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Burocracia: a falsa impressão de funcionalidade

Por: Tiago Dantas

O termo “burocracia”, amplamente utilizado em nossos dias, vem da palavra francesa bureau (escritório) e grega krátos (poder), dando a idéia literal do exercício de poder em um escritório. É importante fazer a diferenciação entre a burocracia do senso comum da burocracia científica.

Muitos dizem que uma atividade ou processo é burocrático quando encontram dificuldades ou complexidade em suas realizações. Essa é a burocracia do senso comum. A burocracia científica, idealizada por Marx Weber no século XX se baseia na divisão do trabalho, hierarquia clara e rígida, meritocracia (cargos são dados segundo a competência dos indivíduos), impessoalidade e formalização dentro das organizações.

Fazendo uma análise crítica da teoria burocrática, vemos condições naturais e outras, totalmente ilógicas dentro da nossa realidade. A divisão do trabalho, inclusive desenvolvida muito anteriormente por Adam Smith, sem dúvida é um elemento de eficiência já comprovada.

A hierarquização tem duas faces: embora possa parecer um símbolo da função administrativa “comandar”, pode deixar as pessoas mais estáticas, dependentes de seus líderes e a organização, menos dinâmica. A meritocracia, fundamento dos concursos públicos, talvez seja algo interessante para considerarmos.

A formalização é algo extremamente perigoso para as organizações, podendo danificar a flexibilidade e o dinamismo das mesmas. Quando empresas tentam ser formais demasiadamente pensando em construir uma imagem de funcionalidade e organização, semelhantemente a uma organização pública, estão cometendo um gravíssimo erro.

A tendência global é a criação de organizações dinâmicas, flexíveis, onde impera a criatividade dos funcionários. Esse é o perfil atual e futuro das empresas de sucesso. A burocracia tende a construir um ambiente estático, não-criativo, “congelado” e desgastante tanto para os funcionários quanto para os gestores.

A burocracia não é totalmente descartável no perfil das organizações eficientes e eficazes; pelo contrário, toda organização tem certo grau de burocracia, no entanto, essa burocracia não pode impedir a geração de novas idéias, novos projetos, novos métodos, devendo servir como o termo de equivalência entre “voar na asas da criatividade e liberdade organizacional” e “manter os pés no chão”.

Dando nova ênfase à idéia central, resta-nos saber os motivos que levam empresas a se burocratizar de forma tão acentuada. De forma branda e superficial, podemos atribuir o fenômeno da burocratização ao desejo subjetivo das organizações em serem consideradas funcionais, organizadas, etc., ou quando essa burocratização é algo que faz parte da identidade cultural das mesmas.

Um palpável exemplo do lado ruim da burocratização é o caso de algumas empresas estatais. Nestas organizações existe uma grande acomodação dos funcionários e dos gestores, visto que tudo sempre será da mesma forma e que os mesmos procedimentos serão adotados. Assim, os funcionários não se importam em se superar e oferecer uma maior força produtiva, focando unicamente, naquilo estabelecido pelas leis internas. Afinal, para que inovar sendo que tudo sempre será igual? Resta saber o caminho que as organizações querem seguir: o “organizado e ineficiente” ou o “bagunçado e dinâmico”.



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