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A colônia segundo José Murilo de Carvalho - na visão do filme "A Missão"

Por: Deise marcia da silva dos santos

POR: DEISE MÁRCIA DA SILVA DOS SANTOS
DEISIMARA BARRETO PEIXOTO
LEONARDO PAIXÃO
Campos dos Goytacazes – RJ
2007



Trabalho apresentado à professora Vera.
Como requisito parcial da disciplina de historia II

1)Com base no filme “A missão”, identifique atitudes que caracterizam o etnocentrismo:


A chegada dos jesuítas na tribo indígena, apesar de uma inicial resistência de alguns índios, fez com que os mesmos começassem a ser doutrinados, os índios passaram a adorar a cruz e assistir a missa, passaram a ser conduzidos, pela moral da religião católica, religião essa que moldava os índios à cultura européia.
Ao tirarem os índios de seu habitat natural e levá-los para a civilização européia, aqueles eram vestidos de acordo com a cultura própria da região. Quando, nos seus afazeres de escravos, os modos de agradecimento e a obediência incondicional aos seus donos, demonstra a idéia que estes homens tinham sobre os índios. Na cena em que a pequenina índia conta para o clero e o Estado diz que aquela criatura é um animal, e que um animal pode ser treinado para contar.

O clímax desta visão etnocêntrica se faz presente nas cenas finais do filme, com a chacina da respectiva tribo por ela não ter se submetido às ordens do clero por pressão do Estado.

O final do século XV e início do XVI é o período em que a Europa começa a se questionar sobre quem habita o outro lado do mundo. É a época das grandes navegações, das grandes "descobertas". As missões religiosas provenientes do Velho Mundo fazem parte deste contexto histórico e de uma visão européia ainda bastante etnocêntrica. A ordem missionária jesuíta, que é fundada em 1534 por Santo Inácio de Loyola e envia ao Brasil missionários em 1750, apresenta três características marcantes: a primazia da obediência, o sentido de organização e a espiritualidade como ação.
Acho importante ressaltar aqui essas características para uma melhor compreensão do papel dos jesuítas na disputa econômica que estava em jogo, embora fundamentalmente sua função principal fosse a evangelização. Seu objetivo, sua MISSÃO era propagar a fé cristã, catequizando os índios; para tal, aprendiam suas línguas, criavam escolas e desenvolviam as artes, especialmente a música e o teatro. É interessante pensar no papel dos jesuítas na colonização brasileira, por exemplo. Eles construíram estradas, atuaram no ensino, nas artes, na medicina, na agricultura. Foram perseguidos e participaram diretamente dos conflitos, tanto com os colonos que queriam escravizar os índios quanto (na parte final do filme) com o poder político representado pela figura do Marquês de Pombal - primeiro-ministro do Rei D. José de Portugal -, que tomou medidas drásticas contra a Companhia de Jesus. Pombal conseguiu a expulsão dos jesuítas de Portugal e de suas colônias em 1759. Mais tarde, em 1773, fez com que a instituição religiosa fosse extinta pelo Papa Clemente XIV. O filme conta à história da disputa entre espanhóis e portugueses pelo território onde se localizam as missões jesuítas.
Padre Gabriel está do lado dos índios, contra os mercenários, mas se opõe à força e à violência, opção de Dom Rodrigo.

Diferentemente dos colonos que vêem os nativos como inferiores e os qualificam como não humanos, sem alma e portanto passíveis de escravização. E portanto se opõem radicalmente aos missionários, em seu objetivo de salvar almas e conquistar adeptos para a fé cristã. O título do filme aponta para duas acepções da palavra missão. Em primeiro lugar este conceito estaria estritamente relacionado à instituição missionária jesuíta, cujo objetivo era propagar a religião cristã (etnocentrismo religioso); em segundo lugar, à idéia de função, que aponta para a possibilidade de interferência dos padres missionários na realidade, particularmente na defesa dos índios.

A missão é fruto de um olhar datado, de um olhar do século XX sobre o século XVI. É um olhar subjetivo sobre um momento específico do passado. O filme fala de um passado "aparentemente" muito longínquo onde os conflitos com o "outro" - o "estranho" e o "diferente" - são intensos. O índio era ingênuos, simplórios, primitivos, grande criança despreparada, reverberado de hábitos estranhos, rituais estranhos, costumes estranhos, “bizarrias” e esquisitices de todos os tipos, inclusive come/ devorar a carne de seus semelhantes depois de sacrificá-lo ou de matá-lo. Apesar disso, e talvez por causa disso, o índio era o bom selvagem. Porque dele não se esperava grande coisa, ele ficava na exterioridade da vida e dos valores do grupo estrangeiro, o olhar estrangeiro não lhe concedia atributos humanos, nem o privilégio da inteligência.

A Missão tem muitos pontos interessantes a serem analisados como a música porque acredito que ela tem uma dimensão que pontua e ilumina o entendimento do filme, da própria história das missões . A música serve não só de fundo para o desenrolar da história como em diversos momentos se torna o centro da cena. Por um lado, ela aborda o contato que se estabelece entre jesuítas e indígenas; por outro, explicita o conflito entre brancos e indígenas. Ela é fundamental tanto para os jesuítas quanto para os índios. A música surge no filme como um elemento que não parece ser um fruto da cultura ou de culturas. Ela dá a impressão, ao contrário, de fazer parte da natureza.

Parece exterior ao homem ao mesmo tempo em que é criação sua, quase um elemento de "universalidade" do homem, que possibilitaria uma união e um encontro para além de todas as diferenças e impossibilidades de comunicação. Como uma espécie de linguagem dos grupos humanos, compreendida de maneira universal por todos eles. A cena do encontro do padre Gabriel com os índios é marcada pela música. Ele toca flauta no meio dos nativos, que acham-no estranho e não conseguem entender sua língua. Como o jesuíta também não conhece a língua dos índios, há um estranhamento inicial mútuo. Mas a música rompe com isso e possibilita o encontro, o diálogo.

A música não apenas os aproxima; na verdade, parece integrá-los a toda a humanidade. A criação musical, a fabricação dos instrumentos e o ensino da música aparecem diversas vezes ao longo da história. Na maioria delas são os jesuítas que ensinam os indígenas a tocar seus instrumentos e a cantar da "sua" maneira. A música é o ponto de aproximação, mas também de aprendizado da cultura. Aprendizado, para os índios, da cultura e dos valores dos brancos e jesuítas. Não aparecem padres tocando ou aprendendo melodias com os índios. O que se dá, o tempo todo, é exatamente o inverso. Uma das imagens finais de A Missão é um violino e um castiçal embaixo d’água, depois da dizimação da Missão de São Miguel pelos portugueses, que enfrentam a resistência e a permanência dos jesuítas. Os dois objetos são emblemáticos da missão jesuíta, a qual, além de catequizar os índios com o objetivo de expandir a fé católica, incute neles os valores da cultura européia.

Um outro aspecto destacado e que é apresentado em A Missão é "a espécie de solidariedade cultural que logo se estabeleceu aqui entre o invasor e a raça subjugada" . Embora o pesquisador esteja se referindo a índios e bandeirantes, parece-me que o diretor do filme parte da mesma idéia para abordar a relação entre os índios e os missionários. O filme A Missão, mais do que fazer um relato histórico das missões e do relacionamento entre culturas diferentes, aponta para a possibilidade de discussão destas questões, que de maneira alguma ficaram resolvidas no passado. Ao contrário, continuam sendo problemáticas. O desafio que a Indústria Cultural precisa enfrentar é trazer para suas páginas e telas a riqueza dessa diversidade.

FICHA TÉCNICA

Roland Joffé - Direção
Fernando Chia, David Puttnam - Produção
Robert Bolt - Roteiro
Chris Menges - Fotografia
Ennio Morricone - Trilha Sonora
Jim Clark - Edição
Stuart Craig - Desenho de Produção
Jack Stephens - Desenho de Produção / Cenografia
Norman Dorme, John King, George Richardson - Direção de Arte
Iain Smith - Produção Associada
Enrico Sabbatini - Figurino
Tommie Manderson - Maquiagem
Peter Hutchinson - Efeitos Especiais


1) Qual era a estrutura social e econômica da colônia?

[...] A colonização foi um empreendimento do governo colonial aliado a particulares. A atividade que melhor prestou a finalidade lucrativa foi a produção do açúcar, mercadoria crescente no mercado europeu. Essa produção tinha dois fatores importantes: Exigia grande investimento de capital e muita mão-de-obra. A primeira foi responsável pela grande desigualdade entre senhores de engenho e os outros habitantes; a segunda, pela escravidão dos africanos[...]
[...] Consolidou-se, por esse modo, um traço que marcou durante séculos a economia e a sociedade brasileira: O latifúndio monocultor e exportador de base escravista[...] Outra atividade econômica importante desde o inicio da colonização foi a criação de gado.
A sociedade era dividida em: Colonizadores, colonos e colonizados; Colonizadores eram os representantes da metrópole, governantes, comerciantes, bispos, missionários (Mercantil religioso), capitães, generais e magistrados. Colonos era a elite da colônia, senhores de engenho, fazendeiros, lavradores, proprietários de larvas auríferas e os donos de charqueados, e por fim os Colonizados, que não tinham propriedade e dependiam do colono eram, os escravos, os agregados, moradores, capangas, capatazes e vadios, a população livre e pobre que representava uma grande ameaça pois “não tinham o modo certo de vida”.




2) Que fatores contribuíram para que os colonos tomassem “consciência de viver em colônia”?


No século XVIII ocorreram as revoluções industrial e francesa com base no liberalismo. Enquanto no Brasil a palavra chave do império era ordem ( temiam a influencia do Haiti).
Frente a essas Revoluções e novas transformações, surge um novo modelo econômico, o capitalismo, (sistema econômico de liberdade de comercio que visa lucro) e que não combinava com pacto colonial (Idea de acordo, na qual a metrópole estabelecia os preços e ate o que plantar), mas aqui no Brasil foi uma imposição da metrópole a colônia.
A partir dai dissemos que os colonos, tomaram consciência de que eram explorados e do que realmente significava viver em colônia, fortemente motivado pela revolução industrial na Inglaterra feita com base no liberalismo, a independência dos Estados Unidos, o nascimento de maquinas, a independência das colônias espanholas e o lema da revolução francesa – Liberdade, Igualdade e Fraternidade, porem aqui no Brasil a maioria dos colonos, queriam apenas uma parte desse lema , a liberdade da Metrópole e desprezavam os ideais de igualdade e fraternidade,. Ser livre e feliz significava para eles, ser livre da metrópole e feliz mantendo a escravidão.


3)Segundo José Murilo de Carvalho, Quais os obstáculos para a construção da cidadania na colônia?

O Fator mais negativo para cidadania foi à escravidão, que no Brasil foi lento e ambíguo pois, como afirma José Murilo de Carvalho, "a sociedade estava marcada por valores de hierarquia, de desigualdade; marcada pela ausência dos valores de liberdade e de participação; marcada pela ausência da cidadania". Diz ainda o mesmo historiador: "Era uma sociedade em que a escravidão como prática, senão como valor, era amplamente aceita. Possuíam escravos não só os barões do açúcar e do café. Possuíam-nos também os pequenos fazendeiros de Minas Gerais, os pequenos comerciantes e burocratas das cidades, os padres seculares e as ordens religiosas. Mais ainda: possuíam-nos os libertos. Negros e mulatos que escapavam da escravidão compravam seu próprio escravo se para tal dispusessem de recursos. A penetração do escravismo ia ainda mais fundo: há casos registrados de escravos que possuíam escravos. O escravismo penetrava na própria cabeça escrava. Se é certo que ninguém no Brasil queria ser escravo, é também certo que muitos aceitavam a idéia de possuir escravo". Escreve ainda o mesmo autor, ao comentar a "carga de preconceitos que estruturam nossa sociedade, bloqueiam a mobilidade, impedem a construção de uma nação democrática".

A população que era livre vivia sem condições para exercer os direitos civis, sobre tudo a educação.
A política era vista como um jogo pessoal em busca do poder. O poder do governo terminava na porteira das grandes fazendas.

A administração colonial portuguesa dificultava a consciência de direitos era o descaso pela educação primária.
Não era interesse da administração colonial ou senhores de escravos difundir essa arma cívica. Foram raras as manifestações cívicas durante a colônia.
A independência não introduziu mudanças radicais visto que a herança colonial foi negativa.

A batalha da abolição, como perceberam alguns abolicionistas, era uma batalha nacional. Esta batalha continua hoje e é tarefa da nação. A luta dos negros, as vítimas mais diretas da escravidão, pela plenitude da cidadania, deve ser vista como parte desta luta maior. Hoje, como no século XIX, não há possibilidade de fugir para fora do sistema. Não há quilombo possível, nem mesmo cultural. A luta é de todos.

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