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Como recuperar o processo de desenvolvimento econômico da região cacaueira

Por: Eliana Sfalsin

A história do cacau na região sul da Bahia não foi importante apenas para os romances de Jorge Amado ganhando reconhecimento internacional, mas também pra economia regional e nacional trazendo dividendos e alavancando o desenvolvimento comercial e populacional em muitas das cidades baianas.

As cidades de Alcobaça, Belmonte, Boa Nova, Canavieiras, Caravelas, Coaraci, Ibicaraí, Ilhéus, Ipiaú, Itabuna, Itacaré, Itajuípe, Ituberá, Jequié, Maraú, Nilo Peçanha, Mucuri, Porto Seguro, Prado, Santa Cruz Cabrália, Ubaitaba, Ubatã, Una e Uruçuca compunham a região denominada de cacaueira segundo estudos feitos por Milton Santos em “Zona do cacau” de 1957. Nem todas essas cidades tinham uma produção de cacau considerável ao ponto de serem consideradas produtoras, mas segundo órgãos como a CEPLAC e o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (1980), a região cacaueira seria composta não só de produtores mas também de localidades que economicamente viabilizavam ou participam do processo produtivo como um todo.

região

Definições da web

1.    Uma região pode ser qualquer área geográfica que forme uma unidade distinta em virtude de determinadas características, um recorte temático do espaço. ...

http://pt.wikipedia.org/wiki/Região

Atualmente o termo região tem definições muito mais amplas e abrangem necessidades não apenas geográficas, mas também econômica e social-cultural. A região cacaueira, teve seu auge entre 1960 e final da década de 80 segundo historiadores locais. A partir do início da década de 90 inicia-se seu declínio em virtude dos baixos preços e logo em seguida com a praga da vassoura de bruxa que devastou grandes áreas produtoras.

O Brasil passou de exportador à importador criando uma reformulação negativa na economia local e, em conseqüência, em outras regiões do Brasil que dependiam do comércio do cacau hora pra produção, hora pra re-comercialização. A transferência de dividendos para o exterior e a falta de planejamento e medidas de controle adequados da economia, fez com que os produtores perdessem suas fazendas e fonte de renda. A maioria deles, sem nenhuma outra forma de fonte de renda.

Famílias acostumadas com o luxo, mesa farta e grandes aquisições materiais, viam-se sem novas perspectivas e sem a estrutura necessária para reergue-se e superar as perdas. Em sua grande maioria, a vida tranqüila fez com que não almejassem títulos acadêmicos e nem novas oportunidades longe da tranqüilidade e do conforto que o fruto de ouro proporcionava. Nesse contexto, muitas famílias de grandes produtores cacaueiros passaram a enfrentar não só períodos de recessão, mas também de instabilidade social. Muitas tragédias e dramas familiares perpetuaram o contínuo declínio da zona cacaueira até os dias de hoje.

Como já bem ilustrado e enfatizado por diversos autores a cerca da temática de desenvolvimento econômico, é necessário entender a história geral de um território (território esse no sentido amplo e não físico) para então tecer as linhas de pesquisas necessárias para uma atuação desenvolvimentista eficiente no local. Além disso, é importante definir onde começa e onde termina esse território fisicamente e não fisicamente. Qual é a co-relação em termos econômicos e políticos com as regiões circunvizinhas, e quais são os pontos fortes a serem explorados e potencializados, e os pontos fracos a serem controlados e administrados. Será necessário entender a importância do papel do governo e sua influência no desenvolvimento sócio, cultural e econômico dessa região. Pois não há como pensar numa gestão econômica social sem incluir o papel do governo nesse âmbito. O governo é o que vai ter maior abrangência e maior facilidade em atingir um maior número de pessoas num espaço territorial amplo, através de educação e parcerias com empresas de grande e médio porte instaladas na região.

Além de todos os mecanismos de pesquisa que precisam ser elaborados e realizados, como: entrevistas, levantamento de dados históricos e econômicos é também necessário fazer um levantamento sobre o momento específico em que as famílias começaram a perceber a mudança do seu padrão de vida através de documentos históricos, livros escritos por escritores e pesquisadores regionais e do cenário político na época; Quais foram as primeiras reações; Quais os tipos de problema essas famílias foram acometidas; Qual foi o envolvimento dos órgãos  governamentais e de que forma eles auxiliaram ou não para sobrevida dessas famílias com relação a perda do poder aquisitivo a que estavam acostumadas; Por quanto tempo a região vem sofrendo as conseqüências dessa perda econômica; Como reorganizar a economia local; Vale a pena reinvestir no cacau ou aderir a novos cultivos? Como integrar agricultura ainda existente aos  processo industriais a fim de agregar valor e alavancar o comércio local?

É importante salientar que, num contexto social, quanto mais pobre e quanto mais a sociedade ao redor é pobre, mais uma região terá sentimento de pobreza. E nesse caso, mais as suas ações e condutas com relação ao seu desenvolvimento serão medíocres e imperceptíveis. Por isso a importância de uma ação contextualizada e extensiva à região e não à uma localidade apenas.

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