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Histórico e modalidades da dança

Por: Renato Mota

Parente dos gestos mais elementares da vida, a dança primitiva logo forjou seus ritmos e seus ritos. Dançar era, ao mesmo tempo, viver, transcender o cotidiano, iniciar-se nos mistérios da vida, da morte, da fertilidade. A eloqüência dessa frase de Leitmotiv mágico, se diversificou pouco a pouco. A dança enriqueceu-se de fórmulas e construções que se tornaram passos tão numerosos quanto as palavras, encadeando-se, traduzindo situações, estados de alma. Utilizando as palavras, as batidas de mãos e de pés como acompanhamento, a dança apoderou-se da música.

Esta união foi tão perfeita que se tornou agradável para o homem participar dessa harmonia, sozinho, com uma parceria ou mesmo em grupo. A dança de sociedade ou de salão e a dança teatral iriam se diferenciar rapidamente. As danças de sociedade (pavana, chacona, minueto, valsa, tango), populares e nobres conheceriam vogas mais ou menos longas. A dança teatral – inicialmente dança de corte, executada em um palco com a finalidade de divertir – logo teve que se sujeitar a regras severas; os primeiros mestres começaram a impor normas rígidas a partir do séc. XIV.
Mas, as verdadeiras regras, só apareceram no séc. XVII. (Beauchamp foi o primeiro a codificar as posições fundamentais dos pés). Mais tarde (1700), Feuillet tornou suas, as primeiras definições de Beauchamp. Entre 1820 e 1830, Carlo Blasis deu à dança seus fundamentos decisivos. Antes dele, Jean Georges Noverre estudou os múltiplos problemas colocados pela dança e pelo balé em suas famosas Cartas (1760). Expressividade ou virtuosidade, narração ou abstração, a dança pode ser por si só expressão teatral e manifestação artística, herança do Romantismo. A Sílfide e Giselle, balés brancos, baseados em argumentos ingênuos, ainda tocam o coração do público. Os balés abstratos de Balanchine, arquitetura de corpos e de linhas, seduziram o olhar e o espírito.

Recusando as convocações arbitrárias da dança de escola, Isadora Duncam, com suas improvisações de “dança livre”, teve sensível influência sobre Michal Fokine, que expôs seus grandes princípios sobre a dança em carta endereçada ao Times em 1914. A grande onda expressionista tomou conta dos Estados Unidos, mais ou menos, no mesmo momento em que os Balés Russos de Serge de Diaghilev. Após um período de apatia no balé clássico, devolviam à dança um lugar primordial no cenário europeu.

O período entre duas guerras mundiais conheceu grandes momentos; enquanto os russos faziam escola, abriam-se numerosas escolas de dança em todos os lugares do mundo. Nos Estados Unidos afirmava-se uma nova corrente – a dança moderna – que teve como iniciadores Martha Graham, Ruth Saint Denis, Doris Humphrey e Agnés de Mille.

O ensino da dança, em muitos países, inclusive o Brasil, é ministrado em escola oficiai ou privada.
Na Idade Média, a Igreja perseguia, excomungava e considerava malditos dançarinos, músicas e festas pagãs, embora permitisse cânticos e outras manifestações que louvassem o Criador. Entretanto, em festivais cristãos, alguns homens e mulheres começavam a dançar “de maneira irresistível”, apesar das sanções religiosas. Com o Renascimento, reapareceram, na Itália, algumas formas de cultura pagã como o baile de máscaras. Importada pela França, a dança era depois reexportada de forma elaborada e estilizada, voltando freqüentemente ao país de origem praticamente irreconhecível. As danças francesas mais antigas e que guardam relação com manifestações posteriores são, provavelmente, as danças baixas a as danças altas, do séc. XVI. A primeira, grave e solene, era dançada num compasso semelhante ao dos salmos religiosos; as segundas, ou balladines, de passo saltitante, eram praticadas quase que exclusivamente por saltimbancos e camponeses. A gaillarde e a volta foram introduzidas na França por Catarina de Médicis (meados do séc. XVI). No mesmo período era dançada a branle, o que permitia uma quantidade ilimitada de variações. A dança mais famosa do séc. XVII foi a pavana, de origem espanhola, seguida da sarabanda, que não sobreviveu ao séc. XVII; a courante, dançada na ponta dos pés, levemente saltitante e com muitas mesuras, predominou durante o reinado de Luis XIV. Porém, a dança que os franceses levaram à perfeição foi o minueto, que se originou de uma dança rústica (a branle de Poitou); chegando a Paris em 1650, foi musicada pela primeira vez por Luli. Enquanto dança popular, o minueto era alegre e vivo. Ao ser levado para corte, tornou-se mais grave e elaborado. A gavota, que muitas vezes foi dançada como uma continuação do minueto, também era, originalmente, uma dança de camponeses (dance de gavots), e consistia basicamente de beijos e cabriolas.

Nas cortes do séc. XVIII, os beijos foram substituídos por buquês de flores; logo a seguir, a gavota passaria para o palco e nunca mais retornaria aos salões. A écossaise e o galope (importado da Alemanha) foram formas muitas populares no fim do séc. XVIII, período em que a valsa, que seria a “febre” dos salões do séc. XIX, dava seus primeiros passos. Na Inglaterra, porém, ela só foi permitida a partir de 1812, e seria proibida na Prússia durante o reinado de Guilherme II (1840-1849). Na valsa, o cavalheiro levantava a cauda do vestido da dama, para que durante os volteios ela não pisasse nem tropeçasse, e o par, dançando muito próximo um do outro, girava freneticamente pelo salão. No final do séc XIX, a França produzia sua própria versão, a valsa francesa, enquanto os americanos desenvolviam uma forma mais lenta: o Boston. Ainda a partir da valsa extraíram-se algumas variações: o shottische e o two-steps; a forma clássica da valsa era chamada de valsa vienense. Rival desta última, a polca foi um dos ritmos favoritos do séc. XIX. A mazurca, uma dança coral em roda do séc. XIX, caracterizava-se pela forte batida dos pés no chão.
A partir de 1910, porém, iniciou-se uma nova era para a dança de salão; a América foi quem liderou a transformação; o jazz e os ritmos afro-americanos iriam influenciar as formas de dança. Inspirado na habanera, o chamado tango “argentino” impôs-se como uma das danças favoritas dessa década e das que se seguiram. Nos EUA, o casal Irene e Veron Castle adaptaram o ritmo do jazz à uma refinada dança de salão, o castle-walk, dançada em largas passadas, com o cavalheiro conduzindo a dama ao redor do salão. Esse casal também introduziu o tango e o maxixe (de origem brasileira) no EUA. Entre 1915 e 1935, com exceção do tango e do charleston (surgido em meados da década de 20), nenhuma dança permaneceu em voga por muito tempo. Em 1925, Arthur Murray padronizou a dança de salão moderna, simplificando-a e introduzindo seis passos fundamentais. A partir dos anos 30, o swing e o jitterburg fizeram sucesso, juntamente com o fox-trot. Entre 1930 e 1950, as danças latinas popularizaram-se no mundo inteiro: primeiro o mambo, a rumba e a conga;

Na década de 50, surgiram o merengue, o calipso e o cha-cha-cha. Por volta de 1950, explodiu o rock-and-roll; no início da década de 60 foi a vez do twist e do hully-gully. A seguir apareceu o iê-iê-iê, dança que separou completamente os pares, podendo ser praticada indiferentemente por uma só pessoa, por dois homens, duas mulheres, um casal ou mesmo um grupo. Dança de movimentos improvisados, na qual os gestos de cada um independem do outro parceiro, tornou-se a forma preferida das jovens gerações desde meados da década de 60.

A Dança Moderna foi à dança livre de Isadora Dulcan, instintiva, semelhante à antiga dança grega, que reestruturou o rigor e a inexpressividade da dança de escola. Rejeitando roupas apertadas e calçados, I Duncan dançava de túnica e descalça. O prestígio dos trabalhos de F. Delsxarte e de E. Jaques-Delcroze e o sentido rítmico deste último chegaram aos Estados Unidos por intermédio da norte-americana Ruth Saint Denis, que criou um estilo de dança livre, em que a poesia e o sacro se misturavam. Com o dançarino Ted shawn, ela fundou a Denishawn School, primeira matriz do que passaria a ser chamada de “dança moderna”.

A dança folclórica era realizada dentro de casa, nos terreiros ou praças, com diversas funções: homenagear, pedir favores ou agradar as forças espirituais, comemorar datas religiosas, vitórias, caçadas, pescas, etc. Indígenas, africanos e portugueses, três povos bailadores, são responsáveis pelo grande número das danças folclóricas brasileiras, denominadas, por Mário de Andrade, danças dramáticas, e por alguns folcloristas, folguedos e autos. Não há um nome genérico de origem popular que engloba todas as modalidades; as denominações mais gerais permitem apenas a divisão de algumas delas em três grupos: bailes pastoris, cheganças e reisados. Embora muitas danças se realizam em datas católicas, em todas se misturam tradições ibéricas, africanas e ameríndias, o que lhes dá um caráter exclusivamente brasileiro: dança-de-velhos, dança-dos-pajés, dança-dos-quatis, dança-do-peixe, dança-do-tambor, dança-do-tipiti, dança-de-cupido, dança-de-São-Gonçalo, dança-do-Espontão, etc.

(*) Larousse 1995. Nova Cultural Ltda 1998 Fascículo 8, Dança pg. 1762.
Renato Mota - 2002 – www.studiorenatomota.com.br

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