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A infância e sua Singularidade

Por: Deise marcia da silva dos santos

INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO PROF ALDO MUYLAERT
DOCENTE: REGINA CRESPO
DISCENTE: DEISE MARCIA DA SILVA DOS SANTOS
LEONARDO LINCON
MATERIA: PRATICA DE ENSINO II

RESENHA

A INFÂNCIA E SUA SINGULARIDADE

Texto extraído de: KRAMER,S,Infância, cidadania e educação.In: PAIVA.A,EVANGELISTA, A.PAULINO,GE VERSIANIN,7(Org)No fim do século: a diversidade. O Jogo do Livro infantil e Juvenil..Editora Autêntica/CEALE,2000,p.9-36; e KRAMER, S.Direitos da criança e projetos políticos pedagógico de educação infantil. In BASILIO,L e KRAMER,S Infância educação e direitos humanos.São Paulo, Ed.Cortez.2003.p.51-81.

A leitura e releitura do texto deixaram muitas sensações e marcas em mim professora-pesquisadora-leitora e aluna. Não sei bem como explicar o que mais me prendeu e acabou por fazer com que não terminasse a leitura deste texto do mesmo jeito que comecei. Mas em quê exatamente reside a novidade? Será na agradável surpresa de ver um texto para educadores escrito com paixão e esperança, sem que o rigor teórico tenha sido abandonado? Ou será na sensação de ter percorrido caminhos que levam da filosofia para a sociologia, passando pela história, ao mesmo tempo em que vemos as histórias narradas em uma linguagem carregada de parceiros da melhor literatura?, como Philippe Áries, Bernard Charlot que buscava na psicologia baseada na teorias de Vygotsk, Wallon e Piaget, Postman, Walter Beijamim, Sarmento, Senett, Paulo Freire e outros. Poderia ser também pelo fascínio que tanto das reflexões, o cotidiano da escola, a vida de criaturinhas tão pequenas, mas ou mesmo tempo tão complexas e importantes para a construção do futuro, quanto a reflexão teórica vão exercendo sobre o leitor ? Ou ainda o deleite em passear por um texto que o tempo todo exige a presença do leitor, seja para assumir o papel de crítico ou de cúmplice da autora?

Foi estranho, talvez um pouco melancólico, perceber a minha ingenuidade quando, ao abandonar a leitura do texto para escrever estas Resenha, constatei que havia tomado um banho de refinamento e de simplicidade, de leveza e rigor teórico-literário e eu nem estava lendo um romance ou uma obra de ficção, mas um texto para e da escola. Me atrevo a dizer que parte dessa sensação se deve ao fato de o texto da Sônia ter conseguido materializar o que ela "tematizou", ou seja, a necessidade de encararmos e discutir a infância, a escola e principalmente os desafios contemporâneos para a educação infantil e o ensino fundamental. O saber ensinar não só na sua dimensão científica, mas também na sua dimensão cultural, poética, artística como estratégia contra a cristalização da nossa linguagem e da nossa prática pedagógica. São palavras dela:

“Sem conhecer as interações, não há como educar crianças e jovens numa perspectiva de humanização necessária para subsidiar políticas e práticas educativas solidárias.”
( Sônia Kramer.p.21)

Os significados da infância são construídos socialmente. Isto significa que esses significados nem sempre foram os mesmos e as modificações ocorreram e ocorrem por determinações culturais e mudanças estruturais na sociedade. Ariès foi um dos pioneiros a estudar este assunto. Em sua obra clássica, “A história social da criança e da família” o autor mostra como o conceito de infância tem evoluído através dos séculos, oscilando entre pólos em que as crianças eram consideradas ora um “Bibelô”, ora um “adulto em miniatura”.

No passado a taxa de mortalidade infantil era muito alta e quando as crianças vinham a morrer os pais não manifestavam nenhum sentimento de perda ou tristeza, aceitando normalmente o fato. Quanto ao sentimento de infância, o texto destaca dois tipos: o de “paparicação”, que surgiu no ambiente familiar com crianças menores e o de “moralização”, que nasceu da necessidade de preservar e disciplinar as crianças. Este último originou-se com os “homens da lei” e religiosos e estenderam-se as famílias. Esta moralização acabou por inspirar a educação do século XX.

Creio que a infância, geralmente é idealizada de forma irreal. Quantas vezes vemos pessoas falando que gostariam de voltar a ser criança, pois estes foram os melhores dias de suas vidas?, porém a realidade da infância nos dias de hoje, no meu modo de ver não é muito diferente do passado, sendo que no passado todo o sofrimento e crueldade na qual as crianças eram submetidas, ou era permitido, como formas de punição, pois não haviam leis de amparo ao menor, ou ficava “escondido” pela sociedade. Em nome de uma homogeneização interesseira relacionada com projetos políticos elitistas, a idéia de infância feliz é reforçada, e o texto nos mostra isso quando fala que “a idéia de uma infância moderna foi universalizada com base nos padrões de crianças de classe média”, mascarando problemas sociais por que passam na mídia milhares de crianças em todo o mundo em escolas perfeitas ou adquirindo produtos da moda. Mas será que todas as infâncias representam este sentimento de saudade, de uma época feliz? Existe na nossa cultura um mito de infância feliz, mito este que estamos aprendendo a desconstruir.

A autora nos mostra tantos estudos a este respeito e há uma necessidade tão grande em conceituar a infância que até ficamos confusas. Por entender que hoje existe uma enorme diversidade cultural, considero que exista um tipo de infância para cada cultura e o seu significado pertence, portanto, ao modo de cada um conceber a vida. Sendo assim, a questão: O que é Infância, não tem uma resposta única e muita menos uniforme como podemos ver através da abordagem e pesquisa do texto.

Comparando as evidências apresentadas na pesquisa de Ariès, com a pesquisa feita por Sônia Kramer, percebi que as crianças de diferentes gerações têm sido tratadas de forma diversa. Segundo o conteúdo, antigamente o silêncio e a obediência eram muito presentes, não havia relações de afeto e paparicações, hoje a falta de tempo de uma sociedade capitalista, leva o adulto a trocar de papel com as crianças e muitas vezes se submeter a mimos excessivos, causados pele sentimento de culpa, pela ausência e falta de dialogo. Com isso, perde-se o limite e a autoridade, necessários no processo de construção da personalidade nas etapas da infância.

As mudanças das práticas culturais, brincadeiras, cantigas de roda, coisas simples que se perderam com o tempo, deixando uma lacuna, que foi pouco a pouco trocada pela tecnologia e babás eletrônicas, e neste caso, não importa se é rico ou pobre, o contato humano foi trocado pelo computador, vídeo games ou simplesmente a tela de um televisor.

Quando se fala do desaparecimento da infância os pesquisadores contemporâneos não estão falando da mortalidade infantil, mas sim, da morte trágica do “brincar”, da vivência ingênua e descompromissada! As crianças da atualidade tornam-se precoces adultos, pois além do apelo da mídia, eles vivenciam a violência, muitas vezes dentro de casa, assimilam para si os problemas urbanos e acabam por ser acometido de doenças que em outras épocas eram ditas doenças de adulto.

Quando Sônia propõe quatro eixos baseados na pesquisa de Benjamim, analiso todas mas gostaria de ressaltar:

O professor, pode e deve brincar, aguçar a criatividade e principalmente deixar que a criança tenha liberdade para criar, vivenciar e refazer a infância, porém é na família que ela vai absorver toda a sua experiência de vida e adquirir todas as ferramentas para ser uma criança de verdade e de fato, neste sentido o professor sozinho não vai conseguir nada, é como Paulo Freire nos fala “A escola tem que ser democrática e a união da família, corpo acadêmico e comunidade é fundamental”, porem sei que quando Benjamim fez esta pesquisa, foi em uma época em que tudo ficava a cargo do professor e da escola, hoje a pedagogia vislumbra isso de uma forma diferente.

Para a criança não existe divisão de classes sociais, etnia, religião e preconceitos,criança é apenas crianças sem rótulos ou orgulho, porem é a sociedade e o meio em que ela vive que vai aos poucos incutindo na criança estas noções e valores, creio que a escola deve utilizar a realidade para transmitir não só conteúdos, mas valores, porem o apoio dos pais é imprescindível.

O texto de Sonia é maravilhoso e nos leva a refletir sobre a responsabilidade enquanto educadores, formadores não de maquinas mas de seres humanos históricos, transformadores, e que a nossa responsabilidade é a de enfrentar os desafios com coragem para conseguir mudar o futuro.

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