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Os principais desafios do gestor democrático na atualidade

Por: tatiana raquel wilde lopes

RESUMO:

Este artigo tem por objetivo analisar questões fundamentais e os novos desafios à gestão escolar, em face das novas demandas que a escola enfrenta, no contexto de uma sociedade que se democratiza e se transforma.

No contexto da educação brasileira, tem sido dedicada muita atenção à gestão na educação que, enquanto um conceito novo, superar o enfoque limitado de administração, se assenta sobre a mobilização dinâmica e coletiva do elemento humano, sua energia e competência, como condições básicas e fundamentais para a melhoria da qualidade do ensino.

A gestão da escola se traduz no dia a dia como ato político, pois implica sempre numa tomada de posição dos pais, professores, funcionários, estudantes e de toda a comunidade escolar, pois a função social da escola é melhorar através das parcerias os resultados do ensino, consolidando o compromisso com a comunidade deixando-a participar, tomar suas decisões, lutar pelo seu ideal o que com certeza propiciará na escola a gestão democrática, onde sua construção não pode ser individual, pelo contrário precisa ser coletiva. Então, como ser um gestor democrático de sucesso em tempos de tantas mudanças, carências, individualismo e falta de parceria com as famílias?

Palavras-chave: Desafios; Gestão Democrática; Parceria; Coletivo.

Especialista em Educação, nomeada na Rede Municipal da cidade de Gravataí - RS. Atua na Escola Municipal de Ensino Fundamental Vinícius de Moraes, como supervisora educacional das séries iniciais do ensino fundamental. Bolsista da UFPEL – Pólo Universitário de Santo Antônio da Patrulha – Curso de Contabilidade. Graduada em Pedagogia – com ênfase em Supervisão Educacional (ULBRA). Especialização em Psicopedagogia Institucional (UCB). Cursando Administração de Empresas (ULBRA).

A LEGISLAÇÃO ESTÁ FAVOR DA GESTÃO?

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Brasileira – LDBEN – Lei nº. 9394/96 nos dá um rumo a seguir, mas não esclarece como devemos fazer acontecer estes princípios nas nossas escolas. No texto: O Projeto Pedagógico na Gestão Democrática de Leonora Pilon Quintas, ela coloca ser necessário ressaltar, que nestes artigos está decretado a gestão democrática com seus princípios vagos, apenas aponta o lógico, não estabelece diretrizes bem definidas para delinear este tipo de gestão, embora indique que todos os envolvidos precisam participar.

Para compreender os processos de reformas que vão ocorrendo em nossas escolas, precisamos entender e nos adaptar às mudanças que surgem na sociedade, pois é impossível debater sobre qualquer estrutura educativa sem antes situá-la no seu aspecto histórico e social. Este processo passa necessariamente pela maneira de como o homem em um dado contexto analisa sua realidade, seu mundo, percebendo-se como um ser que faz o seu tempo e o seu espaço, um transformador subjetivo da sua realidade que racionalmente analisa, modifica.

É importante lembrarmos de que nada adianta uma Lei de Gestão Democrática do Ensino Público que “concede autonomia” pedagógica, administrativa e financeira às escolas se diretor, professores, alunos e demais atores do processo desconhecem o significado político da autonomia, neste contexto esta autonomia parece ser um presente para a escola, enquanto na verdade deve ser uma construção contínua, individual e coletiva.

No entanto, a gestão democrática pode ser a melhor maneira de conseguir que os objetivos educacionais sejam voltados à formação, entende-se assim que todos os sujeitos envolvidos com o processo educacional devem com ele comprometer-se e atuar. Nesse sentido, a participação seria a expressão maior do que aqui entendemos por gestão democrática; primeiro, do ponto de vista mais estritamente político e numa perspectiva democrática, para que um real controle da coisa pública se efetive, a participação deveria ocorrer em todos os níveis e instâncias de decisão junto à escola. Mas não menos importante, do ponto de vista da qualidade da educação, a participação é entendida como necessária, já que a interação – respeitando-se as peculiaridades de cada instituição – entre a família e a escola permitiria um mútuo acompanhamento e, ainda, uma troca de experiências que poderia enriquecer as possibilidades de ação junto às crianças, além da garantia dos seus direitos. Porém, os pais ou responsáveis pelos alunos estão cada vez mais distantes e delegando para as Escolas suas próprias funções.

A NOVA ESCOLA ADAPTANDO-SE A NOVA SOCIEDADE

No texto Desafios do Gestor Escolar para a Mudança Organizacional da Escola, Janialy Alves Araújo Três, coloca que as diversas mudanças sociais, econômicas e políticas ocorridas no mundo requerem que a escola atenda as exigências impostas pelo novo modelo de sociedade, onde as organizações escolares estão passando por vários desafios e mudanças. Justamente esta nova sociedade, a que está necessitada de novos conhecimentos instiga essas transformações, tornando importantes aspectos como a inovação, competitividade e produtividade.

De acordo com Penin & Vieira (2002, In VIEIRA, 2002,pág. 13) a escola sofre mudanças relacionando-se com os momentos históricos. “Sempre que a sociedade defronta-se com mudanças significativas em suas bases sociais e tecnológicas, novas atribuições são exigidas à escola”, assim o papel da escola deve estar de acordo com os interesses da sociedade atual, no entanto é necessário também adaptar-se a essas novas atribuições e envolver todos que atuam na escola para que o resultado seja positivo. Sendo assim, a gestão da escola precisa se empenhar para reestruturar a escola, pois neste contexto de mudança e transformação a escola e todos os seus profissionais precisam cada vez mais investir em conhecimento e aplicá-lo para que a escola aumente sua capacidade de criar e inovar, no entanto vale lembrar que  qualquer mudança gera medo, conflitos, resistência... E a participação dos pais torna-se indispensável para o sucesso desta mudança.

Cabe ressaltar que a gestão escolar é uma dimensão, um enfoque de atuação, um meio e não um fim em si mesmo, uma vez que o objetivo final da gestão é a aprendizagem efetiva e significativa dos alunos, de modo que, no cotidiano que vivenciam na escola, desenvolvam as competências que a sociedade demanda, dentre as quais se evidenciam: pensar criativamente; analisar informações e proposições diversas, de forma contextualizada; expressar ideias com clareza, tanto oralmente, como por escrito; empregar a aritmética e a estatística para resolver problemas; ser capaz de tomar decisões fundamentadas e resolver conflitos, dentre muitas outras competências necessárias para a prática de cidadania responsável. Portanto, o processo de gestão escolar deve estar voltado para garantir que os alunos aprendam sobre o seu mundo e sobre si mesmos em relação a esse mundo, adquiram conhecimentos úteis e aprendam a trabalhar com informações de complexidades gradativas e contraditórias da realidade social, econômica, política e científica, como condição para o exercício da cidadania responsável.

A prática educativa não se resume nos educadores, mas num processo social envolvendo todos os agentes na busca de uma educação de qualidade. Na escola, os agentes são todos da comunidade escolar (pais, alunos, professores, funcionários, gestores...); esta instituição além de se comprometer com o conhecimento teorizado busca a formação integral, incluindo-se valores e atitudes, sentimentos e emoções. Logo, mais uma vez, mostra-se de suma importância a participação das famílias, que precisam estar cientes e acreditarem no trabalho desenvolvido pela Escola.

Na sociedade contemporânea as escolas precisam investir em práticas de gestão participativa, em técnicas motivacionais e reestruturação da instituição e dos conteúdos trabalhados como caminho eficaz para a concretização da educação para que a função da escola sobressaia e torne nossos alunos cidadãos da nossa comunidade.

São demandadas mudanças urgentes na escola, a fim de que garanta formação competente de seus alunos, de modo que sejam capazes de enfrentar criativamente, com empreendedorismoe espírito crítico, os problemas cada vez mais complexos da sociedade.

O PAPEL DA ESCOLA NA SOCIEDADE

A educação, no contexto escolar, se torna mais complexa e exige esforços redobrados e maior organização do trabalho educacional, assim como participação da comunidade na realização desse empreendimento, a fim de que possa ser efetiva, já que não basta ao estabelecimento de ensino apenas preparar o aluno para níveis mais elevados de escolaridade, uma vez que o que ele precisa é de aprender para compreender a vida, a si mesmo e a sociedade, como condições para ações competentes na prática da cidadania. E o ambiente escolar como um todo deve oferecer-lhe esta experiência.

A Escola precisa ser interessante à sua clientela, cativá-la, ser referencial e seus colaboradores devem ser capacitados e conscientes do papel de “transformadores de cidadãos”, devem repensar suas práticas, reformularem seu planejamento visando facilitar o processo de ensino e aprendizagem dos alunos e para então se empenharem em elevar o nível intelectual da escola.

A Gestão Participativa deve ser como um momento de prática coletiva e social, ou seja, um processo de participação (de todos), este deve ser claramente inserido às condições da realidade que atua. Caracteriza-se por uma ação que visa mudança nas relações de poder, transformando-as de verticais (ideológicas e coercitivas) para horizontais (dialógica e democrática), mas para isso é necessário, também, mudança de atitudes dos agentes (sujeitos) do processo. Estes se comprometem com o trabalho porque tem consciência e intenção para a ação que acreditam. Esta leitura e a vivência escolar da atualidade se fazem notória a importância do planejamento participativo, pois sem a sua atuação torna-se impossível uma gestão democrática, desejada por nós.

Para democratizar a gestão educacional é necessário que a sociedade exerça seu direito à informação e à participação, sendo que estes deveriam fazer parte dos objetivos do governo e comprometer-se, também, com a solidificação da democracia. A democratização requer da sociedade verdadeira participação na formulação e avaliação da política educacional e sob total fiscalização. Faz-se necessário envolvimento de grupos sociais nas instituições (conselho escolar, círculo de pais e mestres, grêmios...) Além de incentivar e trabalhar junto à comunidade uma gestão de qualidade requer conhecimentos sobre legislação, já mencionado, quando se falou em ensino fundamental obrigatório e gratuito para todos. Geralmente, nas escolas o conhecimento de legislação, que nas universidades e curso normal é chamado de estrutura e funcionamento do ensino, fica a cargo, exclusivamente, do corpo diretivo (Direção, Supervisão, Coordenação...), não por uma questão de possessividade, mas pelo desinteresse dos demais professores e partícipes do processo educacional.

Também, para administrar é necessário planejar, que se resume em buscar um fim através de ações. Planeja-se porque existe uma realidade a ser transformada, portanto não é algo abstrato, mas intimamente ligado ao real, ou seja, à realidade escolar. O planejamento participativo é encarado com descaso ao termo “participativo”, quer dizer que muitas vezes, ou em sua maioria, ele é apenas um slogan abstrato, facilitando a manipulação dos planejadores (dominantes) sobre os dominados, sendo esta a primeira dificuldade em executar o planejamento participativo. A segunda se refere à acomodação dos funcionários públicos que não conseguem assimilar a participação como algo do cotidiano (fora do papel). E a terceira o descrédito da população (comunidade escolar) quanto a sua força nas transformações sociais. Mas essa idéia deve ser mudada, e a comunidade deve ser chamada para este planejamento.

A cultura da nossa sociedade neoliberal visa competitividade gerando um individualismo que incentivam o indivíduo, sozinho, capaz de vencer e atingir o sucesso. Mas uma gestão democrática deve, portanto, negar estes valores, fortalecendo assim o coletivo. Tarefa árdua, mas a realidade social é evidente, mas não estática, sendo que pode ser mudada, tornado-a humanizada e solidária. È papel da escola o processo de transformação resgatada através de participação de todos, com a convicção de que podemos intervir no processo de constante reconstrução da sociedade.

OS IDEAIS DE EDUCAÇÃO E SUAS PEDAGOGIAS NA PERSPECTIVA DA GESTÃO DEMOCRÁTICA

Uma gestão democrática requer uma educação libertadora que forme sujeitos críticos e, portanto, transformadores de suas realidades por uma sociedade justa e principalmente inclusiva. A escola sob uma política de fazer valer, direitos e deveres, oportuniza o exercício de cidadania. A autonomia é o mais rico potencial que se pode oferecer ao nosso aluno “recheado” de respeito à diversidade cultural, religiosa e política, construindo valores para a formação de uma sociedade humanista. Uma gestão que fortaleça a integração escola-família-sociedade e que seja compromisso de todos no processo educativo.

O produto da educação é o ser humano, e, prepará-lo para a vida em sociedade é a principal função. O papel da escola deveria estar voltado à humanização, ao convívio em grupo, à atuação, à participação, entre outros aspectos que interaja o individuo socialmente tornam-se fundamentais. Promover este ideal educativo há necessidade da equipe estar motivada a este trabalho. Assim, o educador precisa ter motivos e vontade de trabalhar sob a ótica da habilidade social.

Quando um grupo é forte e têm objetivos comuns, visando a felicidade e o sucesso profissional como satisfação pessoal tende a fazer com que suas perspectivas individuais sejam compartilhadas para serem acrescidas no contexto da organização.

Logo, a gestão deve estabelecer uma relação escola-comunidade-professor-aluno de troca, de ajuda, com sensibilidade e engajamento, pois se as relações não forem assim, certamente os resultados esperados por esta escola não será de educação de qualidade e humanizada.

CONCLUSÃO

O Diretor-Gestor é um líder democrático, que trabalha, coopera, sugere que sabe fazer, participando das tarefas, que diz “nós” para avaliação dos efeitos positivos ou negativos da instituição. Este é o líder da organização que aprende e que assume responsabilidades, possibilita autonomia, que interage, participa e coordena à busca de soluções e construções. Visa um grupo motivado, cooperativo e que tenha vontade de crescer. Enfim, um líder leal, que seja o elo das ligações interpessoais com parceria, que não impõe sua verdade, mas que constrói verdades com o grupo e tem o respaldo da comunidade escolar, fazendo-a participar ativamente, trazendo-a cada vez mais para dentro da Escola e buscando estreitar sempre os laços de parceria e cumplicidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

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TRES, Janialy Alves Araújo. Desafios do Gestor Escolar para a Mudança Organizacional da Escola. Aluna do Curso de Especialização em Gestão Escolar

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