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Os efeiros da pedagogia do exame

Por: regina celia de freitas sobreira

AVALIAÇÃO EDUCACIONAL: CLASSIFICAÇÃO X DIAGNÓSTICO

Este texto tem como objetivo abordar os fatos e aspectos que delimitam o fenômeno denominado “avaliação educacional”.

A avaliação educacional em geral e a avaliação da aprendizagem escola, em particular,são meios delimitados pela teoria e pela prática que as circunstancializam. O atual exercício da avaliação escolar está a serviço de uma pedagogia que nada mais é do que uma idéia teórica da educação, que traduz uma concepção teórica da sociedade em que vivemos. O autoritarismo é o elemento necessário para garantir esse modelo de sociedade. Daí a prática da avaliação apresentar-se de forma autoritária. Para romper com essa prática, há a necessidade de se colocar a avaliação a serviço de uma pedagogia que entenda e esteja preocupada com a educação como meio de transformação social.

A avaliação da aprendizagem escolar no Brasil está a serviço de uma pedagogia dominante, que serve a um paradigma social dominante, o qual pode ser identificado como paradgma social liberal conservador, nascido no seio da burguesia que se tornara reacionária e conservadora, tão logo se instalara no poder após a Revolução Francesa, tendo em vista garantir e aprofundar os benefícios econômicos e sociais que havia adquirido. A isonomia só existe na Lei. Cada individuo pode e deve, com seu próprio esforço, buscar livremente sua auto-realização pessoal, por meio da conquista e do usufruto da propriedade privada e dos bens.

As pedagogias hegemônicas que se definiram historicamente, nos períodos subseqüentes á Revolução Francesa, ainda estão a serviço desse modelo social. Em função disso, a avaliação educacional em geral e da aprendizagem ,em particular, contextualizam dentro dessas pedagogias, estão instrumentalizadas pelo mesmo entendimento teórico-prático da sociedade.

O modelo liberal conservador da sociedade produz três pedagogias distintas, mas relacionadas entre si e com um mesmo objetivo: conservar a sociedade na sua configuração.

1) Pedagogia tradicional, centrada no intelecto, nas transmissões de conteúdos e na pessoa do professor;

2)Pedagogia renovada ou escolanovista, centrada nos sentimentos, na espontaneidade da produção do conhecimento e no aluno com suas diferenças individuais;

3) Pedagogia tecnicista, centrada na exacerbação dos meios técnicos de transmissão e apreensão dos conteúdos e no principio do rendimento.

Essas três pedagogias tentaram produzir, sem o conseguir, a equalização social, pois há a garantia da lei de que todos são iguais. Os elementos dessas pedagogias pretendem garantir o sistema social na sua integridade. Daí surge definições pedagógicas de como deve se dar a relação professor- aluno, como deve ser executado o processo de ensino-aprendizagem e como deve se proceder a avaliação.

Neste contexto surge um outro modelo social baseado na igualdade do ser humano, e uma nova pedagogia foi emergindo para este paradigma social. Hoje contamos com a pedagogia libertadora ou libertaria, fundada nas idéias e na prática pedagógica de Paulo Freire, que se baseia na idéia de que a transformação virá pela emancipação das camadas populares, que se define pelo processo de conscientização cultural e política, através da EJA.

Aos poucos, está sendo formulada a chamada pedagogia dos conteúdos socioculturais, centrada na idéia de igualdade e oportunidade para todos no processo educacional, e na compreensão de que a pratica educacional se faz pela transmissão e assimilação dos conteúdos de conhecimentos sistematizados pela humanidade e na aquisição de habilidades de assimilação e transformação desses conteúdos no contexto de uma prática social. (Apud. Libâneo, 1984).

Nestes dois grupos de pedagogias estão, de um lado, aquelas que tem por objetivo a domesticação dos alunos, e pretendem a conservação da sociedade, propõem e praticam a adaptação e enquadramento dos educandos no modelo social vigente, e de outro, aquelas que pretendem a humanização dos alunos, e pretendem oferecer a eles meios pelos quais possam ser sujeitos desse processo. Esta está voltada para as perspectivas e possibilidades de transformação social. Esses grupos de pedagogia exigem duas práticas deferentes de avaliação educacional e avaliação da aprendizagem escolar.

A prática de avaliação escolar dentro do modelo liberal conservador, terá de ser autoritária, pois esse caráter pertence á essência dessa perspectiva de sociedade. Portanto, a avaliação educacional será um instrumento disciplinador das condutas cognitivas e sociais no contexto da escola.

Já a prática de avaliação nas pedagogias libertaria e pedagogia dos conteúdos socioculturais, preocupadas com a transformação, devera estar atenta aos modos de superação do autoritarismo e ao estabelecimento da autonomia do educando, pois o novo modelo social exige a participação democrática de todos. Aqui, a avaliação educacional deverá se manifestar como um novo mecanismo de diagnóstico da situação.

A atual prática da avaliação educacional pode ser definida da seguinte forma:

1) ela é um juízo de valor, o que significa uma afirmação qualitativa sobre um dado objeto, a partir de critérios pré-estabelecidos;

2) esse julgamento se faz com base nos caracteres relevantes da realidade, a seleção de sinais que fundamentarão o juízo de valor dependerá da finalidade a que se destina o objeto a ser avaliado;

3) a avaliação conduz a uma tomada de decisão, o julgamento de valor desemboca num posicionamento não indiferente, o que significa uma tomada de posição sobre o objeto avaliado e uma tomada de decisão quando se trata de um processo – como o da aprendizagem.

A atual prática de avaliação escolar coloca como função o ato de avaliar a CLASSIFICAÇÃO e não o DIAGNÓSTICO, o julgamento de valor passa a ter a função de classificar um objeto ou um ser humano. Na visão da aprendizagem escolar poderá ser classificado como inferior, médio ou superior. Com a função classificatória a avaliação não auxilia em nada o avanço e o crescimento da aprendizagem. Somente com uma função diagnóstica a avaliação pode servir para essa finalidade: auxiliar a aprendizagem do aluno.

Na pratica pedagógica, a transformação da função da avaliação de diagnostica em classificatória foi péssima. Apesar de a lei garantir igualdade para todos, no concreto histórico, encontram-se os meios para garantir as diferenças individuais do ponto de vista da sociedade.

Para que a avaliação educacional escolar assuma o seu papel de instrumento dialético de diagnostico para o crescimento, terá de se situar e estar a serviço de uma pedagogia que esteja preocupada com a transformação social. O elemento para que se dê á avaliação educacional escolar um rumo diferente do que está sendo exercido, é o resgate da função diagnostica – deverá ser o instrumento dialético do avanço, instrumento da identificação de novos rumos.

REGINA CELIA DE FREITAS SOBREIRA
Titulação: Pedagogia/UFV/MG
Tel: 31-3891-3408
E-mail: ginacelia13@yahoo.com.br

Bibliografia: LUCKESI, C. C. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições.
12 ed. São Paulo: Cortez,2002, 180p.
“Todas as informações contidas neste texto são de responsabilidade da autora.”

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