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O estudo e a aprendizagem
Por: Patrícia Bianchini
O ser humano pode aprender pela reflexão. Esta é, aliás, uma forma tipicamente humana de aprender. Já que a educação tem compromisso com o aprimoramento da pessoa, deve favorecer esta forma de aprendizagem – forma que permite a utilização das amplas potencialidades intelectuais humanas, que garante resultados mais duradouros e profundos, além de possibilitar maior compreensão da realidade e melhoria no nível das relações interpessoais.
O grande educador Jean Piaget afirmou que: ‘’O direito à educação (...) não é apenas o direito de freqüentar escolas: é também, na medida em que vise a educação ao pleno desenvolvimento da personalidade, o direito de encontrar nessas escolas tudo aquilo que seja necessário à construção de um raciocínio pronto e de uma consciência moral desperta.’’
Piaget é muito otimista quanto à aprendizagem. Como Dewey, pensa que aprender é próprio do organismo; chega a ser condição de sobrevivência do organismo. Já estará fazendo muito o educador que não atrapalhar essa tendência natural do indivíduo para aprender querendo facilitar, mas é preciso entender que a facilitação reside no estímulo ao desenvolvimento da inteligência, já que, na verdade, o desenvolvimento intelectual é um processo de contínuas aprendizagens.
Ensinar não deve ser entendido de outro modo senão o da criação de condições para o desenvolvimento intelectual. O caminho a ser seguido pelo professor é o de fornecer estímulos que alimentem as estruturas mentais existentes e apresentar situações problemas que provoquem o progresso mental.
Diz Piaget:"Compreender é inventar ou reinventar, e dar uma lição prematuramente é impedir a criança de encontrar ou redescobrir as soluções por si mesma’’. Refletindo sobre esse assunto, cada dia tenho mais certeza que precisamos, enquanto educadores, no efetivo exercício da profissão, dar-lhes esta chance. Hoje está suficientemente comprovado que o desafio é o processo didático para o desenvolvimento intelectual, portanto, ensinar é apenas desafiar, adequada e gradualmente nossos alunos.
Se a função da escola pode ser resumida, de certa forma, nos seguintes termos: espera-se que o aluno aprenda e que o professor oriente a aprendizagem do aluno, questiono, então: mas aprender o quê? Estudar o quê? Aprender conceitos e princípios, atitudes, valores, hábitos e habilidades? Estudar conceitos e teorias sem significado contextual para eles? Os professores sempre mandam os alunos estudarem. Mas será que alguma vez esses professores disseram aos seus alunos o que é estudar, ou como estudar? Penso que seja fundamental que o professor desenvolva boas habilidades de estudo para dar boas aulas e orientar seus alunos no estudo.
Segundo Madalena Gomide estudo é "a experiência submetida à análise e ao pensamento reflexivo do indivíduo que aprende’’. Para ela o estudo requer concentração mental, captação de sensações e relações associativas, planejamento individual de horário, leitura eficiente, organização de resumos, aumento de vocabulário, saber tomar nota em aula, memorização, busca de informações e organização de trabalhos.
Em seu livro Aprendendo a Estudar, Madalena afirma que para maior rendimento no estudo é necessário: organizar um plano diário ou semanal, ser assíduo às aulas, estudar em local adequado, utilizar as técnicas de leitura, anotação e seleção de documentação.
Precisamos desenvolver essas técnicas em nossa própria vida, e quem sabe, seremos capazes de ensinar através do nosso exemplo, caso contrário, não teremos “moral” para cobrar deles que estudem de forma eficiente e realmente aprendam tudo o que o programa objetiva ensinar.
* Patrícia Ferreira Bianchini Borges é professora da Rede Municipal de Ensino de Uberaba, licenciada em Letras pela Uniube – MG, e pós-graduanda em Estudos Lingüísticos: “Fundamentos para o Ensino e Pesquisa” pela UFU – MG.
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