouvir. Não foi através de provas, que ela conseguiu o progresso de seus alunos. Acompanhou o processo de aprendizagem e por esse motivo o resultado foi tão satisfatório. 

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