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Cultura: considerações preliminares

Por: Janaína Amanda Sobral Macêdo

MACÊDO, Janaína Amanda Sobral[1] (janacedo@yahoo.com.br)
NORONHA, Isabelle de Luna Alencar[2]
OLIVEIRA, Francisca Clara de Paula[3]
RODRIGUES, Raimunda[4]

INTRODUÇÃO

Este artigo foi elaborado no decorrer dos estudos concernentes à Pesquisa de Iniciação Científica cujo título é: Cultura popular e cultura de massas na formação cultural-escolar do jovem cratense: um olhar a partir da música. O objetivo central da pesquisa é saber se no universo dos jovens que cursam os ensinos Fundamental e Médio em escolas públicas do Crato, se verificam hábitos musicais; e, por conseguinte, se esses hábitos musicais se constituem como elemento revelador da (s) cultura (s) nas quais estes atores sociais estão inseridos.

Ora para alcançarmos tal objetivo, se faz necessário que primeiro estejamos munidas das principais conceituações que serão os pressupostos teóricos da pesquisa, dentre eles estão: o que é cultura (como também o vem a ser a cultura popular e a cultura de massas) e o que é música. No caso, este texto, se refere particularmente à conceituação e à reflexão do conceito de cultura.
Este artigo foi fundamentado em autores na sua maioria de posicionamento marxista (Como por exemplo, Marilena Chauí, Vygotsky), desta forma, termos aqui apresentados também receberam conotação marxista, como é caso de ideologia, alienação, etc.

1. CONCEITUAÇÃO

Diversos intelectuais já conceituaram cultura. Por isso, o exorbitante número de significados atribuídos ao termo: cento e sessenta, segundo o Dicionário de Ciências Sociais (1986). Cultura pode ser definida de maneira diferenciada de acordo com a ciência que se apropriar do termo. Isto quer dizer que para a Sociologia, cultura terá uma conotação, para a Antropologia outra. E, desta forma, cada ciência atribuirá seu sentido de acordo com a sua especialidade.
Dentre os significados de cultura, neste texto, analisaremos três: cultura em um sentido antropológico, cultura da elite e cultura do povo.

1.1 Cultura no sentido antropológico
Murray (1971) dá à cultura uma conceituação bastante ampla. Neste sentido, ele atribui à cultura tudo aquilo que foi adquirido pelo homem como membro da sociedade. Ora se a cultura é um bem adquirido pelo convívio em sociedade, a cultura é social e não natural ao homem. Desta forma, tudo aquilo que não é natural ou biológico, é cultura. Desta forma, segundo Laraia (1997), esta construção simbólica do homem, ao interpretar e modificar o mundo, recebe o nome de cultura.

Segundo Laraia (1997) o que difere o homem dos outros animais é a capacidade de produzir cultura. E o pressuposto, segundo o mesmo, para o aparecimento da cultura, é a linguagem. Vigotski, por sua vez, inverte a situação: [...] pensamento verbal não é uma forma de comportamento natural e inata, mas é determinado por um processo histórico-cultural e tem propriedades e leis específicas que não podem ser encontradas nas formas naturais de pensamento e fala.(Vygotsky 1989, p.44)

Enquanto Laraia nos diz que a linguagem foi responsável pelo aparecimento da cultura; Vygotsky, diz que o aparecimento da linguagem tem sua origem em um processo histórico-cultural, isto é, a cultura produziu a linguagem. Ambos estão corretos em suas afirmações, já que foi a partir da linguagem que o homem pode transmitir sua cultura e foi através da cultura que o homem adquiriu sua linguagem. Ambas se complementam.

1.2 Cultura de elite

Chauí (1993) definirá elite como elitismo e segregação, mas ao mesmo tempo, afirmação de um padrão cultural único e tido como o melhor para todos os membros da sociedade. Sendo assim, é possível afirmar que a elite considera a sua cultura como sendo superior à do povo. Entretanto, concluir que a cultura da elite está num patamar superior ao da cultura do povo, é concluir que o povo não é capaz de produzir cultura, pois, se soubesse, sua cultura não seria inferior à da elite, mas estariam no mesmo patamar.

Desta forma, a conclusão que se chega é que o plano cultural define e é definido pelo campo econômico-social. Isto é, a hegemonia econômica da elite ratifica sua hegemonia cultural e vice-versa. Sobre isso Marilena Chauí nos dirá: A elite está no poder, acredita-se, não só porque detém a propriedade dos meios de produção e o aparelho do Estado, mas porque tem competência para detê-los, isto é, detém o saber. (CHAUÍ, 1993, P. 49).

1.3 Cultura do povo

A diferença existente entre a cultura da elite e a cultura do povo é real e é analisada por diversos autores. O problema não é admitir que a cultura da elite e a cultura do povo são diferentes, o problema começa quando a elite, para que sua cultura se sobressaia, deprecia a do povo. Na verdade, uma cultura não anula a outra, ambas podem coexistir, sem que a outra precise desaparecer. O que impede que isto aconteça está no plano ideológico. Pois, a ideologia dissimula a realidade e faz com que a cultura universal seja a da classe dominante. Neste sentido, com o intuito de escamotear o direito do povo de fazer e de ter cultura, a elite denominou a cultura do povo de cultura popular. Estas, embora pareçam ser uma coisa só, existe um abismo separando as duas. A grande diferença, segundo Chauí, é que quando se diz cultura popular, se quer dizer que tal cultura está no povo, mas não foi necessariamente produzida pelo povo; e, quando se diz cultura do povo, se quer dizer que é do povo e também foi produzida por ele.

A cultura do povo, também é confundida com a cultura de massa entretanto, possuem significados distintos. A cultura de massa é divulgada como a cultura dos alienados, dos “sem rosto”. E, a alienação é o que permite que a classe dominante explore o trabalhador.

Para Marx (2004), a alienação é possuir falsas noções do que vem a ser a vida, o mundo e o próprio homem, ele acredita que o homem alienado vê o mundo fantasiado, a alienação não permite ao homem enxergar a realidade. Pois, segundo Marx (2004): a partir do momento em que o homem substituir suas fantasias por pensamento condizentes à essência do homem, para comportar-se criticamente diante delas, para expulsá-las do cérebro, e a realidade desmontará (p. 33). Desta forma, a cultura de massa além de ser alienada, aliena o povo para que não enxergue os problemas que estão à sua volta e não busque a transformação da sociedade.

A cultura do povo é na verdade tudo que o caracteriza e o une. Sua tradição, suas danças, músicas e tudo o mais que faz parte da sua vida. Desta forma, cultura do povo e cultura de massas não devem ser confundidas.

2. O PAPEL DA EDUCAÇÃO NA CULTURA

A educação, na verdade, não nasceu com a escola. A educação é tão antiga quanto o homem, da mesma forma que a cultura. Pois desde que o homem foi capaz de produzir conhecimento e transmitir este conhecimento de pai para filho a educação existe.
Nesta perspectiva, cultura e educação, não podem ser compreendidas separadamente.
Já que a educação gera cultura e cultura gera educação. Ora, se possuímos culturas diferenciadas, quem decidirá que tipo de cultura será repassada: a da elite ou a do povo? Como é a elite que detém o poder, é ela também que elabora o currículo. Desta forma, o currículo está munido de conteúdos que privilegiam a cultura da elite, sejam colocados de forma explícita ou implícita.

Porém, mesmo que o currículo seja imposto por políticas definidas fora do chão da escola, cabendo a esta apenas executá-las, há uma inegável autonomia institucional que poderá manter uma postura diferenciada de busca de transformação social. Cabe então, à escola e de maneira específica ao professor, de acordo com posicionamentos teóricos, uma opção política em defesa de um projeto emancipatório de sociedade.

CONCLUSÃO

Como foi dito no início do texto, cultura possui mais de cento e sessenta significados diferentes, deste modo é um tema difícil de ser esgotado. Nem esta é a intenção deste artigo.
Refletirmos sobre cultura e sobre as formas que a cultura se apresenta (cultura da elite, do povo, de massa e popular) podemos concluir que a cultura tem grande importância para a humanidade, já que foi construída historicamente pelo homem e a este é inerente.
A cultura é a marca indelével que a humanidade deixa para a posteridade. Neste sentido, a cultura é a herança material e não-material que o homem deixa para a geração que está por vir.

BIBLIOGRAFIA

CHAUÍ, Marilena. Cultura e Democracia. 6ª Edição. São Paulo: Cortez. 1993.

LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. 11ª edição. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. 1997.

MARX, Karl. Manuscritos Econômico-filosóficos. São Paulo: Martin Claret. 2003

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A ideologia Alemã. São Paulo. Martin Claret. 2004.

MIRANDA NETO, Antônio Garcia de (org.). Dicionário de Ciências Sociais. Editora Fundação Getúlio Vargas. 1986. MEC.

SACRISTÁN, J. Gimeno. Educar e conviver na cultura global: as exigências da cidadania. Porto Alegre. 2002.

VYGOTSKY, Lev S. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1989


________________________________________
[1] Aluna do Curso de Graduação em Pedagogia da URCA
[2] Mestranda em Educação, professora do Dep. de Educação da URCA
[3] Drª. em Educação, professora do Dep. de Educação da URCA
[4] Ms. em História, professora do Dep. De História da URCA

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