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Resenha: A Teoria de Ensino de Bruner

Por: Marcos Fernandes Sobrinho

Esta resenha refere-se ao capítulo 05, constante da obra Teorias de Aprendizagem, intitulado A Teoria de Ensino de Bruner, organizada pelo professor Marco Antônio Moreira, publicada em 1999, em São Paulo (SP), pela Editora Pedagógica e Universitária.

O referido livro texto, em seu capítulo 05 aborda a teoria de Jerome Bruner (1969, 1973 e 1976), professor de Psicologia e Diretor do Centro de Estudos Cognitivos da Universidade de Harvard e fornece ao leitor uma visão geral e incompleta dela, bem como suas implicações ao ensino e à aprendizagem.

Bruner, considerado o mais conhecido por ter dito que "é possível ensinar qualquer assunto, de uma maneira intelectualmente honesta, a qualquer criança em qualquer estágio de desenvolvimento" (1969,73, 76), do que por qualquer outro aspecto de sua teoria, desde que se levasse em conta as diversas etapas do desenvolvimento intelectual. Logo, a tarefa de ensinar determinado assunto a uma criança, é a de representar a estrutura deste em termos da visualização que a criança tem das coisas. Aqui o que é relevante em determinada matéria a ser ensinada é sua estrutura.

Ao ensinar, Bruner destaca o processo da descoberta, através da exploração de alternativas, e o currículo em espiral, capaz de oportunizar ao aprendiz rever os tópicos de diferentes níveis de profundidade. Segundo Bruner, "o ambiente ou conteúdos de ensino têm que ser percebidos pelo aprendiz em termos de problemas, relações e lacunas que ele deve preencher, a fim de que a aprendizagem seja considerada significante e relevante.

A idéia de desenvolvimento intelectual ocupa um lugar fundamental na teoria de Bruner. O desenvolvimento intelectual caracteriza-se:

a) Por independência crescente da resposta em relação à natureza imediata do estímulo;

b) O desenvolvimento intelectual baseia-se em absorver eventos, em um sistema de armazenamento que corresponde ao meio ambiente;

c) O desenvolvimento intelectual é caracterizado por crescente capacidade para lidar com alternativas simultaneamente, atender a várias seqüências ao mesmo tempo, e distribuir tempo e atenção, de maneira apropriada, a todas essas demandas múltiplas.

Bruner distingue três modos de representação do mundo pelos quais passa o indivíduo: a representação ativa, a representação icônica e a representação simbólica.

Tira-se desses três modos de representação que os indivíduos passam por três estágios de processamento e representação de informações: manuseio e ação, organização perceptiva e imagens, e pela utilização de símbolos. Segundo Bruner, não são exatamente "estágios", e sim fases internas do desenvolvimento.

O autor argumenta que:

“as teorias psicológicas de aprendizagem e desenvolvimento são descritivas, enquanto que uma temia de ensino deve, além de levar em conta tais teorias, ser prescritiva. Deve principalmente concentrar-se em como otimizar a aprendizagem, facilitar a transferência ou a recuperação de informações. Deve também estabelecer regras concernentes à melhor maneira de obter conhecimentos e técnicas.”

Quatro são as características distintas e principais de uma teoria de ensino, quais sejam:

a) Deve apontar as experiências mais efetivas para implantar em um indivíduo a predisposição para a aprendizagem;

b) Deve especificar como deve ser estruturado um conjunto de conhecimentos, para melhor ser apreendido pelo estudante;

c) Deve citar qual a sequência mais eficiente para apresentar as matérias a serem estudadas;

d) Deve deter-se na natureza e na aplicação dos prêmios e punições, no processo dc aprendizagem e ensino.

Bruner concentra sua atenção na predisposição para explorar alternativas. Partindo da premissa que o estudo e a resolução de problemas baseiam-se na exploração de alternativas, propõe que a instrução deverá facilitar e ordenar tal processo por parte do aluno.

Três são fatores envolvidos no processo de exploração de alternativas: ativação, manutenção e direção. As instruções devem ser dadas de modo a explorar alternativas que levem à solução do problema ou à descoberta.

Apresenta quatro razões para ensinar a estrutura de uma disciplina:

a) Entender os fundamentos torna a matéria mais compreensível.

b) A segunda razão relaciona-se com a memória humana. Uma boa teoria é veículo não apenas para a compreensão de um fenômeno, como também para sua rememoração futura.

c) Uma compreensão de princípios e idéias fundamentais, como já se observou anteriormente, parece ser o principal caminho para uma adequada transferência de aprendizagem.

d) Pelo reexame constante do que estiver sendo ensinado nas escolas, em seu caráter fundamental, é possível diminuir a distância entre o conhecimento avançado e o conhecimento elementar.

A estrutura de uma matéria apresenta, segundo Bruner, três características fundamentais, todas inerentes à habilidade do estudante para dominar o assunto:

- forma da representação utilizada

- economia

- potência efetiva

A questão da seqüência, na aprendizagem, parece ser intuitiva para grande maioria dos que lidam com o ensino. Aqui a diferença entre Bruner e outros autores, refere-se ao fato de que ele formaliza a questão, e a coloca em termos operacional.

Bruner não encara o reforço da mesma maneira como ele é visto numa abordagem comportamentalista. Do ponto de vista behaviorista, o reforço tem um papel fundamental, pois o comportamento é modificado por conseqüências recompensadoras ou punitivas. Para Skinner, por exemplo, não é a presença do estímulo ou da resposta que leva à aprendizagem, mas sim a presença das contingências de reforço.

Bruner, por sua vez, refere-se ao reforço no sentido de que a aprendizagem depende do conhecimento de resultados, no momento e no local em que ele pode ser utilizado para correção. A instrução aumenta a oportunidade do conhecimento corretivo.
Relacionando desenvolvimento intelectual, ensino e professor, Bruner propõe que:

"O desenvolvimento intelectual baseia-se numa interação sistemática e contingente, entre um professor e um aluno, na qual o professor, amplamente equipado com técnicas anteriormente inventadas, ensina a criança."

Bruner destaca também o papel da linguagem no ensino:

"O ensino é altamente facilitado por meio da linguagem que acaba sendo não apenas o meio de comunicação, mas o instrumento que o estudante pode usar para ordenar o meio ambiente."

O texto dá ao leitor uma visão sumária do posicionamento de Bruner quanto ao desenvolvimento intelectual e ao processo instrucional. Bruner é também um dos autores da chamada "revolução cognitiva", se aceitarmos que a Psicologia Cognitiva "nasceu" em um encontro realizado no M.I.T., em 1956, do qual, além dele, participaram Noam Chomsky, George Miller, Herbert Simon e alguns outros nomes muito conhecidos na área.

Aqui, o "cognitivismo de Bruner" ficou quase que restrito aos modos de representação pelos quais o sujeito passa ao longo de seu desenvolvimento intelectual - ativo, icônico e simbólico - nos quais percebe-se uma clara influência piagetiana. Aliás, na prática, nos meios educacionais, Bruner é conhecido por estes modos representacionais e por termos como currículo em espiral e aprendizagem por descoberta.

Ao adotar esta "psicologia ideal", Bruner critica sua própria vi­são piagetiana anterior, na qual a criança é um construtor "solista" ­que constrói em níveis cada vez mais elevados de representação - e, pagando tributo a Lev Vygotsky, reconhece que a criança raramente constrói por si só, mas sim através de uma intencionalidade compartilhada: tudo o que "entra" na consciência é o que foi "acordado" interpessoalmente; somente aquilo a que a criança pode assegurar "concordância compartilhada" torna-se parte de sua representação do mundo. Sem dúvida, uma visão vygotskyana.

O texto, objeto desta resenha, embora propositalmente superficial, é importante na medida em que possibilita ao professor, durante sua caminhada pedagógica, uma reflexão acerca desta temática, o que nos permite recomendar sua leitura.

RESENHA
- Título: A Teoria de Ensino de Bruner
- Identificação: A Teoria de Ensino de Bruner – Capítulo 05 do Livro de Texto Teorias de Aprendizagem.
- Referência: MOREIRA, M. A. Teorias de Aprendizagem. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária, 1999.

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