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O uso do computador no trabalho pedagógico, novas perspectivas para o século XXI:o caso da Escola Estadual Alceu Amoroso Lima

Por: maria neves da silva santana barbosa

RESUMO

O artigo em questão faz uma análise da utilização do computador, como recurso didático, no trabalho pedagógico. Neste contexto, o século XXI marca uma sociedade que passa por profunda valorização da informação e deste modo a introdução tecnológica apresenta múltiplas possibilidades de mudanças, com efeitos determinantes na atual metodologia docente. Frente a esta situação, o objetivo deste estudo é analisar o uso do computador na educação tendo em vista a experiência de vários pesquisadores e os atuais avanços computacionais. Para obter uma maior percepção desta realidade. A pesquisa empírica, de cunho qualitativo e quantitativo com o estudo de caso da Escola Estadual Alceu Amoroso Lima, verificando a utilização dos computadores pelos docentes do turno matutino do Laboratório de Tecnologia Educacional – LTE.

PALAVRAS-CHAVES:Computador. Educação. Mudança. Conhecimento. Tecnologia.

ABSTRAT

The article in question is an analysis of the use of the computer as a teaching tool in the pedagogical work. In this context, the century marks a society undergoes profound appreciation of information and thereby introducing technology presents multiple possibilities for change, with a decisive impact on the current teaching methodology. Faced with this situation, the purpose of this study is to analyze the use of computers in education in view of the experience of many researchers and the current computer techniques. For a better perception of this reality, the paper proposes empirical research, a qualitative and quantitative case study with the State School Alceu Amoroso Lima, verifying the use of computers by teachers during the mornings of the Laboratory of Educational Technology - LTE.

KEYWORDS: Computer. Education. Change. Knowledge. Technology.

1. INTRODUÇÃO

Manifestando a preocupação com o uso do computador nas escolas pelos professores. Resolvi analisar o nível de conhecimento tecnológico, orientação sobre sua utilidade educacional, capacitação para uso pedagógico pelos professores em sala de aula e também entender os “porquês” de muitos professores resistirem ao fato de que os recursos didáticos estão sendo incrementados nos computadores. Contudo reafirmamos a importância dos livros didáticos, lápis, caderno bem como a presença do professor, entretanto, o acréscimo de um recurso tecnológico pode engrandecer em muito a qualidade do trabalho docente. A tecnologia é cada vez mais presente na realidade das crianças e jovens, matriculados tantos nas escolas da rede estadual quanto na rede privada, embora num contexto social diferenciado, a capacidade de construir conhecimento a partir desta ferramenta é semelhante.

Contudo a hipótese adotada neste trabalho é o fato de que não é necessário que os professores dominem o computador ou software no ambiente escolar, no entanto, não é suficiente que eles apenas sejam treinados para serem simples usuários de computador. Será uma condição necessária para o sucesso da implementação e utilização da informática no ensino, que os professores tenham conhecimento sobre as possibilidades e modalidades de sua utilidade.

A pesquisa em questão é um estudo de caso tendo como universo da pesquisa os atores que fazem funcional a Escola Estadual Alceu Amoroso Lima, localizada no bairro Aeroporto, na cidade de Aracaju. O que motivou minha escolha por esta escola foi o fato de que os profissionais são pessoas preocupadas com uma educação construtiva, empenhados na desenvoltura de seus alunos diante das novas tecnologias. Um dado relevante é que o público matriculado, crianças e jovens, demonstram muito interesse no desenvolvimento de aulas que envolvam o uso do computador.

Entre a equipe docente da Escola Alceu Amoroso Lima, foi evidenciado que o uso do computador no trabalho pedagógico é construído gradativamente, embora ainda existam professores com uma visão contrária a utilidade.

Quanto à obtenção de informações, o levantamento de dados do trabalho foi a pesquisa bibliográfica através de livros de autores como Valente, Castells e Levy entre outros confirmado pela pesquisa de campo na Escola Estadual Alceu Amoroso Lima. Os dados foram obtidos por meio de questionário em que envolve questões abertas e fechadas. O extrato da população universo da pesquisa envolve 7 (sete) professores da 1ª a 4ª série do Ensino Fundamental, do turno da manhã. A abordagem da pesquisa é qualitativa e quantitativa, onde as questões serão estudadas no ambiente em que eles se apresentam sem através da técnica de observação e aplicação de questionários.

A pesquisa nos revela que os professores, em sua maioria, manifestam positivamente o desejo de construir aulas com o uso do computador. Constatou-se também que os educadores precisam compreender que o uso do recurso didático será viável e significativo em sua prática pedagógica, quando ele se constituir um elemento de apoio na construção do conhecimento. Portanto inovar, criar, experimentar é, pois, desafios importantes na vida profissional. Onde os recursos didáticos criam possibilidades para o professor, evitando que o cotidiano escolar não seja engolido pela mesmice do dia-a-dia. Percebe-se, assim, a importância dos recursos didáticos não só como inovador, mas como possível de acontecer na prática docente.

2. O PROCESSO DA INTRODUÇÃO DO USO COMPUTADOR, COMO FERRAMENTA DIDÁTICA, NO BRASIL.

O século XXI comporta muitas transformações sociais, dentre elas, destaca-se o computador como ferramenta tecnológica capaz de receber, armazenar e processar dados, de modo organizado e previamente programado para depois devolvê-los como resposta para uma tarefa específica. Apontado por admiradores e críticos como um dos principais objetos de facilitação, modernização e comunicação, os computadores estão entre os responsáveis por colocar a tecnologia em um lugar de destaque no meio acadêmico, doméstico, laboral e também escolar. Conforme Castells, as redes tecnológicas são formadas por instrumentos importantes como os computadores interligados que podem ao mesmo tempo, ser flexível e adaptável graças à sua capacidade de descentralizar a seu desempenho ao longo de uma rede de componentes autônomos, enquanto se mantêm capazes de coordenar toda essa atividade descentralizada com a possibilidade de partilhar a tomada de decisões que abrange pessoas, máquinas, e/ou métodos organizados para coletar, processar, transmitir e disseminar dados que representam informação para o usuário.

A introdução do computador, como recurso didático, começou por causar mudança no processo de produção escolar, pois, atualmente os alunos já manifestam capacidade de pesquisa como complemento do livro didático, digitação e apresentação de comunicação com os professores, além do fato do professor ter a oportunidade de propor segundo Behrens (2007, p.150), atividades com aulas expositivas para motivar o estudo, abrir um tema, descrever experiências, ou para colaborar numa síntese do estudo feito sobre o um assunto proposto, ou se processa de forma dialogada com o grupo, com perguntas instigadoras, provocando a curiosidade e reflexão. Embora exista atualmente esta possibilidade de inserção do computador no ensino, a sua introdução foi um desafio para pesquisadores preocupados com a propagação dessas maquinas na sociedade.

Na década de 50, com os estudos de Skinner[1], já se tratava da instrução auxiliada por máquinas onde o aluno é colocado diante de um painel onde aparece uma questão relativa a algo que ele já conhece e, ao mesmo tempo, uma nova informação concernente ao mesmo tema é mostrada. O aluno deve responder à questão apresentada e, se acertar, a máquina passará automaticamente para a questão seguinte, que será referente à informação dada imediatamente antes. Se não acertar, não poderá prosseguir, devendo retornar a um ponto anterior.As máquinas citadas intitulavam-se “máquinas de ensinar” onde eram artefatos automáticos que davam a matéria de acordo com o ritmo do aluno, interrogando-o para encontrar falhas na compreensão e fornecendo feedback ou mesmo um retorno imediato. Segundo Skinner a boa instrução exige duas coisas: os alunos devem ser informados no mesmo instante se é certo ou errado o que fazem e, quando certos, devem ser orientados para o passo seguinte. Defendia ainda que seria fácil de implantá-la nas escolas devido ao seu baixo custo que foi comparado ao de uma vitrola.

Neste sentido a instrução auxiliada por computador, compreendida nas “máquinas de ensinar” de Skinner, foi sendo modificada, ressalta-se que todos os estudos ainda eram efetuados em universidades, laboratórios e as escolas trabalhavam exclusivamente com o ensino tradicional.

Logo depois surgiram novas pesquisas aprimorando cada vez mais a ideias de utilização do computador na educação. Desta forma três países foram pioneiros na implantação do computador como ferramenta pedagógica na construção do conhecimento: Brasil, Estados Unidos e França, ambos com objetivos de concretização semelhante no que tange os diversos softwares ou programas responsáveis pela comunicação entre o sistema do computador e sua parte física, empregados para o ensino, mas em contrapartida ideais diferentes em razão da repercussão política de cada um. O autor José Armando Valente, com quem tive a oportunidade de estabelecer uma comunicação por e-mail durante esta pesquisa, reforçando a idéia de uma constante distinção entre os países citados, observa que:

A primeira diferença entre o programa de Informática na Educação do Brasil e da França e Estados Unidos é a relação que se estabeleceu entre os órgãos de pesquisa e a escola pública. Na França, as políticas adotadas pelo governo não foram necessariamente frutos da pesquisa e não houve o estabelecimento de uma ligação direta entre os centros de pesquisa e a escola pública. Nos Estados Unidos, embora tenham sido produzidas inúmeras pesquisas, estas podiam ou não ser adotadas pela escola interessada em implantar a Informática. (VALENTE, 1999, p. 21)

Assim, nos Estados Unidos as decisões educacionais são descentralizadas, independentes das decisões governamentais. Ainda segundo Valente (1999), o uso do computador nas escolas americanas é pressionado pelo desenvolvimento tecnológico, pela necessidade de profissionais qualificados e pela competição estabelecida em função do livre mercado das empresas que produzem softwares das universidades e das escolas. Visto que se tornou um dos países formadores de profissionais da área de Informática na Educação.

Já a França tem uma forte identidade cultural, onde a escola pública é predominante. Seguindo a observação de Valente (1999) o que mais marcou o programa de Informática na Educação da França tenha sido a preocupação com a formação de professores. Dessa forma é um país em que suas decisões educacionais são centralizadas no governo e independentes de pesquisas realizadas em universidades.

Nesta perspectiva, o Brasil, manifesta a preocupação com as pesquisas realizadas nas universidades e mantêm contato com o governo através de projetos educacionais a partir da década de 70. A proposta é que o papel do computador seria o de provocar mudanças pedagógicas profundas e desta forma um recurso facilitador do processo de ensino-aprendizagem. A política da mudança explicitou que, ao invés de automatização, a razão na sua forma educacional estaria sendo utilizados para produzir alunos construtores, críticos, fora do ambiente tradicional.

Conforme os novos projetos educacionais lançados no Brasil com a proposta de mudança no ensino-aprendizagem que, na década de 80, ressalta-se a criação de um programa chamado Logo voltados principalmente para crianças, jovens e adultos. Desta forma o Logo tem o seguinte contexto:

A Linguagem Logo foi desenvolvida em 1968 pelo sul-africano Seymour Papert e se caracteriza como uma linguagem de programação que possibilita a criança dar instruções ao computador para que ele execute as ações determinadas por ela. O objetivo de Papert ao criar a Logo é oportunizar as crianças a aprender com prazer a programar e assim potencializar a aprendizagem (PAPERT, 1997; SOUZA, 2007). A Linguagem Logo se constitui em um programa computacional aberto, de autoria e programação, ou seja, o estudante ao utilizá-lo pode apresentar os aprendizados adquiridos no estudo de um determinado conteúdo, tornando-se o autor do trabalho realizado. Com este software os docentes podem desenvolver os conteúdos de todas as áreas do conhecimento.

Outra característica significativa da Linguagem Logo é ter como concepção teórica a abordagem Construcionista de aprendizagem. Baseada nos estudos de Seymour Papert, esta teoria tem por objetivo promover a construção do conhecimento por meio do uso das tecnologias.

Segundo esta premissa é a criança que diz ao computador o que deve ser feito, por meio da Linguagem de Programação. Esta concepção difere da maioria dos softwares educacionais encontrados no mercado, que se constituem em programas prontos, fechados e baseados numa concepção Instrucionista de aprendizagem, isto é, por meio de instruções, o programa diz para a criança o que dever ser feito. (POCRIFKA; SANTOS, 2009, p. 2470 – 2471)

Por conseguinte, seminários foram realizados no Brasil e começam a desenvolver um programa intitulado Educom que segundo o Ministério da Educação consistia na implantação de centros-piloto em universidades públicas, voltados à pesquisa no uso de informática educacional, à capacitação de recursos humanos e à criação de subsídios para a elaboração de políticas no setor. As primeiras entidades que participaram das pesquisas sobre a utilização do computador na educação brasileira foram: UFRJ, UNICAMP e UFRGS. Várias foram as metas do projeto Educom, uma delas era desenvolver a pesquisa do uso educacional da informática, ou seja, perceber como o aluno aprende sendo apoiado pelo recurso da informática e se isso melhora efetivamente sua aprendizagem. Outra meta era levar os computadores às escolas públicas, para possibilitar as mesmas oportunidades que as particulares ofereciam a seus alunos. Implantado pela Secretaria Especial de Informática (SEI), com suporte do CNPq[2] e Finep[3], órgãos do Ministério de Ciência e Tecnologia e pelo MEC.

É nesse contexto que a educação e tecnologia emergem com a preocupação de responder a novas transformações como fundamento para construção de sistemas de interação entre professor e aluno. É impossível não ressaltar a implantação no ano de 1997 o Programa Nacional de Informática na Educação (PROINFO), ao qual o Ministério da Educação define:

O Programa Nacional de Informática na Educação - ProInfo, criado em 9 de abril de 1997 pelo Ministério da Educação, tem por objetivo promover o uso da Telemática como ferramenta de enriquecimento pedagógico no ensino público fundamental e médio. Seu funcionamento se dá de forma descentralizada, em cada unidade da Federação existe uma Coordenação Estadual ProInfo, cujo trabalho principal é introduzir as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC's) nas escolas públicas, além de articular os esforços e as ações desenvolvidas no setor sob sua jurisdição, em especial as ações dos Núcleos de Tecnologia Educacional (NTE). Os NTE's são locais dotados de infra-estrutura de informática e comunicação que reúnem educadores e especialistas em tecnologia de hardware e software, atualmente existem 376 núcleos distribuídos por todos os estados da Federação. O ProInfo é desenvolvido pela Secretaria de Educação à Distância - SEED, por meio do Departamento de Infra-Estrutura Tecnológica - DITEC, em parceria com as Secretarias Estaduais e algumas Municipais de Educação . (Disponível em: < http://inclusao.ibict.br/index.php/iniciativas-no-brasil/942-programa-nacional-de-informca-na-educa-proinfo> . Acesso em: 02 maio 2010)

Então, Valente (1999) acredita ser possível um aperfeiçoamento gradual da educação atual, o qual reconhece ser imperfeito. Para tanto, analisa a implantação de novas tecnologias, como ferramenta didática no qual enfatiza que a construção de conhecimento foi possível porque, diferentemente do que aconteceu na França e nos Estados Unidos, as políticas e propostas pedagógicas da Informática na Educação, no Brasil, sempre foram fundamentais nas pesquisas realizadas entre as universidades e escolas da rede pública. Ao invés da coesão de um sistema tradicionalista ser o resultado da existência de uma consciência parcial de alguns docentes, entende que os professores devidamente organizados poderiam estabelecer compromissos pedagógicos e construir consensos que tornariam viável a construção de uma escola dinâmica e produtiva.

Na verdade, essa proposta de compromissos educacionais já estava sendo colocada na seguinte citação de Almeida:

É necessário construir outra configuração educacional, que integre os novos espaços de conhecimento em uma proposta de renovação da escola. Nessa nova configuração, o conhecimento não pode estar centralizado no professor, nem no espaço físico e nem no tempo escolar, mas deve ser visto como um processo em permanente transição, progressivamente construído, conforme o enfoque da teoria piagetiana. (ALMEIDA, 2008, p 19)

Essa necessidade crescente de transformação passa a necessitar cada vez mais de informações qualificadas para agir, o que leva a um aumento significativo de uma educação de qualidade. O interesse é voltado para capacitação do corpo docente em que pudessem indicar direções interessantes para a realidade escolar. Segundo Moran:

Nosso desafio maior é caminhar para um ensino e uma educação de qualidade, que integre todas as dimensões do ser humano. Para isso precisamos de pessoas que façam essa integração em si mesmas no que concerne aos aspectos sensorial, intelectual, emocional, ético e tecnológico, que transitem de forma fácil entre o pessoal e o social, que expressem nas suas palavras e ações que estão sempre evoluindo, mudando, avançando. (MORAN, 2008, p.15)

Tendo brevemente contextualizado historicamente a proposição de Valente e demais autores ou mesmo indicado o quanto há inovações no ambiente educacional, na próxima seção, passamos a explorar alguns detalhes da formação do professor em meio a novas implementações tecnológicas atuais com o objetivo de destacar os pontos fundamentais na investida escolar ou ênfase na ação individual para a configuração do sistema educacional.

3. FORMAÇÃO DOCENTE FRENTE ÀS NOVAS TECNOLOGIAS.

As principais condições de uma aprendizagem de qualidade estão efetivamente presentes na formação docente. Pretende-se que sejam educadores intelectual e emocionalmente maduros, pessoas curiosas, entusiasmadas, abertas, que saibam motivar e dialogar, atentos as novas transformações de sua época. Como observa Masetto:

Dois fatos novos, porém trazem à tona a discussão sobre a mediação pedagógica e o uso da tecnologia. Primeiro, o surgimento da informática e da telemática proporcionando a seus usuários – e entre eles, obviamente, alunos e professores – a oportunidade de entrar em contato com as mais novas e recentes informações, pesquisas e produções científicas do mundo todo, em todas as áreas; a oportunidade de desenvolver a autoaprendizagem e a interaprendizagem a distância, a partir dos microcomputadores que se encontram nas bibliotecas, nas residências, nos escritórios, nos locais de trabalho; fazendo surgirem novas formas de se construir o conhecimento e produzir trabalhos monográficos e relatórios científicos; proporcionando a integração de movimento, luz, som, imagem, filme, vídeo em novas apresentações de resultados de pesquisa e assuntos e temas para as aulas; possibilitando a orientação dos alunos em suas atividades não apenas nos momentos de aula, mas nos períodos “entre aulas” também; tornando possível, ainda, o desenvolvimento da criticidade para se situar diante de tudo o que se vivencia por meio do computador, da curiosidade para buscar coisas novas, da criatividade para se expressar e refletir, da ética para discutir os valores contemporâneos e os emergentes em nossa sociedade e me nossa profissão. (MASETTO, 2007, p.137)

A citação acima facilita a continuidade do texto, pois ela é retomada pela palavra mediação da primeira frase. Visto que a mediação é representada pelo professor em sala de aula, em prol da construção do conhecimento. Neste sentido, se apresenta como uma proposta essencialmente construcionista onde significa que a ênfase está na aprendizagem ao invés de estar no ensino e na instrução, porém, essa integração ao sistema escolar informatizando os métodos de ensino não implica na ausência da formação docente para a ação dos alunos em sala de aula. Com isso, traz grande compromisso, com a formação para a cidadania, como sujeito histórico e transformador da sociedade, e contribuir para a produção do conhecimento compatível com o desenvolvimento tecnológico.

Hoje, as escolas da rede estadual de ensino já se observam laboratórios de tecnologia educacional, os LTEs. O que exige do docente uma formação pedagógica ligada ao uso de novas tecnologias no ensino, ou mesmo capacitação do professor durante sua vigência em sala de aula.

Segundo Levy (1999) participamos de diversas modificações no decorrer do século XXI, e nos confrontamos com tecnologias em toda parte, inclusive na educação o que corresponde a um possível conceito cibercultura que designa o conjunto de valores e comportamentos de determinados grupos relacionados ao surgimento da Internet que exprimem ideias, desejos, saberes, ofertas de transação de pessoas e grupos humanos. Neste sentido, a formação docente tem que estar a par destas modificações e transferi-las para sua realidade escolar.

Em contrapartida a mudança não virá somente da capacitação do professor para o uso do computador no trabalho pedagógico, também é necessária a mudança na gestão escolar, o ajuste do currículo escolar em face de novas metodologias e sua inclusão no ambiente escolar. Moran fala nas modificações da forma de organização do ensino:

Cada organização precisa encontrar sua identidade educacional, suas características específicas, o seu papel. Um projeto inovador facilita as mudanças organizacionais e pessoais, estimula a criatividade, propicia maiores transformações. Um bom diretor ou administrador pode contribuir para modificar um ou mais instituições educacionais. Uma parte das nossas dificuldades em ensinar se deve também a mantermos no nível organizacional e interpessoal formas de gerenciamento autoritário, pessoas que não estão acompanhando profundamente as mudanças na educação, que buscam o sucesso imediato, o lucro fácil, o marketing como estratégia principal. (MORAN, 2007, p.28)

Diante do que foi colocado até o momento, percebe-se que a utilização de recursos tecnológicos é um fato pertinente à realidade em que todos fazemos parte. E paralelamente benéfica no processo de ensino, no que tange os professores, alunos, gestores, diretores, coordenadores, enfim toda a equipe escolar. Podemos afirmar que

O professor necessita ser formado para assumir o papel de facilitador dessa construção de conhecimento e deixar de ser o “entregador” da informação para o aprendiz. Isso significa ser formado tanto no aspecto computacional, de domínio do computador e dos diferentes softwares, quanto no aspecto da integração do computador nas atividades curriculares. O professor deve ter muito claro quando e como usar o computador como ferramenta para estimular a aprendizagem. Esse conhecimento também deve ser construído pelo professor, e acontece à medida que ele usa o computador com seus alunos e tem o suporte de uma equipe que fornece os conhecimentos necessários para o professor ser mais efetivo nesse novo papel. Por meio desse suporte, o professor poderá aprimorar suas habilidades de facilitador e, gradativamente, deixará de ser o fornecedor da informação, o instrutor, para ser o facilitador do processo de aprendizagem do aluno – o agente de aprendizagem. (VALENTE, 1999, p.84)

Esse processo de aprendizado ocorre por toda a vida do aluno por meio de um complexo processo de facilitação do conhecimento que resulta na construção dos indivíduos como membros críticos da sociedade. Entretanto, como toda transformação, essa construção do conhecimento irá dispor de diversos equipamentos e softwares ligados ao ensino, de modo que as diversidades de programas, apesar de possuírem uma base comum, se distinguem em vários aspectos. O qual será compreendido no próximo tópico.

4. RECURSOS TECNOLÓGICOS EM SALA DE AULA.

É sabido que o sistema educacional é responsável pela necessária integração do aluno na construção do conhecimento, uma vez que é composto pela interação entre o docente e discente. Não se trata de algo simples, pois é preciso lembrar que esses agentes são ao mesmo tempo atores e objetos de orientação e que tomam parte de diferentes situações. E para tanto são necessárias ferramentas para a facilitação do trabalho docente:

Por novas tecnologias em educação, estamos entendendo o uso da informática, do computador, da internet, do CD-ROM, da hipermídia, da multimídia, de ferramentas para educação a distância – como chats , grupos ou listas de discussão, correio eletrônico etc. – e de outros recursos e linguagens digitais de que atualmente dispomos e que podem colaborar significativamente para tornar o processo de educação mais eficiente e mais feliz. (MASETTO, 2007, p. 152)

Além disso, a integração se torna ainda mais interativa pelo fato da escola dispor de laboratório de informática no qual, segundo Valente (1999), gera um ambiente de aprendizagem baseado no computador para diferentes populações: como alunos da escola regular, alunos com necessidades especiais, crianças carentes, percebendo que ao professores de cada um desses indivíduos são, também, organismos que possuem desejos e disposições que influenciam diretamente suas práticas. Possuem também personalidades próprias que os levam a enfatizarem e valorizarem de maneira diferente os mesmos objetos envolvidos em uma dada situação. E, por fim, compartilham o diálogo, onde podem falar sobre o que fizeram e mostrar esse produto para outras pessoas.

Mas, o respeito a certa dose de mudança de atitude individual frente as novas implementações do computador, não implica na perda de ordenação do professor em sala de aula. Neste sentido, Masetto observa:

Num processo de aprendizagem o uso de tecnologias evidentemente também se alterará. Não se trata mais de privilegiar a técnica de aulas expositivas e recursos audiovisuais, mais convencionais ou mais modernos, que é usada para a transmissão de informações, conhecimentos, experiências ou técnicas. Não se trata de simplesmente substituir o quadro-negro e o giz por algumas transparências, por vezes tecnicamente mal elaboradas ou até maravilhosamente construídas num Power point, ou começar a usar um datashow. As técnicas precisam ser escolhidas de acordo com o que se pretende que os alunos aprendam. Como o processo de aprendizagem abrange o desenvolvimento intelectual, afetivo, o desenvolvimento de competências e de atitudes, pode-se deduzir que a tecnologia a ser usada deverá ser variada e adequada a esses objetivos. Não podemos ter esperança de que uma ou duas técnicas, repetidas à exaustão, deem conta de incentivar e encaminhar toda a aprendizagem esperada. (MASETTO, 2007, p.143)

É importante destacar que não basta simplesmente inserir, sem critérios, os recursos tecnológicos no dia-a-dia da sala de aula, os alunos não determinarão a ação, pois a maneira como esta inserção é feita influencia diretamente no bom aproveitamento de professor e aluno, de tais recursos. Simplesmente mostrar um filme aos alunos não fará muita diferença. O grande diferencial estará na maneira em que esta atividade é feita, na capacidade de contextualização que o professor terá. Debates, textos, painéis, atividade extraclasse e outras atividades podem ser utilizados como meios e instrumentos de aprendizagem a partir de um determinado recurso.

Isso implica na capacidade de proporcionar a interatividade no ambiente da sala de aula que é fundamental para a plena utilização destes recursos. A verdadeira interação chega à sala de aula através do diálogo. Este, um método tão importante nas tradicionais aulas expositivas, também é essencial quando se fala em uso do computador, do retroprojetor, ou de qualquer outro recurso tecnológico. Entretanto, ao abordarmos estes recursos, não podemos nos referir apenas ao computador. Sabemos que atualmente, ele é a ferramenta que proporciona ao professor uma maior diversidade de aplicações. No entanto, outros recursos, como o próprio quadro-negro, não podem ser esquecidos na prática escolar. Masetto observa em um contínuo procedimento de valorização da facilitação do conhecimento e controle sobre as ações individuais e grupais dos alunos:

A ênfase no processo de aprendizagem exige que se trabalhe com técnicas que incentivem a participação dos alunos, a interação entre eles, a pesquisa, o debate, o diálogo; que promovam a produção do conhecimento; que permitam o exercício de habilidades humanas importantes como pesquisar em biblioteca, trabalhar em equipe com profissionais da mesma área e de áreas afins, apresentar trabalhos e conferências, fazer comunicações, dialogar etc.; que favoreçam o desenvolvimento de habilidades próprias da profissão na qual o aluno pretende se formar; que motivem o desenvolvimento de atitudes e valores como ética, respeito aos outros e as suas opiniões, abertura ao novo, criticidade, educação permanente, sensibilidade às necessidades da comunidade na qual o aprendizz atuará como profissional, busca de soluções técnicas e condizentes com a realidade para melhoria de qualidade de vida da população. (MASETTO, 2007, p.143 -144)

Em outra circunstância, é possível perceber que mesmo nas escolas que possuem laboratórios de informática, os equipamentos muitas vezes permanecem trancados e sem nenhuma utilização. E o único recurso utilizado é apenas o quadro-negro.

Pretende-se então procurar entender melhor o atual contexto da escola pública Alceu Amoroso Lima, no que tange os motivos que levam os professores a utilizarem, ou não tais recursos tecnológicos. Desta forma, propomos uma pesquisa que verifique a presença, ou não, de recursos tecnológicos na referida escola. Identificando quais são estes recursos, a relação que os professores e alunos possuem com eles, a frequência em que são utilizados e o retorno, observado pelos professores que os utilizam como ferramenta didática, em relação às contribuições para a formação de seus alunos no trabalho pedagógico.

5. O OBJETO DE PESQUISA.

A Escola Alceu Amoroso Lima tem como Patrono o Escritor Brasileiro e Crítico Literário Alceu Amoroso Lima, nascido no Rio de Janeiro em 11/12/1893 e falecido em 14/08/1983, em Petrópolis–RJ, filho de Manoel José Amoroso Lima e Camila da Silva Amoroso Lima.

A escola iniciou suas atividades com o sistema de ensino Educação Integrada da 1ª a 4ª série do 1º grau. Sua recuperação deu-se em 1989, no Governo Antônio Carlos Valadares, secretário de Educação Ciência e Tecnologia, Antonio Fontes Freitas. Em 2010, a unidade escolar está atendendo a 420 alunos: manhã 131 alunos, tarde 93 alunos e a noite 196 alunos.

Oferece as seguintes modalidades de ensino: Ensino Fundamental, Ensino de Jovens e Adultos, Ensino Médio, Programas Se Liga e Acelera.

Com relação ao aspecto físico: fundada em 1982 possui uma área total de 11.200m2, área livre de 8.804m2, área construída 2.396m2 e quadra de 880m2. Possui 08 (oito) salas de aula, diretoria, secretaria, sala de professores, sala da equipe pedagógica, sala de leitura e vídeo, laboratório de tecnologia educativa, almoxarifado, arquivo, depósito de merenda, cozinha e quadra de esportes.

A respeito das características socioeconômicas e culturais da população do bairro onde a escola está inserida, é uma comunidade que possui nível social, médio e baixo. Muitos dos alunos provêm de uma comunidade do bairro Santa Maria, um bairro com alto índice de violência e falta de estruturação do espaço físico para seus moradores, lá também encontramos a lixeira de Aracaju, do qual muitas crianças fazem atividades para subsistência.

5.1. Análise do uso do computador, como ferramenta didática, na Escola Alceu Amoroso Lima.

A pesquisa foi realizado durante o primeiro semestre do ano de 2010 no curso de Licenciatura em Pedagogia, sob a orientação do professor Me José Carlos Santos, através de questionário aplicado a 7 (sete) professores (representados pelos codinomes A, B, C, D, E, F e G respectivamente) da 1ª a 4ª série do ensino fundamental, dentre os quais 1 professora G é articuladora do Laboratório Tecnológico Educacional - LTE, do período matutino da Escola Estadual Alceu Amoroso Lima, na cidade de Aracaju. O referido questionário consta 16 (dezesseis) questões fechadas e 4 abertas sobre os hábitos de uso do computador no ensino-aprendizagem como ferramenta didática, a serem respondidas sem a minha presença, para que os professores pudessem ficar à vontade para analisar as informações.

Analisada a parte técnica do laboratório de informática, onde a professora articuladora mencionou que dentre as 10 (dez) máquinas existentes no laboratório tem o sistema operacional Linux, com acesso a internet, softwares educativos, editores de texto. O laboratório tem 01 (um) impressora, 01(um) aparelho de televisão com conexão para pen drive. Os alunos tem a disponibilidade de consultar o portal do aluno através do site http://www.seed.se.gov.br/portaldoaluno/, nele encontram notícias da secretaria da educação, da escola, museus, dicionários, bibliotecas virtuais, atlas e enciclopédias, entre outros.

No laboratório além da professora articuladora, existem 2 (dois) monitores representados respectivamente pelo codinome X e Y, que são alunos da 5ª e 7ª série da Escola Alceu Amoroso Lima, e desta forma estudam no período vespertino. Para tanto é necessário boas notas, bom comportamento, frequência, no sentido de desenvolver nos dois monitores X e Y a capacidade de integração no ambiente tecnológico e nas atividades escolares.

Ainda sob a análise do laboratório e para melhor aproveitar o potencial pedagógico dos computadores que estavam esquecidos pelas educadoras que, no final do ano de 2007, mesmo período em que a articuladora antes professora de história durante 22 (vinte e dois) anos e atualmente toma frente do setor de informática e a coordenadora pedagógica da instituição sugeriram que fosse ampliado o uso do laboratório para todas as crianças. Através de reflexões, algumas hipóteses foram levantadas para sustentar o porquê de não terem tomado a iniciativa de utilizar o laboratório de informática somente há quatro anos. Abaixo foram listadas algumas delas:

a) Os professores não utilizavam o computador como ferramenta pedagógica por não terem conhecimento suficiente para realizar a ampliação, no que se refere a parte tecnológica e burocrática;

b) Muitos docentes buscavam o computador em outros aspectos, portanto, o que faltava era entender como integrá-lo em sua prática pedagógica;

c) O computador pode ser um importante recurso auxiliar na prática pedagógica desde que seja monitorado por um profissional da informática.

Para a elaboração e prática do projeto de ampliação do laboratório de informática é seguido um encadeamento administrativo, que servem de auxílio dos órgãos ligados a rede pública do qual a unidade mantenedora principal é Secretaria de Estado da Educação -SEED em que o laboratório da Escola Alceu Amoroso Lima participa através do programa Proinfo. Segue um organograma para verificação de modelo de gestão, conforme figura 1:

O suporte das máquinas, no que se referem a implantação de programas, consertos é feito pela Assessoria de Tecnologia da Informação (Astin), da SEED, cujo diretor faz através de seu departamento todo o suporte necessário para a manutenção de software. Com relação a troca de periféricos (mouse, teclado, monitor etc.) fica por conta da escola em questão, em razão de constar na folha de pagamento de material, a quantia necessária para uma breve troca de hardware.

Ao dar início à etapa da divulgação dos questionários, distribuídos em tópicos e subtópicos, foram desenvolvidos as seguintes situações relacionadas aos hábitos de uso do computador como ferramenta didática:

1 - Análise de software dentro da perspectiva educacional;

2 - Alternativas de utilização no laboratório de informática como complementação do currículo;

3 - Orientações quanto à necessidade e importância de explorar os recursos tecnológicos existentes na Escola Alceu Amoroso Lima antes de utilizá-los;

4 - Orientações quanto à organização dos alunos na sala de informática pelo professor articulador;

5 – Para atualização ou mesmo busca do conhecimento tecnológico, se existem cursos de capacitação para a equipe docente.

O processo de entrega dos questionários foi sendo distribuído continuamente na escola e atendendo a teoria de Moran que estabelece a busca de novos conhecimentos na medida em que pode determinar novos horizontes na educação:

Conhecer é relacionar, integrar, contextualizar, fazer nosso o que vem de fora. Conhecer é saber desvendar, é ir além da superfície, do previsível, da exterioridade. Conhecer é aprofundar os níveis de descoberta, é penetrar mais profundo nas coisas, na realidade, no nosso interior. Conhecer é conseguir chegar ao nível da sabedoria, da integração total, da percepção da grande síntese, que se consegu

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