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Relações Humanas: Homossexualidade nas Escolas

Por: carla mirella moisés do nascimento arrais ribeiro

Existe uma profunda necessidade de repensarmos nossos conhecimentos sobre as relações humanas da sociedade atual, particularmente falando da homossexualidade, que se define pela propensão do individuo ter atração afetiva e sexual por pessoas do mesmo sexo, esse estimulo possui respostas incompletas dadas pela ciência e pela psicanálise, respostas que mesmo incompletas ajudam na ocorrência de mudanças rápidas na consciência e na opinião das pessoas.

Ao considerar a sexualidade como construção social, a iniciação sexual deixa de ser um ato meramente individual, psicológico ou biológico para ser um fato social. Tais questões trazem à discussão os direitos sexuais, tão importantes como os direitos civis, políticos e sociais, porém, compreendidos de forma errônea, estão baseados no reconhecimento da livre e responsável decisão, relativos a sexualidade, apoiadas nos direitos humanos, ou seja, a partir de uma perspectiva de igualdade e equidade sociais.

Em um tempo remoto a homossexualidade era considerada como doença ou até mesmo como desvio de caráter, claro que ainda nos deparamos com esse tipo de pensamento, de acordo com Freud: “A heterossexualidade de um homem não se conformará com nenhuma homossexualidade e vice-versa.” (2006, v.23, p.260), a atual estrutura e organização da população impõe, se não a aceitação, o respeito à livre escolha individual. Estamos em um momento de transição de opiniões, e que vem se tornando notório a todos, hoje é comum vermos casais homossexuais nas ruas, em bares, festas, cinemas, e a cada dia que passa essa liberdade se torna maior, mostrando que a sociedade esta mudando de acordo com as aceitações das atuais relações humanas.

Ainda não é possível falarmos de homossexualismo sem citarmos outro termo bem conhecido: o preconceito. Palavra que segundo o dicionário Aurélio significa: idéia preconcebida; suspeita, intolerância, aversão a outras raças, credos, religiões; significado que nos faz pensar se realmente esta palavra é utilizada corretamente, se for, temos consciência de todos esses sentimentos mesquinhos quando estamos sendo preconceituosos, seja para homossexuais, seja para a sociedade? Essa pergunta é de extrema importância e deveria ser feita sempre que fossemos formar opinião ou juízo critico sobre alguém.

Os preconceitos de uma sociedade são extremamente difíceis de serem irradiados, mesmo quando a legislação apóia a integração de seus diferentes grupos. Atualmente, esse termo indica, na maioria dos casos, uma atitude desfavorável ou hostil para com pessoas que pertencem a um grupo social que não seja o seu, baseia-se em estereótipos. A integração pode levar ao rápido desaparecimento dos preconceitos, segundo a teoria de que o contato prolongado entre as pessoas destrói os estereótipos. Existem provas de que a mistura entre membros de diferentes grupos sociais ou étnicos pode reduzir o preconceito, método que pode ser usado em diferentes esferas da sociedade, como por exemplo, nas escolas, na família, no comércio, enfim, na sociedade em geral.

Segundo Freud, “(...) na tenra infância, existem sinais de atividade corporal a que somente um antigo preconceito poderia negar o nome de sexual (...) – tais como a fixação a objetos específicos, o ciúme, e assim por diante.” (2006, v.23, p.165-166).
Freud escreve: “Descobriu-se ainda, entretanto, que esses fenômenos que surgem na tenra infância fazem parte de um curso ordenado de desenvolvimento, chegando a um clímax por volta do final do quinto ano de idade, após o qual segue-se uma acalmia.” (2006, v.23, p.166).

É preciso assinalar que até os cinco anos de idade a criança esta sendo pré-moldada sexualmente e psicologicamente, é nesta fase que os pais possuem a responsabilidade de evitar a contaminação pelo preconceito, algo que não pode ser disseminado, mas pode ser minimizado pela instrução dada, condução que não ocorre como deveria, por exemplo, quando os pais proíbem seus filhos de brincar com crianças do sexo oposto, ou quando menino não pode brincar com a boneca porque ficará afeminado, a menina não pode jogar futebol, sem citar os preconceitos de raça e classe social. Esse tipo de comportamento contribui para uma má formação da personalidade e do caráter da criança, que irá se refletir na escola, onde ela terá sua primeira vivencia social, encontrando assim o momento mais propicio para manifestar o preconceito adquirido no início da infância.

Aprendemos a viver em sociedade e para a sociedade na escola, é nela que o aluno conhece seus direitos e deveres, manifesta suas opiniões, aceita as diferenças do outro, e o professor é o mediador de todo esse conhecimento que está sendo construído, e se necessário trabalha para modificá-lo, ato que não será fácil, pois a criança já tem sua idéia formada, herdada da criação e educação dos pais. Existem inúmeras dificuldades para se trabalhar em sala de aula a orientação sexual, uma delas é o constrangimento de alguns alunos diante de assuntos reprimidos pela sociedade, causando conflitos entre a escola e os pais, estes muitas vezes desinformados, julgam e descriminam precocemente a disciplina, criando obstáculos.

A capacitação dos professores e as ações educativas nas escolas, desde a infância e principalmente na pré-adolescência e adolescência, são importantes para favorecer o fortalecimento da educação sexual, tendo como alvo principal a desmistificação de assuntos ligados ao homossexualismo e lesbianismo, não esquecendo que é fundamental o estudo e a compreensão das inter-relações dos fatores sociais, políticos, econômicos e culturais, assim, potencializando a possibilidade de relações humanas mais igualitárias.

É preciso que questões relacionadas à orientação sexual sejam priorizadas na formação e capacitação dos profissionais da educação, pois o preconceito e a desinformação andam juntos.

BIBLIOGRAFIA

FREUD, Sigmund. Moises e o Monoteísmo, Esboço e Psicanálise e outros trabalhos. (1937-1939). Volume XXIII. Rio de janeiro; Imago editora, 2006.
Homossexualidade na escola ainda é matéria polêmica. Disponível em: . Acesso em:16.04.2009.
SANTOS, Anderson. Homossexualidade na escola. Disponível em: . Acesso em: 16.04.2009.
REDIVO, Mateus Leonardi. Como discutir a homossexualidade na escola. Disponível em: . Acesso em: 16.04.2009.

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